{"id":7905,"date":"2025-01-21T18:49:32","date_gmt":"2025-01-21T18:49:32","guid":{"rendered":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/?post_type=portfolio&#038;p=7905"},"modified":"2025-01-24T23:15:13","modified_gmt":"2025-01-24T23:15:13","slug":"nacao-cooperativa-identidade-e-historia-do-cooperativismo-em-portugal","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/nacao-cooperativa-identidade-e-historia-do-cooperativismo-em-portugal\/","title":{"rendered":"Na\u00e7\u00e3o Cooperativa \u2013 Identidade e Hist\u00f3ria do Cooperativismo em Portugal"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;Na\u00e7\u00e3o Cooperativa \u2013 Identidade e Hist\u00f3ria do Cooperativismo em Portugal&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1737485667729{margin-top: 60px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1737488988671{margin-top: 10px !important;}&#8221;]<strong>Jo\u00e3o Nunes, Cooperativa Ant\u00f3nio S\u00e9rgio para a Economia Social<\/strong><\/p>\n<p>Tempo aproximado de leitura: 10 minutos[\/vc_column_text][vc_custom_heading text=&#8221;Origem e Identidade Cooperativa&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%23D88B39&#8243; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1737759896803{margin-top: 10px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portugal corria, a meio do s\u00e9culo XIX, amarrado \u00e0 sua mais antiga alian\u00e7a. O apoio brit\u00e2nico nas duras invas\u00f5es napole\u00f3nicas que instigaram a fuga da coroa nacional para o Brasil e, logo depois, na conturbada guerra civil entre liberais e miguelistas, rapidamente passaria de aux\u00edlio a dom\u00ednio nas mais variadas esferas da ordem militar, pol\u00edtica e, claro est\u00e1, econ\u00f3mica. Por c\u00e1, os liberais sa\u00eddos vencedores da guerra procuravam, empurrados pelos empreendimentos em libra esterlina, mimetizar o desenvolvimento industrial brit\u00e2nico, abrindo caminho para a grande onda de liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio e acumula\u00e7\u00e3o de capital por parte de uma nova classe burguesa. Fazia-se avan\u00e7ar no pa\u00eds, com elevada dificuldade e depend\u00eancia decisiva da maquinaria e financiamento estrangeiro (maioritariamente dos benefici\u00e1rios ingleses), alguma ind\u00fastria t\u00eaxtil, metal\u00fargica e sider\u00fargica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, na na\u00e7\u00e3o aliada, o novo <span style=\"color: #d88b39;\"><a style=\"color: #d88b39;\" href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/sistema-economico-hegemonico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>modelo capitalista<\/strong><\/a><\/span> carburava a todo o vapor e, com ele, a proletariza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a trabalhadora sujeita \u00e0s condi\u00e7\u00f5es impostas pela classe burguesa detentora e acumuladora de capital. Acumulavam-\u00a0 -se, por isso, tamb\u00e9m as desigualdades e, para os trabalhadores, os problemas sociais, a precariedade, a vulnerabilidade \u00e0 explora\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m as resist\u00eancias. <strong>E o cooperativismo foi, crucialmente, o nascimento de uma dessas resist\u00eancias.<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ide\u00e1rio do movimento oper\u00e1rio era, \u00e0 \u00e9poca, difuso. Sindicalismo, anarquismo, socialismo nas suas profusas rela\u00e7\u00f5es e desejos revolucion\u00e1rios surgiam ainda sem fronteiras claras e definidas, mas consumavam-se na organiza\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria em greves, reivindica\u00e7\u00f5es por melhores condi\u00e7\u00f5es laborais, protestos de v\u00e1ria ordem e, ap\u00f3s o pioneirismo de 28 oper\u00e1rios t\u00eaxteis grevistas de Rochdale, tamb\u00e9m na constitui\u00e7\u00e3o de uma express\u00e3o e modelo econ\u00f3mico pr\u00f3prio e aut\u00f3nomo: a cooperativa autogerida pelos trabalhadores, independente do Estado e alternativa \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do modelo capitalista. A cria\u00e7\u00e3o em 1844 da cooperativa <span style=\"color: #d88b39;\"><a style=\"color: #d88b39;\" href=\"https:\/\/www.co-operativeheritage.coop\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>\u201cRochdale Equitable Pioneers Society Limited\u201d<\/strong><\/a><\/span> (no condado de Manchester, um dos grandes centros industriais da Gr\u00e3-Bretanha), e a express\u00e3o dos seus estatutos e princ\u00edpios cooperativos, ainda atuais, que inclu\u00edam, desde a livre ades\u00e3o, ao controlo democr\u00e1tico, educa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e devolu\u00e7\u00e3o de excedentes, foram o grande marco e advento do cooperativismo moderno.