{"id":6657,"date":"2024-07-10T14:00:20","date_gmt":"2024-07-10T14:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/?post_type=portfolio&#038;p=6657"},"modified":"2024-11-06T12:28:16","modified_gmt":"2024-11-06T12:28:16","slug":"acumulacao-primitiva-do-capital-2","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/acumulacao-primitiva-do-capital-2\/","title":{"rendered":"Acumula\u00e7\u00e3o primitiva do capital"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;50px&#8221;][vc_custom_heading text=&#8221;Acumula\u00e7\u00e3o primitiva do capital&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%23d88b39&#8243; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1721815981342{margin-top: 10px !important;}&#8221;]<strong>CIDAC<\/strong><\/p>\n<p>Tempo aproximado de leitura: 4 minutos[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243; css=&#8221;.vc_custom_1721409862942{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 0px !important;background-position: 0 0 !important;background-repeat: no-repeat !important;}&#8221;][vc_single_image image=&#8221;7014&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descodificar a economia implica confrontar-nos com alguns conceitos da teoria econ\u00f3mica que podem parecer, na sua formula\u00e7\u00e3o, algo complexos, mas que na realidade dizem respeito a fen\u00f3menos facilmente compreens\u00edveis. A <strong>acumula\u00e7\u00e3o primitiva do capital<\/strong> \u00e9 um destes conceitos, neste caso da teoria econ\u00f3mica marxista, que nos conta uma hist\u00f3ria, uma hist\u00f3ria de viol\u00eancia, viol\u00eancia que est\u00e1 na origem do advento do capitalismo moderno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os s\u00e9culos XVIII e XIX foram testemunhos de uma transforma\u00e7\u00e3o profunda na Europa, mas tamb\u00e9m nos Estados Unidos ou no Jap\u00e3o, denominada de revolu\u00e7\u00e3o industrial, ou seja, a passagem de uma sociedade baseada na agricultura e na produ\u00e7\u00e3o artesanal, para um modelo assente na produ\u00e7\u00e3o mecanizada em massa e na predomin\u00e2ncia do mercado e do trabalho assalariado. Esta revolu\u00e7\u00e3o tornou-se poss\u00edvel gra\u00e7as a um conjunto de vari\u00e1veis, como <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/o-capitalismo-contra-o-clima\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>a inven\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina de vapor e a domestica\u00e7\u00e3o das energias f\u00f3sseis<\/strong><\/a><\/span>, as inova\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e a generaliza\u00e7\u00e3o dos sistemas de patente, o desenvolvimento de meios de transportes mais eficientes, nomeadamente da ferrovia, o acesso \u00e0 eletricidade, os processos de urbaniza\u00e7\u00e3o e o \u00eaxodo rural, entre muitos outros fatores. Mas todas estas inova\u00e7\u00f5es, estas infraestruturas, estas m\u00e1quinas, esta m\u00e3o de obra que permitiram moldar uma nova era representam investimentos colossais. Como foi poss\u00edvel mobilizar tantos meios financeiros para financiar uma t\u00e3o grande transforma\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que n\u00e3o sendo o primeiro a questionar a origem do capital, este conceito foi desenvolvido por Karl Marx que prop\u00f5e uma leitura hist\u00f3rica sobre este fen\u00f3meno baseando-se na realidade inglesa.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir do final do s\u00e9culo XVI, a parte das terras senhoriais at\u00e9 ent\u00e3o livremente cultivadas pelas popula\u00e7\u00f5es rurais, s\u00e3o submetidas a um processo de privatiza\u00e7\u00e3o e os campos, na altura abertos (<em>open fields<\/em>), passam a ser vedados e explorados por grandes propriet\u00e1rios, essencialmente para a cria\u00e7\u00e3o de ovelhas e a produ\u00e7\u00e3o de l\u00e3. Este processo p\u00f5e fim aos <a href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/comuns\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>comuns<\/strong><\/span><\/a> e ao direito de uso coletivo tradicional (era de facto um direito reconhecido) , que inclu\u00eda tamb\u00e9m os direitos de pastagem, o uso da floresta e da madeira ou a respiga. Este fen\u00f3meno \u00e9 denominado \u201c<em>Enclosures<\/em>\u201d, isto \u00e9, a apropria\u00e7\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o das terras comunais, privando as popula\u00e7\u00f5es rurais da sua atividade de produ\u00e7\u00e3o direta.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_row_inner gap=&#8221;35&#8243;][vc_column_inner width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar das v\u00e1rias revoltas camponesas violentas, este novo sistema fundi\u00e1rio e produtivo enraizou-se e levou a \u00eaxodos rurais significativos. Camponeses\/as e pastores\/as foram engrossar a popula\u00e7\u00e3o urbana \u00e0 procura de trabalho, constituindo a \u201creserva\u201d necess\u00e1ria para fornecer m\u00e3o de obra barata no quadro da revolu\u00e7\u00e3o industrial. Chegou-se ao ponto de criar leis contra os \u201cvagabundos\u201d, com amea\u00e7as legais de pris\u00e3o, tortura, trabalho for\u00e7ado ou morte para quem n\u00e3o tinha uma ocupa\u00e7\u00e3o, intensificando a acumula\u00e7\u00e3o das pessoas nos espa\u00e7os urbanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O advento da propriedade privada das terras agr\u00edcolas e o in\u00edcio subsequente da produ\u00e7\u00e3o agricola e cria\u00e7\u00e3o intensiva permitiu uma acumula\u00e7\u00e3o de riqueza por parte dos novos donos da terra. Por outro lado, a desapropria\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es camponesas dos seus meios de produ\u00e7\u00e3o permitiu a cria\u00e7\u00e3o de uma classe assalariada, que s\u00f3 detinha a sua for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_single_image