{"id":6772,"date":"2024-07-15T15:37:48","date_gmt":"2024-07-15T15:37:48","guid":{"rendered":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/?post_type=portfolio&#038;p=6772"},"modified":"2026-03-03T17:55:12","modified_gmt":"2026-03-03T17:55:12","slug":"anti-colonialismo-e-desenvolvimento","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/anti-colonialismo-e-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"Anti-colonialismo e \u201cdesenvolvimento\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;50px&#8221;][vc_custom_heading text=&#8221;Anti-colonialismo e \u201cdesenvolvimento\u201d&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%23d88b39&#8243; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4>CIDAC<\/h4>\n<p>Tempo aproximado de leitura: 16 minutos[\/vc_column_text][vc_custom_heading text=&#8221;Momentos primeiros da constru\u00e7\u00e3o&#8221; font_container=&#8221;tag:h3|text_align:left|color:%236a096a&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1721734833142{padding-top: 30px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1721733359297{padding-top: 20px !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>N<\/strong>estes momentos primeiros da constru\u00e7\u00e3o<br \/>\nAp\u00f3s o desbravar das matas dos horizontes<br \/>\nN\u00e3o perguntes quem s\u00e3o os poetas,<br \/>\nvem comigo e repara bem[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>N<\/strong>estes tempos pioneiros da produ\u00e7\u00e3o<br \/>\nOs rec\u00e9m-chegados e os veteranos sejam muitos<br \/>\nA fazer com que os radis naveguem<br \/>\nFecundem a terra<br \/>\nE que as ferramentas torneiem e afinem<br \/>\nA engrenagem do processo[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Sob estes ventos soalheiros da revolu\u00e7\u00e3o<br \/>\nQue as quedas n\u00e3o sejam definitivas<br \/>\nE que os desfalecimentos sejam vencidos<br \/>\n<strong>P<\/strong>ela certeza da vit\u00f3ria que amanhecer\u00e1<br \/>\nNas frescuras das madrugadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Jos\u00e9 Carlos Schwarz<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1721733615606{padding-top: 30px !important;}&#8221;][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cDesenvolvimento\u201d<\/strong>: conceito, ideia, teoria(s), estrat\u00e9gia(s), pol\u00edtica(s), s\u00e3o muitas as ace\u00e7\u00f5es e concretiza\u00e7\u00f5es desta palavra, presente no colonialismo, no per\u00edodo das independ\u00eancias dos pa\u00edses colonizados e no neocolonialismo, ou seja, \u00e9 uma palavra omnipresente h\u00e1 mais de um s\u00e9culo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na realidade, ela remonta, pelo que sabemos, ao s\u00e9culo XIX, em estreita liga\u00e7\u00e3o com a emergente <strong>teoria da moderniza\u00e7\u00e3o<\/strong>, no continente Europeu. Bebendo do evolucionismo, aponta para processos de mudan\u00e7a linear que retiram as sociedades da sua forma tradicional, conduzindo-as a formas modernas de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f3mica, dos costumes, etc. Esta teoria e, sobretudo, a dicotomia tradicional \/ moderno adv\u00eam n\u00e3o s\u00f3 de processos hist\u00f3ricos e ideol\u00f3gicos no seio da Europa mas tamb\u00e9m da vis\u00e3o que os pa\u00edses colonizadores constru\u00edram dos povos que viviam nos territ\u00f3rios ocupados a partir do s\u00e9c. XV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi, assim, emergindo uma distin\u00e7\u00e3o do mundo entre os\/as que est\u00e3o \u201c\u00e0 frente\u201d e os que est\u00e3o \u201catr\u00e1s\u201d nesse processo de moderniza\u00e7\u00e3o ou de\u2026 desenvolvimento. E esse processo \u00e9 universal e un\u00edvoco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta vis\u00e3o linear da hist\u00f3ria \u00e9 comum aos <strong>v\u00e1rios quadrantes ideol\u00f3gicos da \u00e9poca<\/strong>, distinguindo-os a no\u00e7\u00e3o de quem s\u00e3o os atores do desenvolvimento e o fim do mesmo. De forma muito generalizante, podemos dizer que para o quadrante liberal \/ capitalista o crescimento econ\u00f3mico e a \u201cm\u00e3o invis\u00edvel\u201d dos mercados conduz \u00e0 riqueza dos Estados. No quadrante marxista, cabe ao Estado assegurar a produ\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m a distribui\u00e7\u00e3o da riqueza pela popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia de desenvolvimento ganhou grande proje\u00e7\u00e3o no p\u00f3s-II Guerra Mundial, tanto a n\u00edvel dos Estados como a n\u00edvel inter-Estados. Da Europa reconstru\u00edda, e ainda colonial, e dos Estados Unidos da Am\u00e9rica, bem como das novas organiza\u00e7\u00f5es internacionais criadas ap\u00f3s o per\u00edodo b\u00e9lico, surge uma nova forma de marcar a dicotomia entre \u201ctradicionais\u201d e \u201cmodernos\u201d: \u201cdesenvolvidos\u201d e \u201csubdesenvolvidos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta ideia de desenvolvimento assenta, acima de tudo, na <strong>economia e no crescimento econ\u00f3mico<\/strong> como via \u00fanica para o \u201cprogresso\u201d, que \u00e9 mensurado atrav\u00e9s do PIB <em>per capita<\/em>: isto \u00e9, dividindo a riqueza da na\u00e7\u00e3o pelo n\u00famero de pessoas encontra-se o estado de avan\u00e7o da mesma, uma m\u00e9dia que encobre as formas de distribui\u00e7\u00e3o, ou n\u00e3o, dessa riqueza. Desenvolvimento, crescimento, progresso s\u00e3o palavras que foram ganhando, assim, um certo grau de sinon\u00edmia.