{"id":7379,"date":"2024-10-21T14:32:27","date_gmt":"2024-10-21T14:32:27","guid":{"rendered":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/?post_type=portfolio&#038;p=7379"},"modified":"2026-05-04T15:50:51","modified_gmt":"2026-05-04T15:50:51","slug":"universidades-agroecologia-e-economia-solidaria-construindo-ciencia-a-servico-da-soberania-e-seguranca-alimentar-e-nutricional-no-brasil","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/universidades-agroecologia-e-economia-solidaria-construindo-ciencia-a-servico-da-soberania-e-seguranca-alimentar-e-nutricional-no-brasil\/","title":{"rendered":"Universidades, Agroecologia e Economia Solid\u00e1ria: construindo ci\u00eancia a servi\u00e7o da Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional no Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;60px&#8221;][vc_custom_heading text=&#8221;Universidades, Agroecologia e Economia Solid\u00e1ria:&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1729532448638{margin-top: 30px !important;}&#8221;][vc_custom_heading text=&#8221;construindo ci\u00eancia a servi\u00e7o da Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional no Brasil&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1730897295881{margin-top: 0px !important;margin-bottom: 20px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>Ana Maria Dubeux Gervais<\/strong><br \/>\n<strong>Universidade Federal Rural de Pernambuco, Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial (Brasil)<\/strong><\/p>\n<p>Tempo aproximado de leitura: 22 minutos[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crise civilizat\u00f3ria tem sido uma quest\u00e3o nos dias atuais. Olhando os diferentes contextos mundiais, percebe-se um enorme processo de transi\u00e7\u00e3o em marcha, que possui contornos multidimensionais, gerando problem\u00e1ticas controversas para a ci\u00eancia. Como forma de contornar, ou enfrentar, tal processo, a ci\u00eancia tem sofrido, por se alimentar de uma l\u00f3gica que: a) divide a realidade em pequenos peda\u00e7os dificultando a compreens\u00e3o do todo; b) homog\u00eanea; c) linear; d) que n\u00e3o permite o di\u00e1logo entre os diferentes tipos de conhecimento; e) que separa aquilo que estudamos daquilo que pensamos ou sentimos; f) que obedece \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es do capitalismo, ignorando as reais necessidades da popula\u00e7\u00e3o. Enfim, uma l\u00f3gica que \u00e9 excludente para grande parte da sociedade, cuja l\u00f3gica \u00e9 a da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O capitalismo esmaga as diferentes formas econ\u00f4micas existentes e h\u00e1, na sociedade, um sentimento que se n\u00e3o conseguimos consumir como os outros somos menores, pobres, quase sub-humanos. Isso reflete o que a ci\u00eancia nos imp\u00f5e como forma de pensamento, inclusive no que se refere \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. Temos que comer homog\u00eaneo, barato e n\u00e3o local, r\u00e1pido, sem pensar nos malef\u00edcios que a alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o saud\u00e1vel nos traz. Tanto no Norte quanto no Sul, cientistas e atores sociais t\u00eam publicamente avan\u00e7ado na perspectiva de construir uma esp\u00e9cie de \u201cdesobedi\u00eancia\u201d a essa l\u00f3gica de funcionamento da ci\u00eancia, buscando outras formas de constru\u00ed-la. Para isso, precisamos ampliar as possibilidades de construir conhecimento a partir da l\u00f3gica de enredamento entre o conhecimento cient\u00edfico e popular, valorizando os \u201ctesouros\u201d invis\u00edveis do saber popular capazes de propor alternativas reais \u00e0s problem\u00e1ticas atuais.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_row_inner][vc_column_inner width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de ter sido definida como um direito humano fundamental desde 1948 pela Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, o Direito Humano \u00e0 Alimenta\u00e7\u00e3o Adequada (DHAA) est\u00e1 longe de ser uma conquista para todas as popula\u00e7\u00f5es do planeta. A fome, a obesidade, doen\u00e7as cardiovasculares, entre outras manifesta\u00e7\u00f5es, s\u00e3o provas de que a quest\u00e3o do acesso ao alimento de qualidade \u00e9 um tema de suma import\u00e2ncia para a humanidade. Como construir na sociedade uma outra l\u00f3gica alimentar, onde passemos a estimular o consumo dos alimentos produzidos no local, a partir da cultura alimentar de cada povo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa proposta nesse texto \u00e9 de olhar, ainda que de forma r\u00e1pida, para o contexto brasileiro, onde diferentes experi\u00eancias, normalmente articuladas entre as universidades e os movimentos sociais, t\u00eam buscado construir outra forma de fazer ci\u00eancia, a partir de processos coletivos de constru\u00e7\u00e3o do conhecimento. Mais especificamente, buscaremos analisar experi\u00eancias