{"id":10490,"date":"2026-04-29T15:51:58","date_gmt":"2026-04-29T15:51:58","guid":{"rendered":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/?post_type=portfolio&#038;p=10490"},"modified":"2026-05-06T10:17:36","modified_gmt":"2026-05-06T10:17:36","slug":"muito-para-pensar-pouco-para-fazer-os-estudos-do-desenvolvimento-na-encruzilhada-do-presente","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/muito-para-pensar-pouco-para-fazer-os-estudos-do-desenvolvimento-na-encruzilhada-do-presente\/","title":{"rendered":"Muito para pensar, pouco para fazer? Os Estudos de Desenvolvimento na encruzilhada do presente"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;Muito para pensar, pouco para fazer?&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|font_size:50|text_align:left|color:%23C7080D&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;Os Estudos de Desenvolvimento na encruzilhada do presente&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%23C7080D&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1777988751964{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<span style=\"color: #163a48;\"><strong>Ana Lu\u00edsa Silva<\/strong><\/span>, Professora Auxiliar Convidada no Iscte-IUL e co-fundadora da <a href=\"https:\/\/oficinaglobal.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #163a48;\"><strong>Oficina Global<\/strong><\/span><\/a><br \/>\n<strong>Imagens<\/strong>: Manuel Moranta para <a href=\"https:\/\/artistsforclimate.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #163a48;\">ArtistsForClimate.org<\/span><\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>Tempo aproximado de leitura<\/strong>: 13 minutos[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proposta feita no ano passado aos alunos e alunas do Mestrado em Estudos de Desenvolvimento do Iscte \u2013 Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa era simples: mobilizar, em contexto de aula, ferramentas de <em>Human-Centered Design<\/em> (Design Centrado nas Pessoas) para desenvolver ideias de mudan\u00e7a com potencial para serem postas em pr\u00e1tica no pr\u00f3prio Iscte. O ponto de partida e de inspira\u00e7\u00e3o seria um dos n\u00fameros ou um dos artigos da revista <em>Outras Economias<\/em> e, para al\u00e9m disso, o tema escolhido teria que estar claramente relacionado com os temas de desenvolvimento global estudados no mestrado. Este \u00faltimo requisito era mais f\u00e1cil do que possa parecer: qualquer um dos temas debatidos na O<em>utras Economias<\/em> permite facilmente embarcar numa reflex\u00e3o cr\u00edtica e interdisciplinar sobre o conceito de \u2018desenvolvimento\u2019<strong><span style=\"color: #163a48;\"><sup>1<\/sup><\/span><\/strong>.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #163a48;\"><sup>1 <\/sup><\/span><\/strong>Os Estudos de Desenvolvimento constituem um campo interdisciplinar dedicado \u00e0 an\u00e1lise dos processos e resultados do \u201cdesenvolvimento\u201d, entendido como mudan\u00e7a social, econ\u00f3mica e pol\u00edtica. Num <span style=\"color: #163a48;\"><a style=\"color: #163a48;\" href=\"https:\/\/www.developmentresearch.eu\/?p=1237\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>texto de 2022<\/strong><\/a><\/span>, Andy Sumners relembra-nos que, longe de existir uma vis\u00e3o unificada sobre o que s\u00e3o os Estudos de Desenvolvimento, a \u00e1rea \u00e9 hoje palco de diferentes abordagens \u2014 desde perspetivas centradas na ajuda e na redu\u00e7\u00e3o da pobreza, at\u00e9 vis\u00f5es cr\u00edticas e propostas de \u201cdesenvolvimento global\u201d \u2014 que divergem quanto aos objetivos, escalas e possibilidades do \u2018desenvolvimento\u2019, conceito alvo de debate permanente. Esta diversidade coloca os Estudos de Desenvolvimento numa encruzilhada, entre a reformula\u00e7\u00e3o do seu objeto (do \u201cSul\u201d para o \u201cglobal\u201d), a cr\u00edtica das suas origens hist\u00f3ricas e epistemol\u00f3gicas e a necessidade de responder a novos desafios complexos e transnacionais como a desigualdade, as migra\u00e7\u00f5es e a emerg\u00eancia clim\u00e1tica. <\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com pequenas varia\u00e7\u00f5es, este foi o exerc\u00edcio que desenhamos e pusemos em pr\u00e1tica, em colabora\u00e7\u00e3o com o CIDAC, desde 2023, em tr\u00eas ocasi\u00f5es: uma na sede do CIDAC, aberta a estudantes universit\u00e1rios\/as que se inscrevessem livremente; duas