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1737720059424{margin-bottom: 60px !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_single_image image=&#8221;7909&#8243; img_size=&#8221;large&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1737488295710{margin-top: 10px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1737656032459{margin-top: -20px !important;}&#8221;]<span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Caixa Econ\u00f3mica Oper\u00e1ria<\/strong><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1737760225499{margin-bottom: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cooperativismo, esta resist\u00eancia ao capitalismo surgida no seu seio industrial, chegaria tamb\u00e9m a Portugal, que se inflava, parcamente, na c\u00f3pia do desenvolvimento capitalista. Tamb\u00e9m no setor t\u00eaxtil, e pouco mais de uma d\u00e9cada depois de Rochdale, a Fraternal dos Fabricantes de Tecidos e Artes Correlativas surge em Portugal como a primeira cooperativa moderna e a primeira face deste movimento que haveria de compelir ao seu reconhecimento legal. N\u00e3o \u00e9 acaso que, mundialmente, as duas leis primordiais de reconhecimento do cooperativismo tenham sido concebidas nestes dois pa\u00edses: a primeira, brit\u00e2nica; a segunda, portuguesa. A Lei Basilar, de 2 de Julho de 1867, em plena monarquia constitucional, atesta legalmente o cooperativismo e destaca os seus dois principais aspetos \u00e0 data: o associativismo e mutualismo dos seus membros, que se auto-organizam para satisfa\u00e7\u00e3o de fins comuns, mas tamb\u00e9m a multissetorialidade desses mesmos fins. E esta \u00faltima n\u00e3o de somenos import\u00e2ncia. A t\u00edtulo de exemplo, a Sociedade Cooperativa e Caixa Econ\u00f3mica do Porto, criada em 1871, abarcava o consumo, o cr\u00e9dito, a edifica\u00e7\u00e3o de casas para os s\u00f3cios, a aquisi\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas para as ind\u00fastrias dos s\u00f3cios, a comercializa\u00e7\u00e3o dos bens produzidos\u2026toda uma constru\u00e7\u00e3o m\u00fatua de alternativa, inicialmente radicada no operariado industrial e nas jovens resist\u00eancias urbanas, mas n\u00e3o por a\u00ed ficando, logo florescendo para o meio rural, com a sucessiva cria\u00e7\u00e3o de cooperativas agr\u00edcolas e de cr\u00e9dito agr\u00edcola com significativa express\u00e3o em Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A identidade cooperativa \u00e9 assim, desde o ber\u00e7o, n\u00e3o apenas uma forma empresarial distinta, de organiza\u00e7\u00e3o singular e prop\u00edcia a resolu\u00e7\u00f5es ou produ\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. <strong>N\u00e3o apenas a hip\u00f3tese de uma outra forma de empresa. Mas sim uma express\u00e3o oper\u00e1ria de constru\u00e7\u00e3o coletiva de um modelo de produ\u00e7\u00e3o, trabalho, consumo e, em suma, viv\u00eancia, alternativo ao capitalismo e baseado na associa\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o m\u00fatua, livre e independente.<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;A Rep\u00fablica e o Desenvolvimento do Ide\u00e1rio Cooperativista&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%23D88B39&#8243; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1737760246828{margin-bottom: 20px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1737489009456{margin-top: 10px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A premissa e express\u00e3o pol\u00edtica das cooperativas fazia-se representar na participa\u00e7\u00e3o em alguns dos primeiros congressos e com\u00edcios do movimento oper\u00e1rio portugu\u00eas. Expandia-se, nos jornais e a\u00e7\u00f5es de