{"id":8560,"date":"2025-05-30T16:25:30","date_gmt":"2025-05-30T16:25:30","guid":{"rendered":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/?post_type=portfolio&#038;p=8560"},"modified":"2025-06-03T13:40:05","modified_gmt":"2025-06-03T13:40:05","slug":"do-liberalismo-ao-neoprotecionismo-comercial","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/do-liberalismo-ao-neoprotecionismo-comercial\/","title":{"rendered":"Do Liberalismo ao Neoprotecionismo Comercial"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Do Liberalismo ao Neoprotecionismo Comercial&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%23D88B39&#8243; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1748622426112{margin-top: 40px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1748880810260{margin-top: 10px !important;}&#8221;]<strong>Lu\u00eds Mah, ISCTE-Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa, CEI-Iscte<\/strong><\/p>\n<p>Tempo aproximado de leitura: 14 minutos[\/vc_column_text][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O regime que regula atualmente as trocas comerciais emerge logo ap\u00f3s 1945 no final da Segunda Guerra Mundial e tem tido tr\u00eas grandes objetivos: reduzir o protecionismo fruto de regula\u00e7\u00f5es nacionais, reduzir a incerteza e a imprevisibilidade das rela\u00e7\u00f5es comerciais internacionais e promover a estabilidade das transa\u00e7\u00f5es comerciais internacionais. O protecionismo, em particular, \u00e9 uma pr\u00e1tica econ\u00f3mica que consiste em proteger os produtos ou servi\u00e7os de um pa\u00eds contra a concorr\u00eancia estrangeira. Para isso, usam-se tarifas (direitos aduaneiros sobre as importa\u00e7\u00f5es) ou as n\u00e3o-tarifas como a proibi\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, quotas \u00e0s importa\u00e7\u00f5es, a discrimina\u00e7\u00e3o fiscal, subven\u00e7\u00f5es estatais aos produtores, normas t\u00e9cnicas ou sanit\u00e1rias aplicadas aos produtos importados, a discrimina\u00e7\u00e3o nos contratos p\u00fablicos e o controlo cambial e movimentos de capitais. A ideia \u00e9 simples: se for mais dif\u00edcil ou caro importar, os e as consumidoras acabam por favorecer os produtos nacionais, ajudando a manter empregos e empresas dentro do pa\u00eds.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_single_image image=&#8221;8563&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1748625186867{margin-top: -20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d88b39;\"><strong>Mercadores em Storck Harbour<\/strong><\/span>, por Abraham Storck<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Do Mercantilismo ao Liberalismo Comercial&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1748622711647{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Europa, entre os s\u00e9culos XVI e XVIII, o mercantilismo consolidou o protecionismo como doutrina dominante. Acreditava-se que a riqueza de um pa\u00eds dependia da quantidade de metais preciosos que acumulava. Como esses metais vinham do com\u00e9rcio, a l\u00f3gica era simples: exportar mais do que se importava. Governos impunham tarifas sobre importa\u00e7\u00f5es, subsidiavam produtores nacionais, controlavam col\u00f3nias e impunham monop\u00f3lios comerciais. Esta pol\u00edtica esteve intimamente ligada \u00e0 expans\u00e3o colonial e \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o do poder dos Estados europeus.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #d88b39;\"><sup><span style=\"color: #02658f;\">1<\/span>&nbsp; <\/sup><\/span><\/strong>Smith, Adam (2010), A Riqueza das Na\u00e7\u00f5es vols.1 e 2 (Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian: Lisboa)<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #d88b39;\"><sup><span style=\"color: #02658f;\">2<\/span>&nbsp; <\/sup><\/span><\/strong>List, Friedrich (2006), O Sistema Nacional de Economia Pol\u00edtica (Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian: Lisboa)<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #d88b39;\"><sup><span style=\"color: #02658f;\">3<\/span>&nbsp; <\/sup><\/span><\/strong>Chang, Ha-joon (2002), Kicking Away The Ladder: Development Strategy In Historical Perspective (Anthem Press: London)<\/span><\/span><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a partir da metade do s\u00e9culo XVIII, o mercantilismo come\u00e7a a ser criticado por pensadores como Adam Smith na sua obra <em>A Riqueza das Na\u00e7\u00f5es<\/em> (1776)<sup>1<\/sup>. Para Smith, o com\u00e9rcio livre beneficiaria mutuamente os pa\u00edses ao permitir que cada um deles se especializasse na produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o do que melhor produzia. Foi o in\u00edcio da defesa liberal ao com\u00e9rcio livre como pol\u00edtica comercial e econ\u00f3mica. Depois de d\u00e9cadas a proteger a sua agricultura com um conjunto de leis que acabaram por ser abolidas em 1846, a principal