{"id":8611,"date":"2025-06-02T13:46:22","date_gmt":"2025-06-02T13:46:22","guid":{"rendered":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/?post_type=portfolio&#038;p=8611"},"modified":"2025-06-11T10:22:47","modified_gmt":"2025-06-11T10:22:47","slug":"resistencia-aos-acordos-de-comercio-livre-a-experiencia-do-equador","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/resistencia-aos-acordos-de-comercio-livre-a-experiencia-do-equador\/","title":{"rendered":"Resist\u00eancia aos acordos de com\u00e9rcio livre: a experi\u00eancia do Equador"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Resist\u00eancia aos acordos de com\u00e9rcio livre: a experi\u00eancia do Equador&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%23D88B39&#8243; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1748872152221{margin-top: 40px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1749637360594{margin-top: 10px !important;margin-bottom: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma conversa entre <strong>Francisco Venes<\/strong>, ecologista pol\u00edtico,<strong> CIDAC<\/strong> e <strong>Benjam\u00edn Macas<\/strong>, membro da Confedera\u00e7\u00e3o Camponesa Agroecol\u00f3gica do Equador (CCAE), promotora da agro-ecologia e da soberania alimentar no pa\u00eds. Integrou o Conselho Pol\u00edtico do <span style=\"color: #02658f;\"><a style=\"color: #02658f;\" href=\"https:\/\/maelacontinental.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Movimento Agroecol\u00f3gico da Am\u00e9rica Latina e do Caribe (MAELA)<\/strong><\/a><\/span>, rede que articula os pa\u00edses da regi\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o de tecido social, partilha de experi\u00eancias e de uma agenda de luta comum pela soberania alimentar, incluindo a resist\u00eancia aos Tratados de Com\u00e9rcio Livre (TCLs).<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_single_image image=&#8221;8610&#8243; img_size=&#8221;large&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1748874124270{margin-top: -40px !important;margin-bottom: 20px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1748961606101{margin-top: -10px !important;margin-bottom: 20px !important;padding-top: 20px !important;padding-right: 20px !important;padding-bottom: 20px !important;padding-left: 20px !important;background-color: #E5E5E5 !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pe\u00e7a que se segue \u00e9 uma edi\u00e7\u00e3o da entrevista (<strong><span style=\"color: #02658f;\"><a style=\"color: #02658f;\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=uwfowZUvxdQ&amp;feature=youtu.be\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui a vers\u00e3o integral<\/a><\/span><\/strong>) com Benjam\u00edn Macas, em formato h\u00edbrido, que combina transcri\u00e7\u00e3o de texto com v\u00eddeos. Por isso, para uma melhor experi\u00eancia de leitura, recomendamos a visualiza\u00e7\u00e3o dos v\u00eddeos, na ordem proposta na p\u00e1gina, uma vez que s\u00e3o complementares ao texto.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1748874574005{margin-top: -10px !important;margin-bottom: 20px !important;}&#8221;]&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #02658f;\"><strong>O que s\u00e3o, a partir da tua experi\u00eancia, os Tratados de Com\u00e9rcio Livre (TCLs)?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o instrumentos para fazer neg\u00f3cios, forjados no seio da pol\u00edtica imperial para subjugar, despojar os povos e saquear a Natureza. Caracterizam-se por terem uma parte vis\u00edvel, propagandista, virada para o mundo dos neg\u00f3cios, para o crescimento, e que promete benef\u00edcios para o pa\u00eds. Mas possuem igualmente uma parte oculta, que \u00e9 dif\u00edcil de entender: s\u00e3o instrumentos de desvio de poder atrav\u00e9s do qual o Estado deixa de ser um ator social de regula\u00e7\u00e3o para se tornar num verdadeiro guardi\u00e3o dos interesses privados do capital, tanto transnacional como nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1994, quando o M\u00e9xico assinou o Tratado Norte-Americano de Livre Com\u00e9rcio (TLCAN\/NAFTA) com os Estados Unidos e o Canad\u00e1, o milho h\u00edbrido barato dos Estados Unidos entrou maci\u00e7amente no pa\u00eds com o levantamento das barreiras tarif\u00e1rias. E isso esmagou os povos do M\u00e9xico, provocou a sua fal\u00eancia, a sa\u00edda maci\u00e7a de camponeses e ind\u00edgenas para as cidades e para os pr\u00f3prios Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m disso, estes tratados eliminam direitos sociais, direitos ambientais, e isso significa que podem acelerar a morte de territ\u00f3rios devido a atividades extrativas indiscriminadas, como \u00e9 o caso da explora\u00e7\u00e3o de metais, que \u00e9 algo que estamos a sofrer no Equador.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"color: #02658f;\"><strong>Quais foram os TCLs assinados pelo Equador?<\/strong><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1748874654801{margin-bottom: 35px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro a ser assinado \u00e9 o tratado com a Uni\u00e3o Europeia (UE), em novembro de 2016. Entra em vigor a 1 de janeiro de 2017. Este tratado teve um longo per\u00edodo de negocia\u00e7\u00e3o, que remonta a 2008, mais ou menos. Tamb\u00e9m porque houve resist\u00eancia \u00e0 sua assinatura. J\u00e1 s\u00e3o 9 anos de implementa\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m foi assinado um tratado com a Inglaterra, penso que foi por volta de 2022 ou 2023. Finalmente, foi assinado um novo acordo de com\u00e9rcio livre com a China, em janeiro de 2024. [O Governo] tamb\u00e9m est\u00e1 a discutir a assinatura de um novo tratado com o Canad\u00e1.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"color: #02658f;\"><strong>Nestes nove anos de vig\u00eancia do acordo com a Uni\u00e3o Europeia, quais foram os setores mais afetados?<\/strong><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1748961848598{margin-bottom: 35px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tratado refor\u00e7ou a tradicional matriz prim\u00e1rio-exportadora da economia equatoriana e n\u00e3o contribuiu para a diversifica\u00e7\u00e3o produtiva, ou seja, est\u00e1 a reduzir a produ\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma brochura produzida pelo OCARU, o <span style=\"color: #02658f;\"><a style=\"color: #02658f;\" href=\"https:\/\/ocaru.org.ec\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Observat\u00f3rio de Conflitos Rurais<\/strong><\/a><\/span>, que tenta ver qual o efeito que est\u00e1 a ter e aponta algumas das tend\u00eancias que est\u00e3o a ocorrer na agricultura <em>[continua\u00e7\u00e3o no v\u00eddeo a seguir]<\/em>.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_video link=&#8221;https:\/\/youtu.be\/S6jsT0f2rx0&#8243; el_width=&#8221;70&#8243; align=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space height=&#8221;60px&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"color: #02658f;\"><strong>Podes explicar o que significa este car\u00e1cter prim\u00e1rio-exportador da economia equatoriana?<\/strong><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1748874676495{margin-bottom: 35px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Equador \u00e9, h\u00e1 muito, uma economia prim\u00e1rio-exportadora, assente na exporta\u00e7\u00e3o de cultivos fundamentais: antes o cacau, agora a banana. E, nos \u00faltimos 50 anos, o petr\u00f3leo. O petr\u00f3leo est\u00e1 a acabar, e estamos prestes a tornar-nos compradores. [O Governo] procura extrair minerais para substituir essa fonte de rendimento. O que vemos \u00e9 como a superf\u00edcie das culturas agro-exportadoras continua a crescer e torna-se uma grande amea\u00e7a \u00e0 pequena ind\u00fastria, \u00e0 ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #02658f;\"><strong>Que implica\u00e7\u00f5es tem esta expans\u00e3o da agro-ind\u00fastria de exporta\u00e7\u00e3o para os territ\u00f3rios, a Natureza e as pessoas?