propaganda, lado a lado com as ideias socialistas de inspira\u00e7\u00e3o europeia. Por vezes, esta aproxima\u00e7\u00e3o levaria ao desenraizamento da figura central da cooperativa para outras formas de organiza\u00e7\u00e3o \u2013 das mais orientadas \u00e0 luta pol\u00edtica at\u00e9 \u00e0s mais diversas transforma\u00e7\u00f5es em entidades de fins igualmente mutual\u00edsticos como associa\u00e7\u00f5es, mutualidades e outras express\u00f5es do que hoje chamar\u00edamos de Economia Social, partilhando ra\u00edzes e princ\u00edpios com o movimento cooperativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda esta pluralidade veio a atingir maiores expoentes na ascens\u00e3o do republicanismo. A Primeira Rep\u00fablica veio tornar-se um campo de maior liberdade sindical, fortalecendo em consequ\u00eancia o crescimento do cooperativismo, verificando-se a eclos\u00e3o de cerca de tr\u00eas centenas de novas cooperativas e at\u00e9 uma federa\u00e7\u00e3o. Era, no entanto, tamb\u00e9m um terreno de elevada instabilidade (afinal, tal caracterizava a Rep\u00fablica em todos os seus dom\u00ednios), onde muitas das novas cooperativas n\u00e3o chegariam a alcan\u00e7ar a durabilidade e impactos desejados, enfrentando elevadas dificuldades, sobretudo a n\u00edvel financeiro.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1737720161712{margin-top: 30px !important;margin-bottom: 30px !important;}&#8221;][vc_column][vc_single_image image=&#8221;7907&#8243; img_size=&#8221;large&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1737720199909{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1737720215071{margin-bottom: 60px !important;}&#8221;][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1737760266231{margin-bottom: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As fronteiras ideol\u00f3gicas ficariam, tamb\u00e9m neste per\u00edodo, cada vez mais cerradas. Ora demasiado compatibilista e desfocado da luta de classes para os socialistas revolucion\u00e1rios, ora demasiado independente para o centralismo republicano, surgia a clara necessidade do cooperativismo se autoidentificar ideologicamente sob pena de se encurralar nas aguerridas disputas pol\u00edticas da \u00e9poca. Assim j\u00e1 se pensava na Europa, muito em especial em Fran\u00e7a. A Escola de N\u00eemes, liderada por Charles Gide pensava numa \u201cRep\u00fablica Cooperativa\u201d como uma outra via face ao capitalismo ou ao socialismo estatal, colocada basilarmente no caminho para a elimina\u00e7\u00e3o do lucro, visto como meio central de explora\u00e7\u00e3o. Outros nomes gauleses como Bernard Laverge ou Ernest Poisson consubstanciaram esta ordem ideol\u00f3gica cooperativa, focando-a em princ\u00edpios de descentraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e gest\u00e3o democr\u00e1tica. E Fauquet, que acrescentava o setor cooperativo como diferenciado dentro dos setores econ\u00f3micos existentes na sociedade francesa, mas tamb\u00e9m portuguesa, para onde olhou com grande destaque, influenciando crucialmente o maior nome portugu\u00eas do cooperativismo: <strong>Ant\u00f3nio S\u00e9rgio<\/strong>.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;Do Estado Novo \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%23D88B39&#8243; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1737720229752{margin-bottom: 60px !important;}&#8221;][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1737760301023{margin-top: 20px !important;margin-bottom: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ant\u00f3nio S\u00e9rgio, destacado pensador, pedagogo e soci\u00f3logo, chegou a ter, durante dois breves meses, a pasta ministerial da Instru\u00e7\u00e3o durante a primeira rep\u00fablica. Mas foi j\u00e1 durante o Estado Novo, entre ex\u00edlios for\u00e7ados pela sua posi\u00e7\u00e3o antifascista, que teve o contacto com o expansivo ide\u00e1rio cooperativista. Inspirado pelos contempor\u00e2neos franceses, via a expans\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o intelectual e moral deste setor econ\u00f3mico diferenciado, o setor cooperativo, como o caminho para, ora coligado \u00e0s pequenas unidades econ\u00f3micas ora com algum papel meramente auxiliar