pot\u00eancia econ\u00f3mica da altura, a Gr\u00e3-Bretanha decidiu adotar o com\u00e9rcio livre. Mas s\u00f3 depois de consolidar a sua Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e a sua lideran\u00e7a mundial na manufatura. Outros pa\u00edses seguiram caminho diferente. Os Estados Unidos, a Alemanha ou o Jap\u00e3o usaram o protecionismo estrat\u00e9gico para desenvolver a sua ind\u00fastria nascente. O economista alem\u00e3o Friedrich List argumentou que os pa\u00edses em desenvolvimento precisavam de prote\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria para poder competir futuramente em p\u00e9 de igualdade com os mais avan\u00e7ados<sup>2<\/sup>. Esta evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica \u00e9 relevante porque revela que os pa\u00edses que hoje s\u00e3o ricos e que t\u00eam promovido o com\u00e9rcio livre, recorreram ao protecionismo para chegarem \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o atual. Como observa Ha-Joon Chang (2002), \u201cos pa\u00edses desenvolvidos deram um pontap\u00e9 na escada\u201d \u2014 ou seja, subiram-na com protecionismo e depois retiraram-na para os outros<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a crise financeira de 1929, o protecionismo voltou em for\u00e7a. A Lei Smoot-Hawley, nos EUA, elevou as tarifas sobre milhares de produtos, gerando uma onda de retalia\u00e7\u00f5es e agravando a crise mundial e \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o da economia internacional em blocos protecionistas. Durante a Segunda Guerra Mundial, a autossufici\u00eancia tornou-se prioridade com as economias de guerra a centrarem-se na produ\u00e7\u00e3o interna, muitas vezes com r\u00edgido controlo estatal. Com o fim da guerra, o estabelecimento em 1947 do Acordo Geral de Tarifas e Com\u00e9rcio (mais conhecido pela sigla inglesa GATT) procurando estimular as transa\u00e7\u00f5es comerciais foi visto como sendo essencial para ajudar a redinamizar a economia mundial. Em 1995, o GATT \u00e9 substitu\u00eddo pela <span style=\"color: #02658f;\"><a style=\"color: #02658f;\" href=\"https:\/\/www.wto.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio<\/strong><\/a><\/span> (OMC), transformando a organiza\u00e7\u00e3o que funcionava essencialmente de forma informal e <em>ad hoc<\/em> numa institui\u00e7\u00e3o internacional com personalidade jur\u00eddica e com o seu pr\u00f3prio sistema judicial destinado a gerir de forma pac\u00edfica potenciais conflitos comerciais.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um princ\u00edpio geral e cinco espec\u00edficos t\u00eam guiado o GATT e agora a OMC. O princ\u00edpio geral procura respeitar um regime de com\u00e9rcio mundial que se norteia por um conjunto de regras e n\u00e3o pelo alcance de resultados. Ou seja, a OMC dedica-se a desenhar, implementar, melhorar e fazer respeitar procedimentos, regras e orienta\u00e7\u00f5es em vez de chegar a um acordo sobre o volume de exporta\u00e7\u00f5es, importa\u00e7\u00f5es ou quotas de mercado. Os cinco princ\u00edpios espec\u00edficos s\u00e3o os seguintes: (1) <strong>n\u00e3o-discrimina\u00e7\u00e3o<\/strong>, i.e., qualquer tarifa deve ser aplicada igualmente a todos os membros da OMC e quaisquer taxas e regula\u00e7\u00f5es aplicadas a produtos importados devem tamb\u00e9m ser aplicadas a produtos dom\u00e9sticos; (2) a <strong>transpar\u00eancia<\/strong> que facilita a liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio e reduz conflitos quanto mais p\u00fablicas forem as pol\u00edticas comerciais; (3) a <strong>reciprocidade<\/strong> porque quando os pa\u00edses removem barreiras a importa\u00e7\u00f5es ou retaliam comercialmente podem receber uma resposta no mesmo sentido por parte dos outros pa\u00edses; (4) <strong>flexibilidade ou \u201cv\u00e1lvulas de seguran\u00e7a\u201d<\/strong> ou a possibilidade de medidas de exce\u00e7\u00e3o como imposi\u00e7\u00e3o de barreiras comerciais justificadas como de \u201cinteresses nacional\u201d em troca de compensa\u00e7\u00f5es; e (5) a <strong>decis\u00e3o consensual<\/strong>. Estes princ\u00edpios levaram a uma redu\u00e7\u00e3o significativa das tarifas nas transa\u00e7\u00f5es comerciais negociadas em v\u00e1rias rondas comerciais e que teve como efeito um crescimento do com\u00e9rcio internacional a um ritmo sem precedentes<sup>4<\/sup>.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #d88b39;\"><sup><span style=\"color: #02658f;\">4<\/span>&nbsp; <\/sup><\/span><\/strong>Baldwin, Richard (2016), <span style=\"color: #02658f;\"><a style=\"color: #02658f;\" href=\"https:\/\/www.aeaweb.org\/articles?id=10.1257\/jep.30.1.95\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>The World Trade Organization and the future of multilateralism<\/strong><\/a><\/span>. Journal of Economic Perspectives, 30(1), 95-116.