em contexto de sala de aula, com os\/as estudantes do Mestrado em Estudos de Desenvolvimento do Iscte. A colabora\u00e7\u00e3o nasceu de duas preocupa\u00e7\u00f5es cruzadas: da parte do CIDAC, a <span style=\"color: #163a48;\"><a style=\"color: #163a48;\" href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/outras-economias-pode-uma-revista-ser-educacao-para-o-desenvolvimento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>vontade de encontrar formas de usar a revista<\/strong><\/a><\/span> n\u00e3o s\u00f3 como est\u00edmulo ao debate, mas tamb\u00e9m \u00e0 a\u00e7\u00e3o para a mudan\u00e7a, sobretudo de p\u00fablicos mais jovens; da parte da coordena\u00e7\u00e3o do mestrado, a necessidade de ligar teorias \u00e0 realidade e, ao mesmo tempo, de complementar um semin\u00e1rio (bastante te\u00f3rico) sobre inova\u00e7\u00e3o e desenvolvimento com uma componente pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como acontece tantas vezes (diria, at\u00e9, na maior parte dos casos), o meu percurso na academia (sobretudo, como professora universit\u00e1ria) n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o foi planeado como foi moldado por experi\u00eancias anteriores. Da minha experi\u00eancia de trabalho no setor da coopera\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento ficou a vontade de n\u00e3o esquecer que este campo das ci\u00eancias sociais, muitas vezes seduzido pela beleza do debate intelectual em torno de grandes teorias e ideias, n\u00e3o pode esquecer a necessidade de compreender (de forma profunda) realidades concretas e vividas. Da minha investiga\u00e7\u00e3o de doutoramento sobre inova\u00e7\u00e3o e desenvolvimento, ficou a urg\u00eancia de procurar e p\u00f4r em pr\u00e1tica alternativas para construir um mundo melhor. A experi\u00eancia com o CIDAC no \u00e2mbito das <em>Outras Economias<\/em> foi uma das formas que encontrei de ligar a teoria \u00e0 pr\u00e1tica de uma forma ativa, em conjunto com os\/as estudantes. Estes tr\u00eas momentos de colabora\u00e7\u00e3o \u2013 bem como as conversas e reflex\u00f5es partilhadas durante o processo de prepara\u00e7\u00e3o que os antecederam e tamb\u00e9m ap\u00f3s a sua conclus\u00e3o \u2013 s\u00e3o um bom exemplo do desafio que \u00e9 ensinar Estudos de Desenvolvimento a partir de uma perspetiva cr\u00edtica, quer do ponto de vista pedag\u00f3gico, quer do ponto de vista da mobiliza\u00e7\u00e3o dos jovens universit\u00e1rios para participarem em a\u00e7\u00f5es de mudan\u00e7a concretas.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;10502&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira experi\u00eancia, realizada na sede do CIDAC, foi um desastre: apesar da ampla divulga\u00e7\u00e3o, apareceram apenas tr\u00eas pessoas inscritas. Acabamos por realizar a atividade na mesma, com algumas adapta\u00e7\u00f5es, e experi\u00eancia ajudou-nos a \u2018afinar\u2019 o exerc\u00edcio para as sess\u00f5es posteriores. J\u00e1 em contexto de sala de aula, os\/as estudantes responderam, das duas vezes, de forma entusiasta ao desafio. Do exerc\u00edcio de 2025, com um pequeno grupo de oito estudantes, surgiram duas ideias. A primeira, inspirada pelo n.\u00ba 2 \u201c<span style=\"color: #163a48;\"><a style=\"color: #163a48;\" href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/2-editorial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Estado de Emerg\u00eancia: Justi\u00e7a Clim\u00e1tica e Justi\u00e7a Econ\u00f3mica<\/strong><\/a><\/span>\u201d, propunha a cria\u00e7\u00e3o do \u2018ECOC\u00e2mbio\u2019, um programa de interc\u00e2mbio nacional de interc\u00e2mbio com o objetivo de \u201cpromover a consciencializa\u00e7\u00e3o dos\/das estudantes, mas tamb\u00e9m proporcionar uma aprendizagem pr\u00e1tica sobre temas contempor\u00e2neos relacionados com quest\u00f5es ambientais\u201d<span style=\"color: #163a48;\"><strong><sup>2<\/sup><\/strong><\/span>. A estrutura pensada pelas estudantes para o programa previa uma estrutura reconhecida formalmente pelo sistema de ensino (ou seja, que pudesse ser integrada no plano curricular e\/ou diploma), em que os\/as estudantes tivessem oportunidade de criar e implementar solu\u00e7\u00f5es para problemas reais identificados por organiza\u00e7\u00f5es um pouco por todo o pa\u00eds. Para al\u00e9m de se tornarem mais conscientes e ativos\/as relativamente \u00e0s quest\u00f5es clim\u00e1ticas, os e as participantes do interc\u00e2mbio teriam tamb\u00e9m uma oportunidade de ganhar experi\u00eancia profissional.