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_single_image image=&#8221;6991&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com os graduais processos de <strong>descoloniza\u00e7\u00e3o<\/strong> acentua-se a dicotomia e a ideia que os pa\u00edses \u201csubdesenvolvidos\u201d devem seguir os passos dos \u201cdesenvolvidos\u201d, um processo de imita\u00e7\u00e3o (ou de tentar apanhar os da frente) que os levar\u00e1 ao bom rumo. O \u201csubdesenvolvimento\u201d \u00e9 encarado como um problema, bem como a coexist\u00eancia, em muitos destes pa\u00edses, de carater\u00edsticas que tanto podem ser de sociedades modernas como tradicionais. Estes pa\u00edses necessitam, assim, de ajuda externa para fazerem a transi\u00e7\u00e3o, ou seja, de uma esp\u00e9cie de tutela que os oriente nesse caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, esses pa\u00edses tinham, h\u00e1 muito, desde o per\u00edodo colonial, uma fun\u00e7\u00e3o na economia mundial: eram fornecedores de mat\u00e9rias-primas e de m\u00e3o-de-obra escrava. A chamada <strong>Divis\u00e3o Internacional do Trabalho<\/strong> correspondeu aos processos hist\u00f3ricos de atribui\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o necessariamente desejada \u2013 a pa\u00edses e regi\u00f5es determinada especializa\u00e7\u00e3o nos processos produtivos mundiais, por exemplo: produzir e exportar cacau (mat\u00e9ria-prima) ou produzir e exportar chocolate (mat\u00e9ria transformada). No entanto, estes processos n\u00e3o t\u00eam igual valor nas trocas mundiais: 1 kg de cacau \u00e9 muito mais barato do que 1 kg de chocolate\u2026 Por isso, se entende que o desenvolvimento de um Estado deve passar pela sua industrializa\u00e7\u00e3o. Nesta vis\u00e3o de moderniza\u00e7\u00e3o, a agricultura e os\/as camponeses foram, de forma geral, vistos\/as como entraves aos processos de desenvolvimento. Logo, o meio rural foi tamb\u00e9m taxado como \u2018atrasado\u2019. Um pa\u00eds desenvolvido tem que passar pelo processo de urbaniza\u00e7\u00e3o e pela transforma\u00e7\u00e3o dos\/das camponeses\/as em trabalhadores\/as assalariados\/as na ind\u00fastria ou nos servi\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As<strong> lutas de liberta\u00e7\u00e3o<\/strong>, dos anos 50, 60 e 70, na sua grande diversidade, ora colocaram o desenvolvimento como des\u00edgnio da independ\u00eancia, ora o criticaram como imperialismo cultural do Ocidente. Mas, fundamentalmente, procuraram conceber vis\u00f5es distintas da ace\u00e7\u00e3o dominante de \u2018desenvolvimento\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mundo bipolar da Guerra Fria, entre o dito \u201cPrimeiro Mundo\u201d capitalista e o \u201cSegundo Mundo\u201d comunista, o \u201cTerceiro Mundo\u201d (no\u00e7\u00e3o pejorativa, mas que ganhou um cunho pol\u00edtico reivindicativo por parte desses pa\u00edses que a usavam como modo de afirma\u00e7\u00e3o) foi-se posicionando, tanto quanto poss\u00edvel, fora desse xadrez (por exemplo, o Movimento dos N\u00e3o-Alinhados) e\/ou criando teorias e desenhando trajet\u00f3rias alternativas \u00e0s vis\u00f5es de desenvolvimento capitalista ou comunista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos dar uma<strong> breve panor\u00e2mica<\/strong> sobre algumas dessas vis\u00f5es, de forma n\u00e3o exaustiva e tendo em mente que neste exerc\u00edcio de s\u00edntese n\u00e3o conseguimos trazer toda a complexidade que cada uma abra\u00e7a.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1721406992985{padding-top: 50px !important;}&#8221;][vc_column][vc_tta_tabs title_tag=&#8221;h3&#8243; section_title_tag=&#8221;h5&#8243; style=&#8221;modern&#8221; color=&#8221;purple&#8221; active_section=&#8221;1&#8243; pagination_style=&#8221;flat-round&#8221; pagination_color=&#8221;blue&#8221;][vc_tta_section title=&#8221;Escolas da Depend\u00eancia&#8221; tab_id=&#8221;1721059255543-9bd1a460-5cb8&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1739303150376{padding-top: 30px !important;background-color: #ffffff !