image=&#8221;7027&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1721410141563{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o que \u00e9 que isto tudo tem a ver com o tema da revista? O processo de acumula\u00e7\u00e3o primitiva do capital foi tamb\u00e9m alimentado pela coloniza\u00e7\u00e3o e a escravatura. Nas col\u00f3nias, o cultivo do tabaco, da cana de a\u00e7\u00facar ou do algod\u00e3o tinham uma rentabilidade muito elevada, em particular com o recurso a uma m\u00e3o de obra gratuita e intensamente explorada, os escravos\/as. Tanto a comercializa\u00e7\u00e3o dos produtos coloniais como o pr\u00f3prio com\u00e9rcio das pessoas escravizadas permitiu a acumula\u00e7\u00e3o de imensas fortunas e a cria\u00e7\u00e3o de uma grande burguesia comerciante. Esta atividade e os seus fluxos de mercadoria favoreceu por sua vez a industrializa\u00e7\u00e3o de cidades portu\u00e1rias importantes (Liverpool, Bord\u00e9us, Nantes\u2026) e das regi\u00f5es circundantes. Ou, nas palavras de Karl Marx:<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_text][\/vc_column_inner][vc_column_inner width=&#8221;1\/3&#8243; css=&#8221;.vc_custom_1721816011073{margin-left: 70px !important;}&#8221;][vc_custom_heading text=&#8221;Cacau colono&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236a096a&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/h4>\n<p>Nossos irm\u00e3os de Angola<br \/>\nDe Angola e Mo\u00e7ambique<br \/>\nPenaram 30 anos de vida<br \/>\nNas ro\u00e7as de cacau<br \/>\nDos feudos de S. Tom\u00e9<\/p>\n<p>Cacau<br \/>\nCacau<br \/>\nCaf\u00e9<br \/>\nPara os donos de S. Tom\u00e9<\/p>\n<p>Cacau<br \/>\nCacau<br \/>\nCaf\u00e9<br \/>\nInferno de S. Tom\u00e9<\/p>\n<p>Cacau<br \/>\nCacau<br \/>\nCaf\u00e9<br \/>\nInferno de S. Tom\u00e9<\/p>\n<p>Pelo cacau colono<br \/>\nM\u00e3o-de-obra em S. Tom\u00e9<br \/>\nNa morte de S. Tom\u00e9<\/p>\n<p>Rusga pelo cacau<br \/>\nNos anos 30<br \/>\nMassacre pelo cacau<br \/>\nCinquenta e tr\u00eas<\/p>\n<p>Cacau<br \/>\nFechou as ilhas<br \/>\nEncurralou<br \/>\nEnquistou<\/p>\n<p>N\u00e3o abrir o quisto!<br \/>\nN\u00e3o abrir o quisto!<\/p>\n<p><strong>Alda Esp\u00edrito Santo<\/strong>[\/vc_column_text][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A escravatura direta, bem como as m\u00e1quinas e o cr\u00e9dito, etc., s\u00e3o o ponto de apoio da nossa industrializa\u00e7\u00e3o atual. Sem a escravatura n\u00e3o ter\u00edamos algod\u00e3o, sem algod\u00e3o n\u00e3o ter\u00edamos a ind\u00fastria moderna. Foi a escravatura que deu valor \u00e0s col\u00f3nias, foram as col\u00f3nias que criaram o com\u00e9rcio mundial, foi o com\u00e9rcio mundial que constituiu a condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria da grande ind\u00fastria mec\u00e2nica.<\/em> (MARX, Karl. Mis\u00e9ria da filosofia. Lisboa: Publica\u00e7\u00f5es Escorpi\u00e3o, 1974)[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1721410067854{background-position: center !important;background-repeat: no-repeat !important;background-size: contain !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_single_image image=&#8221;7016&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_custom_heading text=&#8221;Para saber mais&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236a096a&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1721753228496{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h4><strong><a href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/sistema-economico-hegemonico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Sistema econ\u00f3mico hegem\u00f3nico: um puzzle a desmontar<\/strong><\/a><\/strong><\/h4>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][lab_button title=&#8221;Comentar&#8221; type=&#8221;standard&#8221; link=&#8221;url:%20https%3A%2F%2Foutraseconomias.pt%2Foutrasec%2Fcomentarios%2F%20|target:_blank&#8221;][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;50px&#8221;][vc_custom_heading text=&#8221;Acumula\u00e7\u00e3o primitiva do capital&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%23d88b39&#8243; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1721815981342{margin-top: 10px !important;}&#8221;]CIDAC Tempo aproximado de leitura: 4 minutos[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243; css=&#8221;.vc_custom_1721409862942{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 0px !important;background-position: 0 0 !important;background-repeat: no-repeat !important;}&#8221;][vc_single_image image=&#8221;7014&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] Descodificar a economia implica confrontar-nos com alguns conceitos da teoria econ\u00f3mica que podem parecer, na sua formula\u00e7\u00e3o, algo complexos, mas que&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7014,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"h5ap_radio_sources":[],"footnotes":""},"portfolio_category":[212],"portfolio_tag":[],"class_list":["post-6657","portfolio","type-portfolio","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-revistan3"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/6657","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/types\/portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6657"}],"version-history":[{"count":88,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/6657\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7253,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/6657\/revisions\/7253"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7014"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6657"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=6657"},{"taxonomy":"portfolio_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tag?post=6657"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}