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1777480088907{margin-top: 20px !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda ideia tinha como ponto de partida o artigo \u201c<span style=\"color: #163a48;\"><a style=\"color: #163a48;\" href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/anti-colonialismo-e-desenvolvimento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Anti-Colonialismo e \u2018Desenvolvimento<\/strong><\/a><\/span>\u2019\u201d, do n.\u00ba 3 da revista, e tinha como objetivo abrir o debate sobre colonialismo e anti-colonialismo junto da comunidade estudantil do Iscte, sobretudo fora da sala de aula. Reconhecendo as dificuldades de participa\u00e7\u00e3o dos\/das estudantes em regime p\u00f3s-laboral nas atividades extracurriculares e tamb\u00e9m o reduzido n\u00famero de atividades organizadas em hor\u00e1rio p\u00f3s-laboral, a proposta dos e das estudantes passava por promover, dentro desse hor\u00e1rio, v\u00e1rios tipos de atividades dedicadas ao tema: ciclos de cinema, exposi\u00e7\u00f5es, <em>djumbais<\/em><span style=\"color: #163a48;\"><strong><sup>3<\/sup><\/strong><\/span> acad\u00e9micos, palestras e confer\u00eancias<strong><span style=\"color: #163a48;\"><sup>4<\/sup><\/span><\/strong>. Mais do que um evento pontual, os estudantes imaginaram um programa coerente, capaz de criar um espa\u00e7o regular de encontro e discuss\u00e3o em torno de temas frequentemente ausentes \u2014 ou apenas abordados de forma marginal, em algumas disciplinas de cursos como Economia Pol\u00edtica, Sociologia ou Antropologia \u2014 no quotidiano acad\u00e9mico. Ao faz\u00ea-lo, procuravam n\u00e3o s\u00f3 ampliar o debate, mas tamb\u00e9m questionar quem participa, quando participa e em que condi\u00e7\u00f5es, trazendo para o centro da proposta algumas das tens\u00f5es que atravessam a vida universit\u00e1ria contempor\u00e2nea e que tinham identificado durante a fase de pesquisa com os e as colegas.<\/p>\n<p>&nbsp;[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #163a48;\"><sup>2 <\/sup><\/span><\/strong>Estudantes autoras da proposta: Alexandra Albergaria, Beatriz Costa, Cossette Valencia e Sofia Concei\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #163a48;\"><sup>3 <\/sup><\/span><\/strong><em>Djumbai<\/em> (crioulo da Guin\u00e9-Bissau) significa encontro, conversa comunit\u00e1ria ou roda de partilha, conv\u00edvios que promovem o debate cr\u00edtico e uma forma de estar em comunidade.<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #163a48;\"><sup>4 <\/sup><\/span><\/strong>Estudantes autores da proposta: Edson Incopt\u00e9, Inussa Djal\u00f3, Iteleno Cunha, Josemil Mendes e Tcherno Bald\u00e9.<\/span><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #163a48;\"><sup>5 <\/sup><\/span><\/strong>Segundo um artigo recente do Jornal de Not\u00edcias, os dados oficiais mais recentes (de 2024) mostram que nunca houve tantos\/as estudantes com estatuto de trabalhador-estudante: 9,2 % do total de inscritos\/as. O n\u00famero tem vindo a aumentar todos os anos e as associa\u00e7\u00f5es de estudantes denunciam o aumento de custos como a principal raz\u00e3o que leva os e as estudantes a optar por trabalhar enquanto estudam. O que estes dados n\u00e3o incluem s\u00e3o os\/as estudantes que optam, por diversos motivos, por n\u00e3o pedir o estatuto de trabalhador-estudante \u2013 \u00e9 muito prov\u00e1vel que os n\u00fameros reais sejam bastante superiores. <\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ponto alto do exerc\u00edcio foi, sem d\u00favida, a apresenta\u00e7\u00e3o das ideias desenvolvidas, com a presen\u00e7a do St\u00e9phane (em representa\u00e7\u00e3o do CIDAC), durante as quais os\/as estudantes explicaram tamb\u00e9m o seu processo criativo e as suas escolhas. Tal como j\u00e1 tinha acontecido na sess\u00e3o do ano anterior, as apresenta\u00e7\u00f5es foram uma oportunidade para se aprofundar o debate sobre os temas escolhidos, mas tamb\u00e9m refletir sobre a coer\u00eancia entre objetivos e pr\u00e1ticas (um ponto que muitas vezes fica \u00e0 margem das discuss\u00f5es, ultrapassado pela vontade de, simplesmente, <em>fazer<\/em>). Foi tamb\u00e9m durante esta \u00faltima sess\u00e3o que se iniciou a reflex\u00e3o sobre a possibilidade de dar continuidade \u00e0s ideias, com o apoio do CIDAC e em coordena\u00e7\u00e3o com o Iscte. No