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos 40-50, deu-se a conflu\u00eancia do pensamento e an\u00e1lise do sistema mundial de economistas de v\u00e1rios pontos do mundo, desde <strong>Raul Prebish, V\u00e2nia Bambirra<\/strong> e<strong> Celso Furtado<\/strong>, da Argentina, o primeiro, e do Brasil, os segundos, passando por <strong>Samir Amin<\/strong>, do Egipto, at\u00e9, alguns anos mais tarde, <strong>Gunder Frank<\/strong>, na Alemanha, que coincidam em alguns pontos: o capitalismo e o colonialismo s\u00e3o indutores do \u201csubdesenvolvimento\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Detalhadamente, isso quer dizer que:<br \/>\n&#8211; a economia de um grupo de pa\u00edses \u00e9 condicionada pelo desenvolvimento e expans\u00e3o de outros<br \/>\n&#8211; alguns pa\u00edses s\u00f3 se podem expandir subordinadamente \u00e0 expans\u00e3o dos dominantes<br \/>\n&#8211; o processo de acumula\u00e7\u00e3o capitalista acontece apenas em algumas partes do mundo<br \/>\n&#8211; o desenvolvimento e o sub-desenvolvimento s\u00e3o fen\u00f3menos de um \u00fanico processo global: o capitalismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das principais raz\u00f5es para tal, do ponto de vista econ\u00f3mico, \u00e9 que o pre\u00e7o dos produtos prim\u00e1rios (algod\u00e3o, cacau, min\u00e9rios, etc.) n\u00e3o tem o mesmo valor que os produtos transformados. E, no mundo, existem pa\u00edses &#8211; na sua maioria pa\u00edses que foram colonizados por pa\u00edses ocidentais &#8211; que s\u00e3o produtores e exportadores apenas de produtos prim\u00e1rios. Enquanto que outros se especializaram na produ\u00e7\u00e3o de produtos manufaturados, criando monop\u00f3lios dos mesmos, por exemplo, das tecnologias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img data-opt-id=1906404037  fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-6775\" src=\"https:\/\/mlqqwnlerv17.i.optimole.com\/w:200\/h:300\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/celso2.jpg\" alt=\"\" width=\"263\" height=\"395\" srcset=\"https:\/\/mlqqwnlerv17.i.optimole.com\/w:200\/h:300\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/celso2.jpg 200w, https:\/\/mlqqwnlerv17.i.optimole.com\/w:300\/h:451\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/celso2.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 263px) 100vw, 263px\" \/>O valor que resulta da transforma\u00e7\u00e3o dos produtos prim\u00e1rios fica, assim, em alguns pa\u00edses, enquanto que outros se v\u00eam desprovidos dessa possibilidade. H\u00e1 como que uma transfer\u00eancia de valor de pa\u00edses ou regi\u00f5es para outras regi\u00f5es, que acumulam e monopolizam capital financeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, se uns exportam apenas produtos prim\u00e1rios (mais baratos) e importam produtos transformados (mais caros) ficar\u00e3o sempre a perder, enquanto que os que importam produtos prim\u00e1rios e exportam produtos transformados ficam sempre a ganhar, o que podemos ver como <strong>assimetrias e injusti\u00e7as no com\u00e9rcio internacional<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta leitura do mundo ficou conhecida como a \u201cteoria da depend\u00eancia\u201d e cruzou-se com a <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/vimeo.com\/68605682 \" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>teoria dos sistemas-mundo<\/strong><\/a><\/span>, que faz corresponder aos pa\u00edses produtores de mat\u00e9rias-primas a no\u00e7\u00e3o de \u201cperiferia\u201d e aos produtores de produtos transformados, a de \u201ccentro\u201d. A periferia est\u00e1 condenada a uma condi\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o ao centro e \u00e9 despojada dos seus recursos naturais. Algo que, j\u00e1 no s\u00e9culo XIX, o indiano <strong>Dadabhai Naoroji<\/strong> enunciara na sua \u201cdrain theory\u201d (que se poder\u00e1 traduzir livremente como \u201cteoria da drenagem de recursos\u201d).<\/p>\n<p>&nbsp;[\/vc_column_text][vc_custom_heading text=&#8221;O que fazer ent\u00e3o?&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236a096a&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]\u2022 \u201cDesconectar\u201d (um termo de Samir Amin) do sistema mundial.<br \/>\n\u2022 Definir internamente os pre\u00e7os dos produtos prim\u00e1rios, de acordo com o valor do trabalho, por exemplo, e n\u00e3o seguir os pre\u00e7os das bolsas ou criados pelos pa\u00edses compradores.<br \/>\n\u2022 Substituir as importa\u00e7\u00f5es de mat\u00e9rias transformadas (tecnologias, por exemplo) por produ\u00e7\u00e3o interna, o que implica industrializar os pa\u00edses.<br \/>\n\u2022 Basear-se nos seus meios, diminuindo rela\u00e7\u00f5es de troca com outros pa\u00edses, ou seja, protecionismo.<br \/>\n\u2022 Ter interven\u00e7\u00e3o estatal para planear e intervir na economia.