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1749124545566{margin-top: 10px !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1748961890982{margin-bottom: 35px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As bananas t\u00eam sido um dos principais produtos de exporta\u00e7\u00e3o. S\u00e3o produzidas na bacia hidrogr\u00e1fica do rio Guayas, geram concentra\u00e7\u00e3o de terras e \u00e1gua, utilizam quantidades elevadas de agro-qu\u00edmicos e de materiais nocivos como os pl\u00e1sticos. E exploram a m\u00e3o-de-obra. A cultura do camar\u00e3o tem crescido muito no pa\u00eds. No in\u00edcio, dava-se sobretudo nas zonas junto ao mar, mas agora est\u00e1 a expandir-se para o interior da Costa<sup>1<\/sup>, seguindo o curso de alguns rios, o que causa concentra\u00e7\u00e3o de terras e destr\u00f3i a floresta de mangue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E isso est\u00e1 a criar um conflito de desapropria\u00e7\u00e3o de terras e proletariza\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas e camponeses, que s\u00e3o obrigados a trabalhar para as empresas que para ali chegam. Toda esta expans\u00e3o implica a destrui\u00e7\u00e3o da natureza, para n\u00f3s <em>Pachamama<\/em>, como fonte de vida. Por isso dizemos que exportar o agro-neg\u00f3cio \u00e9 exportar a Natureza. As nossas florestas, as nossas matas, parte dos nossos rios.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_single_image image=&#8221;9092&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1749125725990{margin-top: -20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #d88b39;\"><strong>Marcha em defesa da \u00e1gua<\/strong> <strong>contra o avan\u00e7o da minera\u00e7\u00e3o de metais (Loja, Equador)<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1749124621212{margin-top: 10px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #02658f;\"><strong>Mencionaste que os TCLs s\u00e3o mais do que acordos sobre tarifas alfandeg\u00e1rias. Como v\u00eas a sua rela\u00e7\u00e3o com o setor da minera\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/span><em>[resposta no v\u00eddeo a seguir]<\/em><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_video link=&#8221;https:\/\/youtu.be\/cBPtvYVzJo0&#8243; el_width=&#8221;70&#8243; align=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;60px&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #02658f;\"><strong>Dentro e fora do Equador, quem s\u00e3o os verdadeiros benefici\u00e1rios dos TCLs?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o os capitais nacionais, os agro-exportadores, que est\u00e3o interessados em assinar estes tratados. A par do agro-exportadores h\u00e1 tamb\u00e9m importadores, porque os produtos transformados da Europa entram sem taxas alfandeg\u00e1rias. H\u00e1 v\u00e1rios dom\u00ednios relacionados com a maquinaria pesada, a maquinaria industrial e os produtos farmac\u00eauticos. Durante as negocia\u00e7\u00f5es v\u00ea-se que tamb\u00e9m h\u00e1 press\u00f5es do exterior, da Uni\u00e3o Europeia ou da China, para condicionar a produ\u00e7\u00e3o. Os benefici\u00e1rios externos s\u00e3o mais dif\u00edceis de identificar. Podemos ver capitais transnacionais em torno da liberaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, da privatiza\u00e7\u00e3o de bens sociais comuns como a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o. Este processo de privatiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 a avan\u00e7ar na contrata\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A Constitui\u00e7\u00e3o diz que os concursos p\u00fablicos deve dar prefer\u00eancia \u00e0 economia social e solid\u00e1ria, ou seja, \u00e0s PME [Pequenas e M\u00e9dias Empresas], \u00e0 pequena produ\u00e7\u00e3o. O capital entra e disputa o fornecimento de contratos p\u00fablicos ao Estado em condi\u00e7\u00f5es de elevada assimetria.