entanto, tanto quanto sei, nenhuma destas propostas foi at\u00e9 hoje posta em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que um resultado inesperado, este desfecho acaba por p\u00f4r em evid\u00eancia quest\u00f5es importantes sobre o lugar destas experi\u00eancias no ensino superior, sobre as expetativas dos estudantes e sobre a natureza (ou a transforma\u00e7\u00e3o) da universidade enquanto espa\u00e7o de debate e mobiliza\u00e7\u00e3o c\u00edvica. Por um lado, os e as estudantes abra\u00e7aram imediatamente o desafio e interessaram-se vivamente pela tarefa que lhes foi proposta (e com a pr\u00f3pria revista <em>Outras Economias<\/em>). Mostraram-se tamb\u00e9m claramente capazes de identificar problemas relevantes, mobilizar conceitos discutidos em aula e desenhar propostas concretas e bastante coerentes, aprofundando os temas em discuss\u00e3o coletiva. Por outro lado, a passagem das ideias \u00e0 a\u00e7\u00e3o revelou-se significativamente mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;10492&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esta dificuldade que merece reflex\u00e3o e que n\u00e3o pode ser dissociada de dois aspetos importantes: a transforma\u00e7\u00e3o da universidade enquanto espa\u00e7o de debate e partilha de conhecimento e a forma como os\/as estudantes universit\u00e1rios vivem hoje os seus estudos. Nos \u00faltimos anos (e em particular ap\u00f3s a pandemia de Covid-19), a participa\u00e7\u00e3o presencial em formas tradicionais de express\u00e3o da vida acad\u00e9mica (semin\u00e1rios, debates, aulas abertas, col\u00f3quios) diminuiu visivelmente. Esta diminui\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se refere apenas a p\u00fablicos externos, mas tamb\u00e9m \u00e0 pr\u00f3pria comunidade acad\u00e9mica como um todo \u2013 professores\/as, investigadores\/as, estudantes. As raz\u00f5es ser\u00e3o muitas (e \u00e0 margem do tema deste texto), mas \u00e9 verdade que esta transforma\u00e7\u00e3o tem impacto na forma como se vive a universidade e se constr\u00f3i um sentimento de perten\u00e7a e de comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto aos e \u00e0s estudantes, a press\u00e3o para acumular habilita\u00e7\u00f5es e compet\u00eancias \u00e9 muita, para al\u00e9m se sentirem cada vez mais condicionados\/as por uma gest\u00e3o de tempo complexa entre estudo, trabalho e vida pessoal \u2013 o que os e as faz passar pela universidade com uma perce\u00e7\u00e3o crescente (e criadora de ansiedade) de que a experi\u00eancia adquirida deve ser, acima de tudo, imediatamente capitaliz\u00e1vel no mercado de trabalho<span style=\"color: #163a48;\"><strong><sup>5<\/sup><\/strong><\/span>. Este segundo ponto ajuda a explicar o facto de um encontro aberto e gratuito (como o primeiro exerc\u00edcio que organiz\u00e1mos na sede do CIDAC) ter atra\u00eddo poucos\/as participantes. De facto, aquele convite \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e \u00e0 co-constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha uma tradu\u00e7\u00e3o imediata (ou claramente vis\u00edvel) em compet\u00eancias imediatamente relevantes para o curr\u00edculo. J\u00e1 a experi\u00eancia em sala de aula foi imediatamente valorizada por trazer a pr\u00e1tica ao percurso acad\u00e9mico, ajudando a estabelecer pontes e a valorizar os conhecimentos adquiridos (o exemplo da proposta ECOC\u00e2mbio \u00e9 tamb\u00e9m uma boa ilustra\u00e7\u00e3o desta necessidade sentida pelos\/as estudantes).<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 quando a aula (necess\u00e1ria para a obten\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias, mas tamb\u00e9m de uma habilita\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica) termina que o passo seguinte se torna complicado, competindo com outras necessidades mais imediatas, nomeadamente a necessidade de trabalhar (para continuar a estudar) e a urg\u00eancia em adquirir outras compet\u00eancias e habilita\u00e7\u00f5es (para conseguir o trabalho ideal). A estas dificuldades podemos acrescentar o fr\u00e1gil sentido de comunidade hoje vivido na universidade \u2013 algo que a pr\u00f3pria pesquisa conduzida pelos\/as estudantes em torno do tema do anti-colonialismo evidenciou, ao revelar a perce\u00e7\u00e3o de escassez de momentos regulares de encontro, debate e participa\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do espa\u00e7o formal da