<br \/>\n\u2022 Dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 equidade s\u00f3cioecon\u00f3mica, criando mecanismos de redistribui\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, ao pleno emprego e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o como fatores de \u201cdesenvolvimento\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns destes aspectos alimentaram a pol\u00edtica de duas comiss\u00f5es regionais da ONU, criadas no final da d\u00e9cada de 40, a<span style=\"color: #6a096a;\"> <strong><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/www.cepal.org\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Comiss\u00e3o Econ\u00f3mica para a Am\u00e9rica Latina<\/a><\/strong> <\/span>e a para a \u00c1sia e Pac\u00edfico, mas foi principalmente a primeira que mais a absorveu, no que ficou conhecido como a \u201cDoutrina CEPAL\u201d.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Desenvolvimento Aut\u00f3ctone&#8221; tab_id=&#8221;1721059255543-6bfaafde-8bf4&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1721667959018{padding-top: 30px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desenvolvimento \u201caut\u00f3ctone\u201d, \u201cautocentrado\u201d, ou em ingl\u00eas \u201cself reliance\u201d, na converg\u00eancia entre a teoria da depend\u00eancia e as vis\u00f5es espec\u00edficas de cada pa\u00eds e dos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o, foi central no programa pol\u00edtico dos \u201c<strong>Socialismos Africanos<\/strong>\u201d. Imbricados na geopol\u00edtica da Guerra Fria, muitos pa\u00edses ou, melhor dizendo, muitos l\u00edderes pol\u00edticos foram construindo a sua vis\u00e3o do p\u00f3s-independ\u00eancia procurando autonomia em rela\u00e7\u00e3o aos dois blocos em disputa: o bloco ocidental e o bloco sovi\u00e9tico, e \u00e0s suas pol\u00edticas de influ\u00eancia e expans\u00e3o (que podemos chamar de imperialismo).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desenvolvimento autocentrado evoca a ideia de um estado natural anterior ao per\u00edodo colonial, cujos tra\u00e7os poder\u00e3o ser retomados para construir a autonomia e a independ\u00eancia econ\u00f3mica e social. \u00c0 semelhan\u00e7a das propostas da teoria da depend\u00eancia, as solu\u00e7\u00f5es preconizadas s\u00e3o a redu\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos dentro da divis\u00e3o internacional do trabalho, atrav\u00e9s da aposta nos fatores internos e nas condi\u00e7\u00f5es locais (recursos naturais, produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola) para produ\u00e7\u00e3o de bens que satisfa\u00e7am as necessidades fundamentais das popula\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o vocacionada para a exporta\u00e7\u00e3o. Do ponto de vista da organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica, assenta na participa\u00e7\u00e3o dessas mesmas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img data-opt-id=1001751937  fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-6773 alignright\" src=\"https:\/\/mlqqwnlerv17.i.optimole.com\/w:261\/h:300\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Amilcar.jpg\" alt=\"\" width=\"430\" height=\"494\" srcset=\"https:\/\/mlqqwnlerv17.i.optimole.com\/w:261\/h:300\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Amilcar.jpg 261w, https:\/\/mlqqwnlerv17.i.optimole.com\/w:891\/h:1024\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Amilcar.jpg 891w, https:\/\/mlqqwnlerv17.i.optimole.com\/w:768\/h:882\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Amilcar.jpg 768w, https:\/\/mlqqwnlerv17.i.optimole.com\/w:806\/h:926\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Amilcar.jpg 806w, https:\/\/mlqqwnlerv17.i.optimole.com\/w:558\/h:641\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Amilcar.jpg 558w, https:\/\/mlqqwnlerv17.i.optimole.com\/w:655\/h:753\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Amilcar.jpg 655w, https:\/\/mlqqwnlerv17.i.optimole.com\/w:926\/h:1064\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Amilcar.jpg 926w\" sizes=\"(max-width: 430px) 100vw, 430px\" \/>Am\u00edlcar Cabral<\/strong> (l\u00edder do movimento de liberta\u00e7\u00e3o de Cabo Verde e da Guin\u00e9-Bissau, o PAIGC), <strong>Patrice Lumumba<\/strong> (l\u00edder anticolonial quinxassa-congol\u00eas e primeiro-ministro da Rep\u00fablica do Congo), <strong>Kwame Nkrumah<\/strong> (primeiro-ministro e presidente do Gana), <strong>Sekou Tour\u00e9<\/strong> (presidente da Guin\u00e9 Conacri),<strong> Julius Nyerere<\/strong> (primeiro-ministro da ex-Tanganica e presidente da Tanz\u00e2nia), bebendo das ideias de pensadores do anticolonialismo, da negritude e do panafricanismo como <strong>Franz Fanon<\/strong> (fil\u00f3sofo