constru\u00eddas com o campesinato em torno da quest\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de alimentos na perspectiva da Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (SSAN), a partir da economia solid\u00e1ria. Na articula\u00e7\u00e3o entre o conhecimento acad\u00eamico e as fam\u00edlias camponesas presentes em milhares de comunidades de assentados da reforma agr\u00e1ria, ind\u00edgenas, quilombolas<sup>1<\/sup>, pescadores, ribeirinhos<sup>2<\/sup>, entre outros, temos caminhado na dire\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o de uma ci\u00eancia inclusiva, que repense os conceitos de inova\u00e7\u00e3o, tecnologia, educa\u00e7\u00e3o e principalmente de constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, que perpassa todos os anteriores.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column_inner][vc_column_inner width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #c7080d;\"><sup>1 <\/sup><\/span><\/strong>Quilombolas s\u00e3o os territ\u00f3rios e os grupos sociais compostos por descendentes dos Quilombos, comunidades formadas por pessoas escravizadas que conseguiam fugir, durante o per\u00edodo da escravatura no Brasil e em toda a Am\u00e9rica do Sul e Central, e a\u00ed resistiam e lutavam pela liberdade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #c7080d;\"><sup>2 <\/sup><\/span><\/strong>Comunidades que vivem ao longo dos rios e cuja vida est\u00e1 ligada ao ecossistema dos mesmos. Tal como outras comunidades tradicionais, s\u00e3o reconhecidas e protegidas pela Constitui\u00e7\u00e3o brasileira.<\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_custom_heading text=&#8221;A ci\u00eancia e a produ\u00e7\u00e3o de alimentos&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%23C7080D&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1730902490214{padding-top: 30px !important;}&#8221;][vc_row_inner css=&#8221;.vc_custom_1730976181267{margin-top: 20px !important;}&#8221;][vc_column_inner width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #c7080d;\"><sup>3 <\/sup><\/span>O positivismo defende a ideia de que o conhecimento cient\u00edfico \u00e9 a \u00fanica forma de conhecimento verdadeiro. De acordo com os positivistas, somente se pode afirmar que uma teoria \u00e9 correta se ela for comprovada atrav\u00e9s de m\u00e9todos cient\u00edficos v\u00e1lidos. Os positivistas n\u00e3o consideram os conhecimentos adquiridos por meio de cren\u00e7as religiosas, supersti\u00e7\u00e3o ou qualquer outro, do campo espiritual, intuitivo ou transcendente, que n\u00e3o possa ser comprovado cientificamente. E a comprova\u00e7\u00e3o cientifica s\u00f3 existe se dividirmos a realidade em pequenos peda\u00e7os para entend\u00ea-la, afastando-se o m\u00e1ximo poss\u00edvel para ser neutro, neutralidade que comprovadamente \u00e9 inexistente.<\/span>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1730890086937{margin-top: 40px !important;}&#8221;]<figure class=\"wp-block-embed wp-block-embed-youtube is-type-video is-provider-youtube epyt-figure\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><div class=\"epyt-video-wrapper\"><div  id=\"_ytid_27752\"  width=\"945\" height=\"531\"  data-origwidth=\"945\" data-origheight=\"531\"  data-relstop=\"1\" data-facadesrc=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EVlOqnj2T5s?enablejsapi=1&autoplay=0&cc_load_policy=0&cc_lang_pref=&iv_load_policy=1&loop=0&rel=0&fs=1&playsinline=0&autohide=2&theme=dark&color=red&controls=1&disablekb=0&\" class=\"__youtube_prefs__ epyt-facade no-lazyload\" data-epautoplay=\"1\" ><img data-opt-id=235153938  fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" data-spai-excluded=\"true\" class=\"epyt-facade-poster skip-lazy\" loading=\"lazy\"  alt=\"YouTube player\"  src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/EVlOqnj2T5s\/maxresdefault.jpg\"  \/><button class=\"epyt-facade-play\" aria-label=\"Play\"><svg data-no-lazy=\"1\" height=\"100%\" version=\"1.1\" viewBox=\"0 0 68 48\" width=\"100%\"><path class=\"ytp-large-play-button-bg\" d=\"M66.52,7.74c-0.78-2.93-2.49-5.41-5.42-6.19C55.79,.13,34,0,34,0S12.21,.13,6.9,1.55 C3.97,2.33,2.27,4.81,1.48,7.74C0.06,13.05,0,24,0,24s0.06,10.95,1.48,16.26c0.78,2.93,2.49,5.41,5.42,6.19 C12.21,47.87,34,48,34,48s21.79-0.13,27.1-1.55c2.93-0.78,4.64-3.26,5.42-6.19C67.94,34.95,68,24,68,24S67.94,13.05,66.52,7.74z\" fill=\"#f00\"><\/path><path d=\"M 45,24 27,14 27,34\" fill=\"#fff\"><\/path><\/svg><\/button><\/div><\/div><\/div><\/figure><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #02658f;\"><strong>&#8220;The Ones Who Walk Away from Omelas&#8221;,<\/strong><\/span> um conto de Ursula K. le Guin, com profunda influ\u00eancia das cosmologias ind\u00edgenas.