aula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A colabora\u00e7\u00e3o entre o nosso mestrado e o CIDAC a partir da <em>Outras Economias<\/em> acaba por tornar vis\u00edvel uma tens\u00e3o central e estrutural no ensino dos Estudos de Desenvolvimento atualmente: a dificuldade de transformar reflex\u00e3o cr\u00edtica em a\u00e7\u00e3o concreta, num contexto em que os percursos acad\u00e9micos s\u00e3o cada vez mais fragmentados e condicionados por exig\u00eancias e condicionantes externas. Se a universidade continua a ser um espa\u00e7o privilegiado para pensar o mundo cada vez mais complexo em que vivemos, a sua capacidade de mobilizar para a transforma\u00e7\u00e3o desse mesmo mundo \u00e9 hoje menos evidente, tanto fora como dentro da sala de aula. A minha experi\u00eancia diz-me que iniciativas como a nossa n\u00e3o resolvem o problema, mas ao torn\u00e1-lo vis\u00edvel permitem-nos continuar a procurar formas alternativas de potenciar a capacidade transformadora da universidade \u2013 s\u00f3 com imagina\u00e7\u00e3o e com abertura \u00e0 sociedade ser\u00e1 poss\u00edvel continuar o nosso caminho enquanto educadores e educadoras para a mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1777975904213{margin-top: 35px !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_custom_heading text=&#8221;Experi\u00eancias Inspiradoras&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%23163A48&#8243; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1777481806199{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<img data-opt-id=529029295  fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-10512 alignleft\" src=\"https:\/\/mlqqwnlerv17.i.optimole.com\/w:auto\/h:auto\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/economistassin.jpeg\" alt=\"\" width=\"255\" height=\"168\">[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <span style=\"color: #163a48;\"><a style=\"color: #163a48;\" href=\"https:\/\/ecosfron.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Economistas Sem Fronteiras<\/strong><\/a><\/span> \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental de desenvolvimento que re\u00fane pessoas interessadas na constru\u00e7\u00e3o de uma economia justa, equitativa e sustent\u00e1vel. Foi fundada em 1997 por um grupo de professores\/as universit\u00e1rios\/as ativamente empenhados\/as e preocupados\/as com a desigualdade e a pobreza. Trabalham em Educa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento, coopera\u00e7\u00e3o, finan\u00e7as \u00e9ticas, na promo\u00e7\u00e3o da Economia Social e Solid\u00e1ria, entre outros campos ligados \u00e0(s) economia(s).<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;10516&#8243; img_size=&#8221;large&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;Muito para pensar, pouco para fazer?&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|font_size:50|text_align:left|color:%23C7080D&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;Os Estudos de Desenvolvimento na encruzilhada do presente&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%23C7080D&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1777988751964{margin-top: 20px !important;}&#8221;]Ana Lu\u00edsa Silva, Professora Auxiliar Convidada no Iscte-IUL e co-fundadora da Oficina Global Imagens: Manuel Moranta para ArtistsForClimate.org Tempo aproximado de leitura: 13 minutos[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] A proposta feita no ano passado&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10492,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"h5ap_radio_sources":[],"footnotes":""},"portfolio_category":[311],"portfolio_tag":[],"class_list":["post-10490","portfolio","type-portfolio","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-revista-n-o9"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/10490","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/types\/portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10490"}],"version-history":[{"count":29,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/10490\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10860,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/10490\/revisions\/10860"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10492"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=10490"},{"taxonomy":"portfolio_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tag?post=10490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}