p\u00fablico, vencer o setor capitalista. <strong>O objetivo dos\/das cooperativistas, defendia, seria o fomento da \u201cNa\u00e7\u00e3o Cooperativa\u201d, onde o setor cooperativo fosse parte t\u00e3o intr\u00ednseca ao corpo e \u00e0 mentalidade do tecido social, que se governaria livremente a si mesmo, libertando-se quer de qualquer cariz explorat\u00f3rio quer estatizante. Era atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o \u2013 uma educa\u00e7\u00e3o cooperativa \u2013 que pensava ser poss\u00edvel a transforma\u00e7\u00e3o social verdadeira, e um panorama pol\u00edtico pleno de liberdade e justi\u00e7a social sem recorrer ao autoritarismo<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sonho da Na\u00e7\u00e3o Cooperativa seria, no entanto, cada vez mais enviado para as sombras, tendo o seu grande pensador exilado. O Estado Novo rompeu o movimento cooperativo nacional, combatendo e ilegalizando as suas liga\u00e7\u00f5es sindicais e democr\u00e1ticas, e integrando-as regulamentarmente dentro das Corpora\u00e7\u00f5es Nacionais, sob supervis\u00e3o e controlo direto do regime salazarista, garantia da aus\u00eancia de resist\u00eancia pol\u00edtica ou cariz \u201cperigoso\u201d para a ditadura.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_custom_heading text=&#8221;A Na\u00e7\u00e3o Cooperativa&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%23D88B39&#8243; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1737760317758{margin-bottom: 20px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ant\u00f3nio S\u00e9rgio, entre ex\u00edlios e penosos per\u00edodos de pris\u00e3o pol\u00edtica, procurava, ainda que manietado pela opress\u00e3o do Estado, organizar a intercoopera\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de conselhos de cooperativas. Para vencer, assim o pensava, o setor cooperativo deveria estar organizado em rede, interligado entre si. Chegou a ser presidente do \u00abConselho Central das Cooperativas de Lisboa e Arredores\u00bb e a organizar um <span style=\"color: #d88b39;\"><a style=\"color: #d88b39;\" href=\"https:\/\/cases.pt\/boletim-cooperativista-comentado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>\u201cBoletim Cooperativista\u201d<\/strong><\/a><\/span> onde n\u00e3o desistia da pedagogia por via da coopera\u00e7\u00e3o. No seu primeiro n\u00famero, al\u00e9m da defesa de legisla\u00e7\u00e3o e aux\u00edlios financeiros \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de cooperativas, \u00e9 inequ\u00edvoco no seu vital objetivo: \u201cCriar no pa\u00eds uma verdadeira consci\u00eancia cooperativista, que encare o cooperativismo integral como um fim no dom\u00ednio da economia, isto \u00e9, no da produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o da riqueza, repelindo qualquer intuito de fazer das cooperativas instrumentos desses instrumentos\u2026\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da resist\u00eancia antifascista de muitos, o Estado Novo n\u00e3o permitiu o avan\u00e7ar desta transforma\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, cortou-lhe as pernas, restringindo a sua relev\u00e2ncia e espa\u00e7o para associativismo significativo. Apenas algumas cooperativas agr\u00edcolas, alinhadas ao plano r\u00fastico de Salazar para a economia nacional, iam oferecendo algum desenvolvimento dentro do setor. S\u00f3 a Revolu\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica permitiu uma nova explos\u00e3o no movimento cooperativo. De menos de mil cooperativas existentes em todo o pa\u00eds, mais de metade agr\u00edcolas, o n\u00famero quadruplicou no per\u00edodo revolucion\u00e1rio (Jo\u00e3o Salazar Leite, 2011). Se exatamente como Ant\u00f3nio S\u00e9rgio o imaginara? Dir\u00edamos que muitas vezes sim e por outras menos, quanto mais instrumentalizada e n\u00e3o encarada como fim pr\u00f3prio fosse a vis\u00e3o do cooperativismo. No entanto, desde a participa\u00e7\u00e3o de cooperativas e do ide\u00e1rio cooperativo na enorme reconstru\u00e7\u00e3o urbana proporcionada pelo Servi\u00e7o de Apoio Ambulat\u00f3rio Local (SAAL), passando pela base social e autogestion\u00e1ria da reforma agr\u00e1ria e da cria\u00e7\u00e3o de diversas cooperativas de \u00e2mbito industrial, com forte apoio institucional das for\u00e7as revolucion\u00e1rias, o Processo Revolucion\u00e1rio em Curso (PREC) foi o salto para a ribalta das reais possibilidades desta express\u00e3o da transforma\u00e7\u00e3o social, cujas esperan\u00e7as se foram a passo esvaindo com as reformas pol\u00edticas e econ\u00f3micas p\u00f3s-76. Por\u00e9m, a <span style=\"color: #d88b39;\"><strong><a style=\"color: #d88b39;\" href=\"https:\/\/www.parlamento.pt\/parlamento\/documents\/crp1976.