[\/vc_column_text][\/vc_column_inner][vc_column_inner width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O final da segunda guerra mundial foi emblem\u00e1tico para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos no mundo. \u00c9 neste per\u00edodo, sob uma motiva\u00e7\u00e3o aparente de \u201cacabar com a fome no mundo\u201d que os pacotes tecnol\u00f3gicos da \u201crevolu\u00e7\u00e3o verde\u201d aparecem. No Brasil, \u00e9 a partir dos anos 60 que o modelo desenvolvimentista agropecu\u00e1rio gerido pelo agroneg\u00f3cio conhecido como revolu\u00e7\u00e3o verde (FOLGADO, 2014) passa a ganhar for\u00e7a. Ele vem no bojo de um processo de moderniza\u00e7\u00e3o e industrializa\u00e7\u00e3o implantado pelo governo militar e evidentemente financiado pelas empresas multinacionais americanas e europeias tais como a Ford, Massey Fergusson, Valmet, Bayer, Basf, ICI, Ciba Gaiger, Monsanto, Pioneer, Cargill, dentre outras ind\u00fastrias. Essas corpora\u00e7\u00f5es foram respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de maquin\u00e1rio agr\u00edcola, fertilizantes, adubos e outros insumos qu\u00edmicos para a agricultura, revelando uma liga\u00e7\u00e3o direta entre a industrializa\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o capitalista na agricultura (Gorgen, 2017). Naquele momento, est\u00e1vamos falando de um pacote tecnol\u00f3gico de sementes, uso intensivo de agroqu\u00edmicos, pr\u00e1tica de monocultivos, uso de maquin\u00e1rios pesados na produ\u00e7\u00e3o, desmatamento e queimadas. O pacote, foi amplamente difundido pelas universidades e centros de pesquisa, a exemplo da <a href=\"http:\/\/www.embrapa.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #c7080d;\"><strong>Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria<\/strong><\/span><\/a> (EMBRAPA), e alinhava-se com os governos militares que veem na implementa\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o verde uma dupla fun\u00e7\u00e3o, conter os conflitos no campo e alargar a produtividade agr\u00edcola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal modelo, reproduz tamb\u00e9m a l\u00f3gica do positivismo<sup>3<\/sup>, acabando com a diversidade nas propriedades rurais, impondo o monocultivo como modo de produ\u00e7\u00e3o e transformando a cultura alimentar dos povos que passam, pela via do consumo de alimentos ultraprocessados e literalmente \u201cenvenenados\u201d, a transformar seus modos de vida. Para o campesinato, a problem\u00e1tica possui uma outra dimens\u00e3o pois, esse \u00e9 um modelo que exige capital pois destr\u00f3i a capacidade da terra de produzir sem insumos externos. Pouco a pouco, as culturas extensivas de milho, soja, cana-de a\u00e7\u00facar, as chamadas <em>commodities<\/em>, ocupam o solo brasileiro e servem de \u201cmodelo\u201d para numerosas fam\u00edlias camponesas que tentam seguir o mesmo rumo, ficando cada vez mais distantes de uma produ\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_row_inner][vc_column_inner css=&#8221;.vc_custom_1730670111973{margin-top: -10px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1730890111022{margin-top: -40px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A op\u00e7\u00e3o por um determinado estilo de desenvolvimento rural, que imp\u00f5e a ado\u00e7\u00e3o de um correspondente modelo de moderniza\u00e7\u00e3o da agricultura, trouxeram consigo impactos indesej\u00e1veis, e muitas vezes incontrol\u00e1veis, seja pela forma como se implantou esse processo, seja pela natureza em si das tecnologias difundidas, especialmente no que se refere ao uso dos insumos e dos tipos de manejo de solo que passamos a adotar. A simplifica\u00e7\u00e3o extremada de nossos agroecossistemas, inerente ao modelo baseado em monoculturas, contribuiu para reduzir a biodiversidade, do mesmo modo que a necessidade de ocupa\u00e7\u00e3o de maiores \u00e1reas e o crescente uso da madeira para diversos fins, principalmente energ\u00e9ticos, levaram ao aumento do desmatamento provocando consequ\u00eancias dram\u00e1ticas para o ecossistema do planeta (Caporal, 2000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, como afirma Caporal (2008), muitos textos j\u00e1 analisaram os impactos da revolu\u00e7\u00e3o verde e \u00e9 evidente que esta foi, e ainda \u00e9, uma estrat\u00e9gia equivocada. Mas, o que temos que evidenciar \u00e9 que, ao contr\u00e1rio de sua aparente motiva\u00e7\u00e3o inicial, ela n\u00e3o contribuiu para resolver o problema da fome no mundo. Cerca de 733 milh\u00f5es de pessoas passaram fome em 2023, o equivalente a uma em cada 11 pessoas no mundo e uma em cada cinco na \u00c1frica, de acordo com o \u00faltimo relat\u00f3rio\u00a0O Estado da Seguran\u00e7a Alimentar e da Nutri\u00e7\u00e3o no Mundo\u00a0(SOFI) publicado em julho de 2024 pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas. Da mesma forma, novas estimativas de obesidade adulta apresentaram um crescimento constante na \u00faltima d\u00e9cada, de 12,1% (2012) para 15,8% (2022). As proje\u00e7\u00f5es indicam que at\u00e9 2030, o mundo ter\u00e1 mais de 1,2 bilh\u00e3o de adultos obesos (FAO, 2024).