<\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;8569&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, apesar dos princ\u00edpios democr\u00e1ticos subjacentes ao processo institucional da OMC, ou seja, um pa\u00eds, um voto, nem todos os pa\u00edses t\u00eam automaticamente poder para fazer ouvir a sua voz e os seus interesses comerciais. A dimens\u00e3o do mercado e a qualidade da representa\u00e7\u00e3o em Genebra determina a influ\u00eancia do pa\u00eds no funcionamento da OMC. Na organiza\u00e7\u00e3o, a agenda \u00e9 definida pelos membros que s\u00e3o os principais motores da atividade da OMC e n\u00e3o pelo secretariado. Assim aqueles que t\u00eam uma representa\u00e7\u00e3o forte \u2013 em n\u00famero e qualidade \u2013 e um mercado importante podem determinar a agenda e o seu rumo. Por exemplo, situa\u00e7\u00f5es de lit\u00edgio comercial podem acarretar altos custos processuais que acabam por desencorajar principalmente os pa\u00edses mais pobres e com representa\u00e7\u00f5es mais fr\u00e1geis na OMC. E \u00e9 muito dif\u00edcil for\u00e7ar os pa\u00edses mais poderosos economicamente a implementar uma decis\u00e3o da OMC caso n\u00e3o concordem com os termos.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Da Globaliza\u00e7\u00e3o Comercial ao Neoprotecionismo&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1748623818994{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crescente globaliza\u00e7\u00e3o comercial proporcionada pela redu\u00e7\u00e3o das tarifas, mas tamb\u00e9m pela liberaliza\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o de capitais e pela r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o de custos associados \u00e0s tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o e aos meios de transporte\/log\u00edstica tiveram como efeito ajudar \u00e0 reorganiza\u00e7\u00e3o internacional do investimento e da produ\u00e7\u00e3o. O novo contexto permitiu \u00e0s empresas multinacionais a possibilidade repensarem a localiza\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o da sua produ\u00e7\u00e3o, criando cadeias produtivas espalhadas por v\u00e1rios pa\u00edses em desenvolvimento, aproveitando os custos mais baixos da m\u00e3o-de-obra e novos mercados abertos de consumidores. Assim, de um modelo integral de produ\u00e7\u00e3o num local espec\u00edfico passamos a assistir nas \u00faltimas d\u00e9cadas \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o por v\u00e1rias geografias.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_single_image image=&#8221;8561&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1748624338355{margin-top: -20px !important;}&#8221;]<strong><span style=\"color: #d88b39;\">Mercado em R\u00e2mnicu V\u00e2lcea<\/span><\/strong>, por Amedeo Preziosi[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, e ao contr\u00e1rio do que tem sido promovido por institui\u00e7\u00f5es multilaterais como o <span style=\"color: #02658f;\"><a style=\"color: #02658f;\" href=\"https:\/\/www.worldbank.org\/ext\/en\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Banco Mundial<\/strong><\/a><\/span> ou o <a href=\"https:\/\/www.imf.org\/en\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #02658f;\"><strong>Fundo Monet\u00e1rio Internacional<\/strong><\/span><\/a> ou mesmo por lideran\u00e7as pol\u00edticas e econ\u00f3micas norte-americanas e europeias desde o final dos anos 1980s, a liberaliza\u00e7\u00e3o comercial n\u00e3o tem beneficiado todas as pessoas por igual. Muitos setores industriais nos pa\u00edses ricos entraram em decl\u00ednio face \u00e0 deslocaliza\u00e7\u00e3o ou \u00e0 competi\u00e7\u00e3o de novas economias emergentes, enquanto trabalhadores\/as em pa\u00edses em desenvolvimento continuam a enfrentar condi\u00e7\u00f5es laborais dif\u00edceis. A ascens\u00e3o da China como principal pot\u00eancia industrial respons\u00e1vel e exportadora mundial veio intensificar ainda mais as tens\u00f5es comerciais. Como membro da OMC, o com\u00e9rcio externo tem sido crucial para o seu crescimento e desenvolvimento ao mesmo tempo que o Estado chin\u00eas tem apoiado e protegido setores econ\u00f3micos considerados estrat\u00e9gicos. Esta situa\u00e7\u00e3o tem-se tornado ainda mais evidente com a lideran\u00e7a chinesa na \u201c<strong><span style=\"color: #02658f;\"><a style=\"color: #02658f;\" href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/desconstruindo-a-transicao-energetica-do-capitalismo-verde\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">transi\u00e7\u00e3o verde<\/a><\/span><\/strong>\u201d (baterias el\u00e9tricas, carros el\u00e9tricos, pain\u00e9is solares) ou na transi\u00e7\u00e3o digital (Intelig\u00eancia Artificial).