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #02658f;\"><strong>O TCL com a Uni\u00e3o Europeia foi assinado durante o Governo da <em>Revoluci\u00f3n Ciudadana<\/em>, parte da esquerda progressista, e no qual ocorreu o processo constituinte de 2008. Achas que as pol\u00edticas p\u00fablicas deste Governo marcaram de facto uma rutura com d\u00e9cadas de pol\u00edtica neoliberal? Ou existem continuidades nesse processo?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na d\u00e9cada de 70 [do s\u00e9culo passado], [o neoliberalismo] come\u00e7ou a ser aplicado na Am\u00e9rica Latina como resposta \u00e0 crise de baixas taxas de acumula\u00e7\u00e3o do capital. O objetivo foi liberalizar as economias para fazer do mercado um motor de crescimento e um regulador da sociedade. H\u00e1 uma procura de novas fronteiras de acumula\u00e7\u00e3o, uma delas \u00e9 tamb\u00e9m a transforma\u00e7\u00e3o da agricultura camponesa em agricultura de mercado e de exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi precisamente a aplica\u00e7\u00e3o das reformas neoliberais que deu origem \u00e0s poderosas mobiliza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas dos anos 90, que abalaram a estrutura pol\u00edtica do pa\u00eds e permitiram certas conquistas. A for\u00e7a mobilizadora do movimento social tornou poss\u00edvel o surgimento da chamada <em>Revoluci\u00f3n Ciudadana<\/em>. Essa mobiliza\u00e7\u00e3o social mobiliza-se durante a assembleia constituinte e surge um processo de enorme entusiasmo social, e enormes expectativas numa nova Constitui\u00e7\u00e3o. A Constitui\u00e7\u00e3o amplia direitos coletivos e inclui novos aspetos como a soberania alimentar, os direitos da Natureza, e o fortalecimento da economia social e solid\u00e1ria. As pol\u00edticas p\u00fablicas, sobretudo os subs\u00eddios, permitem a redistribui\u00e7\u00e3o de determinados recursos para a popula\u00e7\u00e3o e uma amplia\u00e7\u00e3o da base social que tem acesso ao consumo, com um crescimento da classe m\u00e9dia, da pequena burguesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E depois come\u00e7ou a haver alguns retrocessos nesta posi\u00e7\u00e3o, que n\u00f3s aqui no pa\u00eds estamos a tentar caraterizar como uma posi\u00e7\u00e3o social-democrata, que gera expectativas, que incorpora alguns elementos keynesianos de gest\u00e3o econ\u00f3mica, mas que depois vai recuando gradualmente ao ponto de, no final do per\u00edodo de 10 anos do governo de Rafael Correa<sup>2<\/sup>, ter sido assinado o primeiro TCL, em novembro de 2016. Este per\u00edodo termina com a ascens\u00e3o do presidente Moreno<sup>3<\/sup>, que se afasta definitivamente deste processo da <em>Revoluci\u00f3n Ciudadan<\/em>a e acaba por ser novamente um governo de direita, com um regresso ao neoliberalismo.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;9093&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1749124637935{margin-top: 10px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1749125756495{margin-top: -10px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #d88b39;\"><strong>Defesa dos p\u00e2ntanos ferr\u00edferos de Urco, amea\u00e7ados pela minera\u00e7\u00e3o de metais a c\u00e9u aberto<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1749124262132{margin-top: 30px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #02658f;\"><strong>A partir de um olhar campon\u00eas, da agricultura familiar e da agroecologia, como avalias as pol\u00edticas p\u00fablicas da <em>Revoluci\u00f3n Ciudadana<\/em> para o setor agr\u00edcola?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surgem programas de apoio aos setores populares, mas isso dura pouco tempo porque a pol\u00edtica agr\u00e1ria volta a apoiar o agro-neg\u00f3cio, um setor pol\u00edtico muito forte no pa\u00eds. E, mais uma vez, tentaram promover a participa\u00e7\u00e3o de camponeses no mercado. Surge nova legisla\u00e7\u00e3o mais alinhada com os TCLs, como a Lei das sementes ou o famoso c\u00f3digo de gest\u00e3o do conhecimento, que \u00e9 uma forma de privatizar o conhecimento ancestral. A legisla\u00e7\u00e3o tende cada vez mais a subordinar os camponeses ao agro-neg\u00f3cio, a essas cadeias de valor e \u00e0 agro-exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #02658f;\"><strong>Que setores sociais enfrentaram o TCL com a Uni\u00e3o Europeia?