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E como a ci\u00eancia contribui para que esse quadro se agrave? Apesar das pesquisas cada vez mais numerosas sobre temas tais como o desenvolvimento sustent\u00e1vel, agroecologia, produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, etc., as institui\u00e7\u00f5es que produzem conhecimento nas ci\u00eancias agr\u00e1rias ainda est\u00e3o sob o julgo da revolu\u00e7\u00e3o verde, produzindo conhecimentos que n\u00e3o levam em conta as principais necessidades das fam\u00edlias camponesas. Nas faculdades de ci\u00eancias agr\u00e1rias, a forma\u00e7\u00e3o dos e das estudantes continua a ser realizada numa \u00f3tica de desenvolvimento de tecnologias para o mercado e para a produ\u00e7\u00e3o de commodities, refor\u00e7ando as bases da revolu\u00e7\u00e3o verde e fortalecendo cada vez mais a rela\u00e7\u00e3o entre as universidades e o mercado. Nas \u00faltimas cinco d\u00e9cadas, o Brasil apresentou uma trajet\u00f3ria crescente de recordes de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, superando 300 milh\u00f5es de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2023 (IBGE, 2023).<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_single_image image=&#8221;7680&#8243; img_size=&#8221;large&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1730903511679{margin-bottom: 10px !important;}&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1730804082915{margin-top: -40px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #02658f;\"><strong>Fog\u00e3o de queima limpa<\/strong><\/span> constru\u00eddo coletivamente em forma de mutir\u00e3o no s\u00edtio de Juscelino e C\u00e9lia em Bonito (Pernambuco). Constru\u00e7\u00e3o dos agricultores em articula\u00e7\u00e3o com a Universidade Federal Rural de Pernambuco \/ Incubadora Tecnol\u00f3gica de Cooperativas Populares \/ Financiamento CNPq. O fog\u00e3o funciona muito bem com pequenos gravetos, sem necessidade de lenha ou carv\u00e3o.<br \/>\nCr\u00e9ditos: Paulo Jos\u00e9 de Santana[\/vc_column_text][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maior parte dessa produ\u00e7\u00e3o \u00e9 destinada \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, com pouca diversidade de produtos e \u00e9 favorecida por pol\u00edticas fiscais de exporta\u00e7\u00e3o. O agroneg\u00f3cio ser\u00e1 beneficiado pela ci\u00eancia no delineamento de estrat\u00e9gias para agregar valor aos produtos exportados, incrementando a j\u00e1 relevante participa\u00e7\u00e3o do setor no PIB nacional (Hungria e Siqueira, 2024). Os mesmos autores v\u00e3o afirmar que a forma\u00e7\u00e3o dos profissionais \u00e9 central para a supera\u00e7\u00e3o dos desafios da ci\u00eancia quanto \u00e0 sua responsabilidade na exist\u00eancia da fome e levantam a necessidade de uma constru\u00e7\u00e3o transdisciplinar para super\u00e1-los. A produ\u00e7\u00e3o de alimentos necessita de um paradigma tal como a agroecologia, concebida enquanto ci\u00eancia, movimento e pr\u00e1tica (ABA, 2015), que pressup\u00f5e inova\u00e7\u00e3o e criatividade para \u201creconstruir a vida nos solos, diversificar, implementar sistemas integrados de produ\u00e7\u00e3o, permitindo maior resili\u00eancia frente a estresses abi\u00f3ticos e estabilidade financeira para o agricultor\u201d (Hungria e Siqueira, 2024, p. 17). A ci\u00eancia precisa avan\u00e7ar rapidamente para solucionar o dilema da pr\u00f3xima d\u00e9cada, que ser\u00e1 o de produzir mais com cada vez menos. Menos solo, menos \u00e1gua, menos insumos, menor esfor\u00e7o humano mas, sobretudo, mais inclus\u00e3o para o campesinato que sofre as consequ\u00eancias graves da a\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio no planeta.[\/vc_column_text][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_custom_heading text=&#8221;Uma luz no fim do t\u00fanel&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%23C7080D&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde a d\u00e9cada de 70, as primeiras sementes do movimento agroecol\u00f3gico no Brasil foram lan\u00e7adas a partir das Comunidades Eclesiais de Base (CEB) organizadas pela igreja cat\u00f3lica. Orientadas pelo m\u00e9todo ver, julgar e agir, as CEBs organizavam suas a\u00e7\u00f5es a partir do cotidiano das fam\u00edlias, articulando-as \u00e0s dimens\u00f5es mais amplas relacionadas \u00e0 resist\u00eancia contra o modelo hegem\u00f4nico de desenvolvimento rural. Petersen e Almeida (2006) destacam a valoriza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas culturais locais, das iniciativas inovadoras das fam\u00edlias e das formas de conv\u00edvio social e coopera\u00e7\u00e3o voltadas para otimizar o uso dos recursos locais, para a constru\u00e7\u00e3o de crescentes n\u00edveis de autonomia material e de conhecimentos nas comunidades rurais. Um exemplo claro, \u00e9 o processo de implanta\u00e7\u00e3o de agroflorestas