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Portuguesa de 1976<\/a><\/strong><\/span> firmaria, postumamente a Ant\u00f3nio S\u00e9rgio, a abertura para uma das suas doutrinas \u2013 <strong>a identifica\u00e7\u00e3o de um setor cooperativo <\/strong>(e social), com regime de propriedade legitimado e diferenciado face ao p\u00fablico e ao privado, e a defesa do<strong> dever estatal de o proteger e fomentar a sua associa\u00e7\u00e3o, meios e desenvolvimento<\/strong>.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_single_image image=&#8221;7908&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; onclick=&#8221;link_image&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1737720269814{margin-top: 50px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1737720345991{margin-bottom: 60px !important;}&#8221;][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1737760342286{margin-bottom: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 ineg\u00e1vel a import\u00e2ncia do amparo constitucional que 1976 deu ao cooperativismo, como do seu solidificar pelo <span style=\"color: #d88b39;\"><a style=\"color: #d88b39;\" href=\"https:\/\/cases.pt\/codigo-cooperativo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>C\u00f3digo Cooperativo<\/strong><\/a><\/span> que viria a ser criado anos depois, \u00e0 semelhan\u00e7a dos progressivos desenvolvimentos que incorporariam a constru\u00e7\u00e3o de federa\u00e7\u00f5es de cooperativas e a defini\u00e7\u00e3o legal, em 2013, das bases de um setor da Economia Social mais alargado (mas tamb\u00e9m menos criterioso e focado) que representa hoje uma parte n\u00e3o negligenci\u00e1vel do contributo para a economia e vida nacionais. N\u00e3o obstante, atualmente, segundo os dados mais recentes da <span style=\"color: #d88b39;\"><strong><a style=\"color: #d88b39;\" href=\"https:\/\/cases.pt\/contasatelitedaes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conta Sat\u00e9lite da Economia Social<\/a><\/strong><\/span> (INE\/CASES) existem cerca de 2150 cooperativas, menos do que em 2010, certamente menos do que no p\u00f3s-25 de Abril. Grande parte das subsistentes, sejamos francos, opera ramificada e menos polivalente do que a sua identidade, ra\u00edzes e princ\u00edpios cooperativos j\u00e1 elencados que as poderiam capacitar. Menos capazes de criar viv\u00eancias pr\u00f3prias e completas de forma associativa, dificilmente se distanciando t\u00e3o significativamente do sistema comercial de tamanho dom\u00ednio e hegemonia que vigora \u00e0 sua volta. A educa\u00e7\u00e3o cooperativa \u00e9, igualmente, pouco mais que uma miragem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passados quase cinquenta anos da Constitui\u00e7\u00e3o de 1976 e cem do idealismo de Ant\u00f3nio S\u00e9rgio, teremos de nos perguntar: Quem se esqueceu da Na\u00e7\u00e3o Cooperativa? Mas tamb\u00e9m, e talvez de forma mais eminente, quem ainda pode sonhar com ela. Vivemos numa composi\u00e7\u00e3o social de um Estado fragilizado, de hegemonia individualista (quando n\u00e3o obscurantista) e desigual na viv\u00eancia econ\u00f3mica (entre tantas outras). Num combo de rarefeitas resist\u00eancias poss\u00edveis, antigas utopias abaladas e decis\u00f5es distantes da gest\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No 3.\u00ba Boletim Cooperativista, Ant\u00f3nio S\u00e9rgio elabora e engenha sobre a cr\u00edtica no cooperativismo. \u201cDeve sempre coincidir com o auxiliar \u2013 aux\u00edlio em pura atitude de fraternidade: com calma; com bom humor; com sorriso\u201d. Ser\u00e3o essencialmente estas as ferramentas das quais ainda nos resta a posse efetiva: <strong>a cr\u00edtica e a fraternidade<\/strong> pelo comum \u2013 ambas essenciais, aquilo que nos faz transformar o que nos rodeia cooperando com o outro. S\u00e3o estas, igualmente, as bases inscritas na identidade da imaginada <strong>Na\u00e7\u00e3o Cooperativa \u2013 a cr\u00edtica e resistente constru\u00e7\u00e3o coletiva de viv\u00eancia numa sociedade m\u00fatua, livre e independente<\/strong>.