e psiquiatra oriundo da Martinica), <strong>W.E.B. Du Bois<\/strong> (soci\u00f3logo, historiador, ativista norte-americano) e <strong>Aim\u00e9 Cesaire<\/strong> (poeta e dramaturgo, da Martinica), foram alguns desses pol\u00edticos. Cingimo-nos, aqui, a algumas das suas ideias, conscientes que a pr\u00e1tica pol\u00edtica de alguns deles ficou marcada por derivas autorit\u00e1rias, o que os distanciou dos valores humanistas que, em princ\u00edpio, defendiam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Am\u00e9rica do Sul e na Am\u00e9rica Central, surgiram, em diferentes \u00e9pocas, vis\u00f5es de \u201cdesenvolvimento\u201d que defendiam que o futuro dos pa\u00edses deveria ser pensado e constru\u00eddo a partir do estudo das ra\u00edzes e das estruturas sociais, econ\u00f3micas e culturais de cada realidade, em particular das estruturas anteriores \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o. <strong>Jos\u00e9 Carlos Mariategui<\/strong>, no Per\u00f9, nos anos 20; o grupo <a href=\"https:\/\/newworldjournal.org\/independence\/introduction\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #d88b39;\"><span style=\"color: #6a096a;\">New World<\/span><\/span><\/strong><\/a><span style=\"color: #6a096a;\">,<\/span> na Jamaica, nos anos 60; ao Etnodesenvolvimento do mexicano <strong>Guillermo Bonfil<\/strong>, j\u00e1 nos anos 80, chamam a aten\u00e7\u00e3o para as comunidades ind\u00edgenas enquanto atores dos processos do seu desenvolvimento.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Socialismos Africanos&#8221; tab_id=&#8221;1721059343743-1794493e-ea4a&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1721755028332{padding-top: 30px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os <strong>socialismos africanos<\/strong> preconizavam, na sua diversidade, um modelo de desenvolvimento que buscava a autonomia econ\u00f3mica, centrada nos territ\u00f3rios de cada pa\u00eds, organizada em cooperativas, passando pela reforma agr\u00e1ria e baseada nos valores das sociedades africanas. A singularidade dos socialismos africanos era precisamente perceberem valores como a redistribui\u00e7\u00e3o, a ajuda m\u00fatua, o comunitarismo como incrustados nas culturas africanas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A n\u00edvel internacional, pautavam-se pelo <strong>n\u00e3o-alinhamento<\/strong>, pelo <strong>pan-africanismo<\/strong> e pela <strong>integra\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o regional<\/strong>. O pan-africanismo, enquanto unidade e solidariedade entre os pa\u00edses africanos e as comunidades na di\u00e1spora, seria essencial para a liberta\u00e7\u00e3o de todos os pa\u00edses e para, em conjunto, ultrapassarem os desafios do p\u00f3s-independ\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img data-opt-id=1625038475  fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-7008\" src=\"https:\/\/mlqqwnlerv17.i.optimole.com\/w:215\/h:300\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/06.jpg\" alt=\"\" width=\"256\" height=\"357\" srcset=\"https:\/\/mlqqwnlerv17.i.optimole.com\/w:215\/h:300\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/06.jpg 215w, https:\/\/mlqqwnlerv17.i.optimole.com\/w:364\/h:508\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/06.jpg 364w\" sizes=\"(max-width: 256px) 100vw, 256px\" \/>Julius Nyerere<\/strong>, na Tanz\u00e2nia, trouxe a ideia de \u201c<strong>ujamaa<\/strong>\u201d (fam\u00edlia alargada, em swahili) como forma comunit\u00e1ria \u2013 organizada em aldeias \u2013 de organiza\u00e7\u00e3o social e econ\u00f3mica a que, em princ\u00edpio, as popula\u00e7\u00f5es adeririam voluntariamente. Esta forma de organiza\u00e7\u00e3o pr\u00e9-existia ao per\u00edodo colonial, mas fora alterada precisamente pela coloniza\u00e7\u00e3o e seria necess\u00e1rio reconstru\u00ed-la. As aldeias organizavam-se autonomamente, tomando decis\u00f5es por consenso. A economia foi igualmente reorganizada, valorizando a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m para <strong>Kwame Nkrumah<\/strong>, no Gana, as culturas africanas tinham inerentemente um esp\u00edrito humanista e de comunitarismo. Baseado nesses valores os povos colonizados poderiam conseguir uma descoloniza\u00e7\u00e3o integral. No plano econ\u00f3mico, no p\u00f3s-independ\u00eancia, o Gana implementou pol\u00edticas de industrializa\u00e7\u00e3o e de controle estatal das empresas, impondo restri\u00e7\u00f5es \u00e0s empresas privadas, procurou construir infra-estruturas como barragens, no sentido da autossufici\u00eancia econ\u00f3mica e que possibilitassem a redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza pela popula\u00e7\u00e3o, nomeadamente atrav\u00e9s de pol\u00edticas sociais e