em pequenos s\u00edtios (m\u00e9dia de 1 ha), que aumenta de forma vertiginosa a produ\u00e7\u00e3o de alimentos para consumo pr\u00f3prio e para comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A abertura democr\u00e1tica p\u00f3s-ditadura, nos anos 1980, permitiu a reorganiza\u00e7\u00e3o dos movimentos populares, e favoreceu a constitui\u00e7\u00e3o de entidades de assessoria aos agricultores e agricultoras e a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de discuss\u00e3o e reflex\u00e3o de \u00e2mbito nacional. Nasce a\u00ed o que chamamos de \u201cmovimento de agricultura alternativa\u201d, encampado por uma multitude de movimentos sociais do campo que v\u00e3o pouco a pouco aprofundando a reflex\u00e3o proposta pelas CEB. Nessa \u00e9poca, as lideran\u00e7as desses mesmos movimentos do campo eram relativamente cr\u00edticas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tecnologias alternativas afirmando que as mesmas eram: a) uma volta ao passado; b) um aprofundamento da exclus\u00e3o dos agricultores que tinham o direito de se modernizarem como os empres\u00e1rios do agroneg\u00f3cio; c) o trabalho com tecnologias alternativas revela um vi\u00e9s tecnicista e pouco politizado; d) a luta dos camponeses \u00e9 uma luta de classes, pela reforma agr\u00e1ria e pelos direitos dos\/das trabalhadores\/as; e) a organiza\u00e7\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o com tecnologias alternativas \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o pela elitiza\u00e7\u00e3o (Peter e Almeida, 2006). Tais cr\u00edticas revelam a impressionante for\u00e7a ideol\u00f3gica que os mitos da moderniza\u00e7\u00e3o desempenharam mesmo nas mentes mais comprometidas com transforma\u00e7\u00f5es estruturais em nossa sociedade. Ao conceberem as tecnologias somente atrav\u00e9s de sua dimens\u00e3o instrumental, terminam por reproduzir o discurso da neutralidade das t\u00e9cnicas e a incorporar como real a imagem que a revolu\u00e7\u00e3o verde tem e veicula de si mesma: a ideia de modelo \u00fanico, de validade universal, de express\u00e3o m\u00e1xima da efici\u00eancia e da produtividade (Petersen e Almeida, 2006, p. 27).[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_single_image image=&#8221;7397&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1730903852477{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #02658f;\">Biodigestor constru\u00eddo coletivamente<\/span><\/strong> em forma de mutir\u00e3o no s\u00edtio de Ant\u00f3nio e L\u00e9a em Bonito \u2013 Pernambuco. Constru\u00e7\u00e3o dos agricultores em articula\u00e7\u00e3o com a Universidade Federal Rural de Pernambuco \/ Incubadora Tecnol\u00f3gica de Cooperativas Populares \/ Financiamento CNPq. O biodigestor permitiu \u00e0 fam\u00edlia n\u00e3o comprar mais g\u00e1s, car\u00edssimo no Brasil atualmente, o que contribuiu para a seguran\u00e7a alimentar da fam\u00edlia e ampliou as possibilidades de transforma\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o em doces, compotas, geleias, etc.<br \/>\nCr\u00e9ditos: Ant\u00f3nio Silva[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1730903682829{padding-top: 63px !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem poder aqui reproduzir a totalidade do hist\u00f3rico do movimento agroecol\u00f3gico no Brasil, \u00e9 interessante observar que, a partir dos anos 90, percebemos a evolu\u00e7\u00e3o do conceito de \u201cagriculturas alternativas\u201d para o conceito de agroecologia. Diferentes debates, tanto no seio da sociedade quanto da academia provocam pouco a pouco um processo coletivo de experimenta\u00e7\u00e3o social e um n\u00famero cada vez mais significativo de fam\u00edlias passam a se apropriar dos conhecimentos atrav\u00e9s das redes de fluxo horizontal de comunica\u00e7\u00e3o<sup>4<\/sup>. Essas redes s\u00e3o permanentemente abertas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de novas fam\u00edlias. O t\u00e9cnico deixa de ser um mero repassador de receitas de manejo agr\u00edcola e assume um papel de assessor dos grupos de agricultores-experimentadores. \u201cOs conhecimentos cient\u00edficos deixam de ser concebidos como a express\u00e3o da verdade inquestion\u00e1vel (&#8230;) para serem incorporados como insumos para inova\u00e7\u00e3o local\u201d (Petersen e Almeida, 2006, p. 31-32).