<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta mais recente por parte dos pa\u00edses mais ricos \u00e9 um tipo de <strong>neoprotecionismo<\/strong>. Os EUA s\u00e3o o melhor caso com a imposi\u00e7\u00e3o de tarifas sobre produtos chineses, restri\u00e7\u00f5es \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas para a China e incentivos \u00e0 produ\u00e7\u00e3o interna iniciada na primeira administra\u00e7\u00e3o Trump, continuada por Joe Biden e retomada pela atual e segunda administra\u00e7\u00e3o Trump. No entanto, o neoprotecionismo assume hoje formas mais subtis. Em vez das tarifas t\u00eam recorrido mais \u00e0s n\u00e3o-tarifas como as normas ambientais (protecionismo verde), restri\u00e7\u00f5es nas exporta\u00e7\u00f5es\/importa\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas (por seguran\u00e7a ou soberania digital) ou regras sanit\u00e1rias exigentes. Se estas medidas podem ser justificadas com a necessidade de proteger o ambiente, a sa\u00fade p\u00fablica ou a seguran\u00e7a, tamb\u00e9m podem ser usadas como desculpa para proteger interesses econ\u00f3micos nacionais. Para os pa\u00edses mais pobres, isso representa um novo desafio: cumprirem ou sujeitarem-se a normas exigentes sem os mesmos recursos ou capacidades que os pa\u00edses mais ricos.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Conclus\u00e3o&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1748624111972{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do com\u00e9rcio livre e do protecionismo mostra que n\u00e3o existe uma pol\u00edtica \u00fanica para as transa\u00e7\u00f5es comerciais. Se em certos contextos, \u00e9 fundamental proteger setores estrat\u00e9gicos por m\u00faltiplas raz\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f3micas, sociais ou culturais, noutros contextos, o protecionismo levado ao extremo pode gerar inefici\u00eancias, tornar a vida das popula\u00e7\u00f5es mais dif\u00edceis ao encarecer produtos essenciais que t\u00eam de ser importados e mesmo acabar por dificultar o progresso. O debate entre com\u00e9rcio livre e protecionismo \u00e9 talvez acima de tudo uma <strong>quest\u00e3o de poder<\/strong>: quem define as regras? Quem tem for\u00e7a para imp\u00f4-las? Quem ganha ou perde com uma ou outra pol\u00edtica comercial? Talvez o verdadeiro desafio seja construir regras de com\u00e9rcio que sejam capazes de criar a ponte entre a justi\u00e7a social e efici\u00eancia, entre desenvolvimento inclusivo, participativo e sustentabilidade, entre soberania nacional e coopera\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Para saber mais&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1748865691820{margin-top: 20px !important;}&#8221;]Chang, H.-J. (2013), As Na\u00e7\u00f5es Hip\u00f3critas: Os segredos inc\u00f3modos dos pa\u00edses ricos e os mitos que amea\u00e7am a prosperidade global (Clube do Autor: Lisboa)<\/p>\n<p><span style=\"color: #02658f;\"><a style=\"color: #02658f;\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=U6qExkIlHsM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Como funciona o com\u00e9rcio internacional?<\/strong><\/a><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][lab_button title=&#8221;Comentar&#8221; type=&#8221;standard&#8221; link=&#8221;url:%20https%3A%2F%2Foutraseconomias.pt%2Foutrasec%2Fcontactos%2F|target:_blank&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;180&#8243;][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Do Liberalismo ao Neoprotecionismo Comercial&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%23D88B39&#8243; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1748622426112{margin-top: 40px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1748880810260{margin-top: 10px !important;}&#8221;]Lu\u00eds Mah, ISCTE-Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa, CEI-Iscte Tempo aproximado de leitura: 14 minutos[\/vc_column_text][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] O regime que regula atualmente as trocas comerciais emerge logo ap\u00f3s 1945 no final da Segunda Guerra Mundial e tem tido tr\u00eas grandes objetivos: reduzir o protecionismo&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8561,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"h5ap_radio_sources":[],"footnotes":""},"portfolio_category":[276],"portfolio_tag":[],"class_list":["post-8560","portfolio","type-portfolio","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-revista-no6"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/8560","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/types\/portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8560"}],"version-history":[{"count":21,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/8560\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8754,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/8560\/revisions\/8754"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8561"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8560"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=8560"},{"taxonomy":"portfolio_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tag?post=8560"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}