educativas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Am\u00edlcar Cabral<\/strong> desenvolveu o seu pensamento sobre o futuro da Guin\u00e9-Bissau e Cabo Verde no quadro da guerra de liberta\u00e7\u00e3o. Os aspectos econ\u00f3micos, embora presentes, n\u00e3o s\u00e3o a t\u00f3nica do seu pensamento, mas, por outro lado, a organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica que o PAIGC forjou nesse mesmo quadro (como os comit\u00e9s de tabancas), prefigurava uma forma de organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assente no conhecimento da realidade conjuntural do povo guineense e cabo-verdiano, n\u00e3o defendia que a constru\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade passasse pelo regresso ao passado pr\u00e9-colonial, mas via na agricultura a trave-mestra da economia dos dois pa\u00edses que poderia, numa fase posterior, alavancar a industrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diversificar e intensificar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, respeitando os equil\u00edbrios ecol\u00f3gicos; tornando a terra num bem p\u00fablico; promover o artesanato e a pequena ind\u00fastria; estabilizar o mercado nacional; combater a emigra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o; ter o Estado enquanto ator central do processo de desenvolvimento, atrav\u00e9s do controle das for\u00e7as produtivas; desenvolver trocas comerciais com outros pa\u00edses eram alguns dos pontos principais do seu pensamento econ\u00f3mico. Mas privilegiava, sobretudo, os efeitos sociais do desenvolvimento em detrimento dos n\u00edveis de progresso econ\u00f3mico, numa vis\u00e3o centrada no ser humano e na justi\u00e7a social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia de desenvolvimento seria uma s\u00edntese cr\u00edtica da cultura do povo, da ci\u00eancia e de aspectos do per\u00edodo colonial que pudessem servir a nova na\u00e7\u00e3o \u2013 como os impostos \u2013 afirmando que cada sociedade deve encontrar o seu pr\u00f3prio caminho para os problemas sociais e econ\u00f3micos que enfrenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u201c<em>Devemos conhecer realmente as condi\u00e7\u00f5es da nossa terra na Guin\u00e9 e em Cabo Verde, para podermos fazer planos concretos para o desenvolvimento e n\u00e3o caminharmos como quem entra num quarto escuro, trope\u00e7ando em tudo, derrubando m\u00f3veis, batendo com a cabe\u00e7a na parede, sem saber o que est\u00e1 a fazer. Isso \u00e9 muito importante para a nossa vit\u00f3ria amanh\u00e3, no plano da resist\u00eancia econ\u00f3mica, camaradas. Temos de evitar, desde j\u00e1, mas tamb\u00e9m amanh\u00e3, toda a mania dos planos grandiosos, fazendo aquilo que \u00e9 poss\u00edvel em cada fase da nossa vida.<\/em>\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Cabral, Am\u00edlcar, <strong><span style=\"color: #6a096a;\"><em>An\u00e1lise de alguns tipos de resist\u00eancia<\/em><\/span><\/strong>. Outros Modos, p. 59<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sekou Toure<\/strong>, na Guin\u00e9 Conacri; <strong>Modibo Keita<\/strong>, no Mali; <strong>Kenneth Kuanda<\/strong>, na Z\u00e2mbia foram tamb\u00e9m exponentes dos Socialismos africanos. Do ponto de vista acad\u00e9mico, economistas como o gan\u00eas <strong>Tetteh Kofi<\/strong> viam a centralidade na cultura e nas formas econ\u00f3micas africanas ancestrais como o modelo de desenvolvimento a seguir (Kofi, por exemplo, criou a abordagem \u201cAbibirim\u201d, que quer dizer \u201cdentro de \u00c1frica\u201d).<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;N\u00e3o Alinhamento&#8221; tab_id=&#8221;1721067147758-cc31c22e-f1f8&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1721668111730{padding-top: 30px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1955, 29 pa\u00edses asi\u00e1ticos e africanos reuniram-se em Bandung (Indon\u00e9sia) com o objetivo de criarem uma for\u00e7a pol\u00edtica equidistante dos dois blocos da Guerra Fria. O <strong>\u201cTerceiro Mundo\u201d<\/strong> ganha aqui uma conota\u00e7\u00e3o de afirma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e de distanciamento ideol\u00f3gico e geopol\u00edtico, em particular, dos Estados Unidos e da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Como? Criando mecanismos de coopera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f3mica e cultural entre os dois continentes, independentes da influ\u00eancia dos blocos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bandung foi um dos marcos do nascimento do <strong>Movimento dos N\u00e3o-Alinhados<\/strong>. Institu\u00eddo em 1961 \u2013 e<span style=\"color: #d88b39;\"><strong><a style=\"color: #d88b39;\" href=\"http:\/\/csstc.