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inspiradas na experi\u00eancia do Movimento Campesino a Campesino na Am\u00e9rica Central, as redes de inova\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica passaram ainda a promover intensamente interc\u00e2mbios agricultor(a)-agricultor(a). Esse m\u00e9todo de comunica\u00e7\u00e3o horizontal potencializou enormemente os processos sociais de inova\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica. Aqui \u00e9 importante destacar com que conceito de inova\u00e7\u00e3o estamos trabalhando. Neste sentido, os conceitos de tecnologia social ou ainda o de ecotecnologia, s\u00e3o fundamentais. No caso do primeiro conceito, compreende-se como uma tecnologia que passa por uma adapta\u00e7\u00e3o sociot\u00e9cnica<sup>5<\/sup>, que \u00e9 inclusiva em todas as etapas de sua constru\u00e7\u00e3o, que se adequa aos valores e interesses pol\u00edticos de grupos sociais que participam de sua constru\u00e7\u00e3o, s\u00e3o respeitosas do meio ambiente e contribuem aos processos de transforma\u00e7\u00e3o social (Dagnino, 2009). Por outro lado, as ecotecnologias podem ser definidas como um conjunto de tecnologias ecol\u00f3gicas para o manejo integrado dos recursos naturais que n\u00e3o agridem a natureza e dispensam o uso de pr\u00e1ticas antr\u00f3picas como o fogo, agrot\u00f3xicos, m\u00e1quinas\/implementos e fertilizantes inorg\u00e2nicos. S\u00e3o tecnologias baratas e ambientalmente corretas que substituem o padr\u00e3o tecnol\u00f3gico da revolu\u00e7\u00e3o verde. A finalidade das ecotecnologias \u00e9 aumentar a diversidade de esp\u00e9cies produzidas tanto para enriquecer os agroecossistemas, como tamb\u00e9m para produzir os meios necess\u00e1rios para a vida dos seres humanos e outros seres vivos (Figueiredo, 2010, p. 169).<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #c7080d;\"><sup>4<\/sup><\/span>Consideram-se redes de fluxo horizontal de comunica\u00e7\u00e3o aquelas onde as decis\u00f5es s\u00e3o tomadas de maneira coletiva pois a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 igual entre os pares, mesmo quando os mesmos possuem n\u00edveis e tipos de conhecimento diferentes sobre uma mesma tem\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #c7080d;\"><sup>5<\/sup><\/span>Quando falamos de adapta\u00e7\u00e3o sociot\u00e9cnica, estamos nos referindo \u00e0 capacidade da tecnologia se adaptar \u00e0s reais necessidades daqueles que a utilizam, devolvendo \u00e0 tecnologia um real valor social.<\/span><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, o movimento agroecol\u00f3gico, composto por organiza\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, de camponeses\/as e da sociedade civil, tem se preocupado com o processo de constru\u00e7\u00e3o do conhecimento agroecol\u00f3gico (CCA) que se d\u00e1 justamente a partir dessa articula\u00e7\u00e3o entre saberes acad\u00eamicos e populares. Portanto, fala-se menos de inova\u00e7\u00e3o e mais de buscar saberes ancestrais capazes de explicar e trazer respostas para problem\u00e1ticas atuais. Cotrim e Del Soglio (2016) explicitam alguns elementos como fundamentais para a CCA aconte\u00e7a: a) Vis\u00e3o hol\u00edstica e sist\u00eamica da ci\u00eancia; b) Imers\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es sociais comunit\u00e1rias; c) Constru\u00e7\u00e3o social dos projetos e atores; d) Di\u00e1logo de saberes; e) Princ\u00edpios ecol\u00f3gicos da agricultura; f) Mercado embebido nas rela\u00e7\u00f5es sociais; g) M\u00e9todo participativo; h) Transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica e participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m dos elementos explicitados, o debate sobre a tecnologia \u00e9 fundamental para consolidar cada vez mais os processos de constru\u00e7\u00e3o do conhecimento agroecol\u00f3gico. A produ\u00e7\u00e3o de alimentos necessita de novas tecnologias que possam: a) lidar com as problem\u00e1ticas de degrada\u00e7\u00e3o do solo, da \u00e1gua, do ar, entre outras; b) pensar formas de preservar as sementes crioulas e as ra\u00e7as nativas, garantindo a biodiversidade natural e garantindo que sejam os e as agricultoras e n\u00e3o o mercado quem define a produ\u00e7\u00e3o; c) propor maquin\u00e1rios adaptados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, sobretudo em pequenas propriedades rurais; d) facilitar a troca de experi\u00eancias entre agricultores experimentadores da transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica; e) propor estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o do meio ambiente; f) enfrentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e suas consequ\u00eancias.[\/vc_column_text][vc_row_inner][vc_column_inner width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas estas experi\u00eancias s\u00e3o fomentadas e apoiadas por duas experi\u00eancias universit\u00e1rias importantes que s\u00e3o as Incubadoras Tecnol\u00f3gicas de Cooperativas Populares (ITCP) e os N\u00facleos de Estudos em Agroecologia (NEA). As fotos que ilustram este texto referem-se a uma experi\u00eancia de transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica no munic\u00edpio de Bonito (Pernambuco). A Incubadora Tecnol\u00f3gica de Cooperativas Populares da Universidade Federal Rural de Pernambuco (INCUBACOOP-UFRPE), com apoio do CNPq, vem desenvolvendo desde 2016 um projeto amplo no munic\u00edpio, incentivando a ado\u00e7\u00e3o da agroecologia. A universidade, em parceria com a prefeitura local, estimulou a cria\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Vida Agroecol\u00f3gica, composta hoje por 20 fam\u00edlias de agricultores\/as familiares que comercializa semanalmente produtos agroecol\u00f3gicos no Mercado da Vida. O trabalho que tem sido desenvolvido envolve consumidores\/as, produtores\/as, escolas, governo local e j\u00e1 gerou uma s\u00e9rie de resultados importantes tais como a transforma\u00e7\u00e3o da vida dos e das agricultoras, a cria\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica p\u00fablica municipal de agroecologia, a cria\u00e7\u00e3o de uma escola de refer\u00eancia em Educa\u00e7\u00e3o do Campo e Agroecologia, entre outras.