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%23D88B39&#8243; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1737760353698{margin-top: 10px !important;margin-bottom: 20px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1737487932910{margin-top: 10px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e9rgio, Ant\u00f3nio (1955). Boletim Cooperativista. Obtido de CASES, \u201cBoletim Cooperativista Comentado\u201d (2012)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leite, Jo\u00e3o Salazar (2011). Passado e presente do cooperativismo portugu\u00eas. Regime jur\u00eddico CIRIEC. CASES.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE) &amp; Cooperativa Ant\u00f3nio S\u00e9rgio para a Economia Social (CASES). (2023). Conta sat\u00e9lite da economia social: Resultados de 2020 e 2010.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_custom_heading text=&#8221;Para saber mais&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%23D88B39&#8243; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1737760368356{margin-bottom: 20px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1737489039033{margin-top: 10px !important;}&#8221;]<span style=\"color: #d88b39;\"><a style=\"color: #d88b39;\" href=\"https:\/\/cases.pt\/sobre-nos\/antonio-sergio\/obra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Obra de Ant\u00f3nio S\u00e9rgio<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cdiantoniosergio.cases.pt\/nyron\/Library\/catalog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #d88b39;\">Centro de Documenta\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o Ant\u00f3nio S\u00e9rgio<\/span><\/strong><\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][lab_button title=&#8221;Comentar&#8221; type=&#8221;standard&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Foutraseconomias.pt%2Foutrasec%2Fcontactos%2F|target:_blank&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1737488519146{margin-top: 20px !important;margin-bottom: 10px !important;}&#8221;][vc_empty_space height=&#8221;180&#8243;][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;Na\u00e7\u00e3o Cooperativa \u2013 Identidade e Hist\u00f3ria do Cooperativismo em Portugal&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1737485667729{margin-top: 60px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1737488988671{margin-top: 10px !important;}&#8221;]Jo\u00e3o Nunes, Cooperativa Ant\u00f3nio S\u00e9rgio para a Economia Social Tempo aproximado de leitura: 10 minutos[\/vc_column_text][vc_custom_heading text=&#8221;Origem e Identidade Cooperativa&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%23D88B39&#8243; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1737759896803{margin-top: 10px !important;}&#8221;] Portugal corria, a meio do s\u00e9culo XIX, amarrado \u00e0 sua mais antiga&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7908,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"h5ap_radio_sources":[],"footnotes":""},"portfolio_category":[268],"portfolio_tag":[],"class_list":["post-7905","portfolio","type-portfolio","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-revistan5"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/7905","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/types\/portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7905"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/7905\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8175,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/7905\/revisions\/8175"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7908"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7905"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=7905"},{"taxonomy":"portfolio_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tag?post=7905"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}