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #6a096a;\"> existente at\u00e9 hoje<\/span><\/a><\/strong><\/span> \u2013 o Movimento foi constru\u00eddo atrav\u00e9s de cimeiras, em que se foram sedimentando a coopera\u00e7\u00e3o, que hoje chamamos de \u201cSul-Sul\u201d, e definindo posicionamentos pol\u00edticos conjuntos.<img data-opt-id=2054165602  data-opt-src=\"https:\/\/mlqqwnlerv17.i.optimole.com\/w:300\/h:186\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Gedung.Merdeka.jpeg\"  decoding=\"async\" class=\" wp-image-6779 alignright\" src=\"data:image/svg+xml,%3Csvg%20viewBox%3D%220%200%20300%20186%22%20width%3D%22300%22%20height%3D%22186%22%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%3E%3Crect%20width%3D%22300%22%20height%3D%22186%22%20fill%3D%22transparent%22%2F%3E%3C%2Fsvg%3E\" alt=\"\" width=\"584\" height=\"362\" old-srcset=\"https:\/\/mlqqwnlerv17.i.optimole.com\/w:300\/h:186\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Gedung.Merdeka.jpeg 300w, https:\/\/mlqqwnlerv17.i.optimole.com\/w:558\/h:347\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Gedung.Merdeka.jpeg 558w, https:\/\/mlqqwnlerv17.i.optimole.com\/w:591\/h:367\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Gedung.Merdeka.jpeg 591w\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos 70, em particular nas confer\u00eancias que tiveram lugar em Lusaka, na Z\u00e2mbia (1970) e em Argel, na Arg\u00e9lia (1973) a economia assumiu um lugar de relevo no seio do Movimento. Da primeira, sa\u00edram princ\u00edpios comuns a serem implementados pelos Estados, como a liberdade de escolha de mercados; a pr\u00e1tica de pre\u00e7os justos; a adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s realidades locais; aceitar ajuda externa apenas na forma de transfer\u00eancias financeiras e n\u00e3o no envio de quadros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paralelamente, ao Movimento dos N\u00e3o-Alinhados realizou-se em Cuba, em 1966, a <strong>Confer\u00eancia Tricontinental<\/strong>. A busca por um movimento concertado de liberta\u00e7\u00e3o colonial e imperialista alargava-se ao continente americano. Um dos pontos principais desta confer\u00eancia foi o\u2026 desenvolvimento dos pa\u00edses. Reforma agr\u00e1ria, planeamento estatal, foram algumas das medidas propostas para atingir a igualdade e a justi\u00e7a social. Mas foi, sobretudo, a coopera\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses de \u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9rica (Central e do Sul) baseada nos princ\u00edpios de igualdade e do interesse m\u00fatuo, onde nenhum pa\u00eds faria valer os seus interesses sobre os outros, que sobressaiu desta confer\u00eancia. O fortalecimento das liga\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas entre os pa\u00edses e a sua a\u00e7\u00e3o coletiva eram formas de resist\u00eancia \u00e0s duas hegemonias, mas em particular, \u00e0 hegemonia ocidental.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][\/vc_tta_tabs][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1721418980811{padding-top: 10px !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1721755148131{margin-top: 10px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devido a fatores internos e externos, muitos dos planos das classes pol\u00edticas dos pa\u00edses, no p\u00f3s-independ\u00eancia, n\u00e3o conduziram aos objetivos e aos valores idealizados. Pouco a pouco foram submetidos \u00e0s chamadas pol\u00edticas de <strong>\u201cajustamento estrutural\u201d<\/strong> \u2013 que implicavam cortes significativos nas pol\u00edticas sociais, por exemplo \u2013 levadas a cabo pelos organismos financeiros internacionais e regionais, como o Banco Mundial ou o Banco Africano de Desenvolvimento, em nome do\u2026 desenvolvimento. A pobreza, a fome foram e continuam nos discursos sobre \u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9rica, como fen\u00f3menos aos quais parecem condenadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m na <strong>Europa<\/strong> se ouviam vozes cr\u00edticas \u00e0 no\u00e7\u00e3o e \u00e0 pr\u00e1tica do \u201cdesenvolvimentismo\u201d. Andr\u00e9 Gunder Frank, cr\u00edtico, por exemplo, das listas de indicadores de desenvolvimento, que se baseavam (e baseiam) nos valores e na vis\u00e3o de sociedade europeia. Ou o italiano Giovanni Arrighi que cunhou a express\u00e3o \u201cilusa\u0303o desenvolvimentista\u201d, em que criticava a aposta na industrializa\u00e7\u00e3o como \u00fanico meio dos pa\u00edses \u201csubdesenvolvidos\u201d chegarem ao desenvolvimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desenvolvimento continuou a ser colocado em quest\u00e3o, criticado, dissecado, surgindo, a partir dos anos 80 e 90, muitas ideias alternativas, como o \u201cp\u00f3s-desenvolvimento\u201d. Algumas delas assentam nas mesmas cr\u00edticas que pol\u00edticos, acad\u00e9micos, movimentos faziam nas d\u00e9cadas anteriores: o desenvolvimento \u00e9 uma ideia euroc\u00eantrica, que \u00e9 preciso superar, recorrendo \u00e0s vis\u00f5es espec\u00edficas que os v\u00e1rios povos, na sua complexidade, t\u00eam para o bem-estar das suas comunidades.