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column_inner][vc_column_inner width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_custom_heading text=&#8221;Exemplos de Incubadoras Tecnol\u00f3gicas de Cooperativas Populares:&#8221; font_container=&#8221;tag:h4|text_align:left|color:%23C7080D&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/itcpufv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Incubadora de Cooperativas Populares da Universidade Federal de Vi\u00e7osa<\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/inicies_incubadora\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span class=\"_ap3a _aaco _aacu _aacx _aad7 _aade\" dir=\"auto\"> Incubadora de Iniciativas e Empreendimentos Solid\u00e1rios<\/span> da Universidade Federal de Rio Grande do Norte<\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ecofeiradarural\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Experi\u00eancia da ecofeira implantada na universidade pela INCUBACOOP \u2013 Universidade Federal Rural de Pernambuco<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_single_image image=&#8221;7399&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1730670274065{margin-top: -20px !important;margin-bottom: 60px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta experi\u00eancia mostra como as universidades, a partir das ITCPs e dos NEAS, promovem a constru\u00e7\u00e3o de uma ci\u00eancia inclusiva, interdisciplinar, preocupada com o di\u00e1logo de saberes, entre outros aspectos, e sua a\u00e7\u00e3o tem transformado o cotidiano das universidades onde se instalam. As mudan\u00e7as acontecem na forma\u00e7\u00e3o de estudantes, na transforma\u00e7\u00e3o de docentes, na cria\u00e7\u00e3o de tecnologias em parceria com as fam\u00edlias camponesas e portanto, representam aquilo que podemos chamar de <strong>inova\u00e7\u00e3o social<\/strong> (Moulaert, 2013). Para al\u00e9m disso, contribuem para a constru\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias concretas nos territ\u00f3rios que transformam a vida das pessoas, gerando Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar no mundo rural. Tais experi\u00eancias, articulam ensino, pesquisa e extens\u00e3o e d\u00e3o o tom daquilo que podemos esperar das universidades do futuro.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_custom_heading text=&#8221;Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%23C7080D&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1777909646910{margin-top: -20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Agroecologia (ABA). Estatuto da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Agroecologia. S\u00e3o Paulo, SP: ABA,2015. 12p.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caporal, F. R. &#8211; Em defesa de um Plano Nacional de Transi\u00e7\u00e3o Agroecol\u00f3gica: compromisso com as atuais e nosso legado para as futuras gera\u00e7\u00f5es\/ Francisco Roberto Caporal. Bras\u00edlia: 2008. 35 p.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caporal, F. R.; Costabeber, J. A.&nbsp;Agroecologia e desenvolvimento rural sustent\u00e1vel: perspectivas para uma nova Extens\u00e3o Rural.&nbsp;&nbsp;Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustent\u00e1vel, v.1, n.1, p.16-37, jan.\/mar. 2000a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caporal, F. R.; Costabeber, J. A.&nbsp;Agroecologia e sustentabilidade. Base conceptual para uma nova Extens\u00e3o Rural.&nbsp;&nbsp;In: WORLD CONGRESS OF RURAL SOCIOLOGY, 10, Rio de Janeiro.&nbsp;&nbsp;Rio de Janeiro: IRSA, 2000b.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cotrim, D. S.; Dal Soglio, F. K. &#8211; Constru\u00e7\u00e3o do Conhecimento Agroecol\u00f3gico: problematizando o processo. Rev. Bras. de Agroecologia. 1 1 (3): 259-271, 2016<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dagnino, R. P. &#8211; Tecnologia social: ferramenta para construir outra sociedade. Campinas, IG\/UNICAMP, 2009<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FAO, IFAD, UNICEF, WFP and WHO. 2024. The State of Food Security and Nutrition in the World 2024 \u2013 Financing to end hunger, food insecurity and malnutrition in all its forms. Rome. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/openknowledge.fao.org\/items\/09ed8fec-480e-4432-832c-5b56c672ed92\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/openknowledge.fao.org\/items\/09ed8fec-480e-4432-832c-5b56c672ed92<\/a> Acesso em 28\/09\/2024<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Figueiredo, M. A. B. Una Estrategia de Desarrollo Local desde las Experiencias Agroecol\u00f3gicas de la Regi\u00f3n Ca\u00f1era Pernambucana \u2013 Brasil. Tese de doutorado, Universidade de Cordoba, Espanha, 2010<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Folgado, C. Agrot\u00f3xico: um problema invisibilizado. Caderno de estudo para base I. Bras\u00edlia \u2013 Distrito Federal. MPA e Via Campesina. 2014, 32p.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">G\u00f6rgen, S. A. Trincheiras da resist\u00eancia camponesa: sobre o pacto do poder do agroneg\u00f3cio. Candiota, RS: Instituto Cultural Padre Josimo, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hungria, M.; Siqueira, J. O. Onde a ci\u00eancia nos levou e que caminhos pode nos ajudar a trilhar In: Seguran\u00e7a alimentar e nutricional: o papel da ci\u00eancia brasileira no combate \u00e0 fome. \/ Organiza\u00e7\u00e3o Mariangela Hungria. \u2013 Rio de Janeiro : Academia Brasileira de Ci\u00eancias, 2024.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Em janeiro, IBGE prev\u00ea safra de 302,0 milh\u00f5es de toneladas para 2023. Ag\u00eancia IBGE de not\u00edcias, 2023. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-sala-de-imprensa\/2013-agencia-de-noticias\/releases\/36210-em-janeiro-ibge-preve-safra-de-302-0-milhoes-de-toneladas-para-2023.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-sala-de-imprensa\/2013-agencia-de-noticias\/releases\/36210-em-janeiro-ibge-preve-safra-de-302-0-milhoes-de-toneladas-para-2023.<\/a> Acesso em: 26\/09\/2024.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Moulaert, F.; MacCallum, D. ; Abid Mehmood, A. H. (Eds.), The International Handbook on Social Innovation. Collective Action, Social Learning and Transdisciplinary Research, Cheltenham, Edward Elgar, 2013, 500 p.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Petersen, P.; Almeida, S. G. Rinc\u00f5es transformadores: trajet\u00f3ria e desafios do movimento agroecol\u00f3gico brasileiro \u2013 uma perspectiva a partir da Rede PTA (vers\u00e3o provis\u00f3ria). Rio de Janeiro: AS-PTA, 2006. 54 p.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ploeg, J. D. V. D. Camponeses e imp\u00e9rios alimentares: lutas por autonomia e sustentabilidade na era da globaliza\u00e7\u00e3o. Trad. Rita Pereira. Porto Alegre: UFRGS, 2008. 372 p.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quijano, A. Modernidad, Identidad y Utop\u00eda en Am\u00e9rica Latina. Lima: Sociedad y pol\u00edtica Ediciones, 1988<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][lab_button title=&#8221;Comentar&#8221; type=&#8221;standard&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Foutraseconomias.pt%2Foutrasec%2Fcomentarios%2F|target:_blank|rel:nofollow&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1730976140652{margin-bottom: 30px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;60px&#8221;][vc_custom_heading text=&#8221;Universidades, Agroecologia e Economia Solid\u00e1ria:&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1729532448638{margin-top: 30px !important;}&#8221;][vc_custom_heading text=&#8221;construindo ci\u00eancia a servi\u00e7o da Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional no Brasil&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1730897295881{margin-top: 0px !important;margin-bottom: 20px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Ana Maria Dubeux Gervais Universidade Federal Rural de Pernambuco, Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial (Brasil) Tempo aproximado de leitura: 22&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7381,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"h5ap_radio_sources":[],"footnotes":""},"portfolio_category":[239],"portfolio_tag":[],"class_list":["post-7379","portfolio","type-portfolio","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-revistan4"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/7379","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/types\/portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7379"}],"version-history":[{"count":59,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/7379\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10714,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/7379\/revisions\/10714"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7381"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7379"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=7379"},{"taxonomy":"portfolio_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tag?post=7379"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}