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][lab_button title=&#8221;Comentar&#8221; type=&#8221;standard&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Foutraseconomias.pt%2Foutrasec%2Fcomentarios%2F%20_blank|target:_blank&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1721669862110{margin-top: 40px !important;}&#8221;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_custom_heading text=&#8221;Links \u00fateis&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236a096a&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1721754953573{margin-top: 10px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h4><a href=\"https:\/\/www.twn.my\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Third world network<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.cetri.be\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Centro Tricontinental<\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/thetricontinental.org\/pt-pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tricontinental<\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/codesria.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Council for the Development of Social Science Research in Africa<\/a><\/h4>\n<p>[\/vc_column_text][vc_custom_heading text=&#8221;Bibliografia&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236a096a&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1721669844878{margin-top: 30px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1721832803236{margin-top: 10px !important;}&#8221;]Akyeampong, Emmanuel, African Socialism or the search for an indigenous model of economic development? African economic history working paper series No. 36\/2017<\/p>\n<p>Cabral, Am\u00edlcar, An\u00e1lise de algumas formas de resist\u00eancia. Edi\u00e7\u00e3o revista e comentada. Outro modo. Odivelas, 2020.<\/p>\n<p>Hettne, Bjorn, Le teorie dello sviluppo, ASAL, 1997<\/p>\n<p>Maluf, Renato, Atribuindo sentido(s) a\u0300 noc\u0327a\u0303o de desenvolvimento econo\u0302mico, Estudos Sociedade e Agricultura, 15, outubro 2000: 53-86<\/p>\n<p>Sarr, Felwine, <a href=\"server=bembacidac,share=home,user=cidac-geral\/geral\/Revista%20Outras%20Economias\/Development%20in%20Africa%20%E2%80%9CWe%20need%20to%20review%20the%20entire%20terminology%E2%80%9D.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">Development in Africa: \u201cWe need to review the entire terminology\u201d<\/span><\/strong><\/a>, iD4D Sustainable Development News, 11 outubro 2016[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;50px&#8221;][vc_custom_heading text=&#8221;Anti-colonialismo e \u201cdesenvolvimento\u201d&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%23d88b39&#8243; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] CIDAC Tempo aproximado de leitura: 16 minutos[\/vc_column_text][vc_custom_heading text=&#8221;Momentos primeiros da constru\u00e7\u00e3o&#8221; font_container=&#8221;tag:h3|text_align:left|color:%236a096a&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1721734833142{padding-top: 30px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1721733359297{padding-top: 20px !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] Nestes momentos primeiros da constru\u00e7\u00e3o Ap\u00f3s o desbravar das matas dos horizontes N\u00e3o perguntes quem s\u00e3o os poetas, vem comigo e repara bem[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Nestes&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6773,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"h5ap_radio_sources":[],"footnotes":""},"portfolio_category":[212],"portfolio_tag":[],"class_list":["post-6772","portfolio","type-portfolio","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-revistan3"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/6772","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/types\/portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6772"}],"version-history":[{"count":64,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/6772\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10340,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/6772\/revisions\/10340"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6773"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6772"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=6772"},{"taxonomy":"portfolio_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tag?post=6772"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}