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve no pa\u00eds um forte processo de resist\u00eancia \u00e0 ALCA, a \u00c1rea de Livre Com\u00e9rcio das Am\u00e9ricas, uma proposta promovida pelos Estados Unidos que pretendia criar um tratado \u00fanico com todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Ocorreu uma conflu\u00eancia muito ampla de sectores, porque a informa\u00e7\u00e3o que \u00e9 fornecida sobre os TCLs \u00e9 tamb\u00e9m ela ampla. Mobilizaram-se setores de todos os estratos sociais: trabalhadores\/as urbanos, acad\u00e9micos\/as, estudantes, camponeses, ind\u00edgenas. E juntaram-se os pequenos empres\u00e1rios, incluindo os empres\u00e1rios m\u00e9dios, porque lhes foi explicado o que os TCLs representam [<em>continua\u00e7\u00e3o no v\u00eddeo a seguir<\/em>].<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_video link=&#8221;https:\/\/youtu.be\/gJlmCaJ7RCc&#8221; el_width=&#8221;70&#8243; align=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space height=&#8221;60px&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #02658f;\"><strong>Gostaria que partilhasses um pouco da vossa experi\u00eancia de resist\u00eancia aos TCLs dentro da Confedera\u00e7\u00e3o Camponesa Agroecol\u00f3gica do Equador (CCAE) e da <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/redagroecologica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #02658f;\">Rede Agro-ecol\u00f3gica de Loja<\/span><\/a>.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7\u00e1mos por tentar compreender o que s\u00e3o os TCLs. E tamb\u00e9m temos enfrentado a legisla\u00e7\u00e3o anti-camponesa que se desenvolve no \u00e2mbito dos TCLs. A Lei das sementes, que creio ter sido aprovada em 2017, obriga \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de sementes certificadas, uma das quest\u00f5es ligadas \u00e0 propriedade intelectual. Depois, h\u00e1 uma Lei sobre sa\u00fade e seguran\u00e7a agr\u00edcola que, por um lado, promove a utiliza\u00e7\u00e3o de pesticidas e, por outro lado, promove normas sanit\u00e1rias para o manuseamento de animais que n\u00e3o s\u00e3o aplic\u00e1veis aos pequenos produtores, e que se tornam fatores de exclus\u00e3o. Estas s\u00e3o as normas do agro-neg\u00f3cio, que pretende v\u00ea-las aplicadas aos pequenos produtores. N\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para isso. A Constitui\u00e7\u00e3o diz que deve haver regras diferenciadas, mas isso n\u00e3o est\u00e1 a ser feito. Na confedera\u00e7\u00e3o estamos a fazer um exerc\u00edcio de den\u00fancia e lutamos contra essas Leis. Estamos a tentar garantir que os princ\u00edpios constitucionais n\u00e3o sejam violados, que os direitos dos camponeses sejam respeitados. E tamb\u00e9m somos uma organiza\u00e7\u00e3o que promove a agroecologia e os mercados locais, num contexto dif\u00edcil, mas que pouco a pouco vai gerando solidariedade.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #02658f;\"><strong>No caso do Equador, qual \u00e9 a import\u00e2ncia da agricultura camponesa e familiar para a soberania alimentar e o abastecimento do mercado interno do pa\u00eds? <\/strong><\/span><em>[resposta no v\u00eddeo a seguir]<\/em><span style=\"color: #02658f;\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_video link=&#8221;https:\/\/youtu.be\/JTbHOyVtKQ4&#8243; el_width=&#8221;70&#8243; align=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;60px&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #02658f;\"><strong>Qu\u00e3o importante \u00e9 formar alian\u00e7as transatl\u00e2nticas para fazer frente a estes tratados e travar os efeitos que, como tu mencionaste, ser\u00e3o muito mais vis\u00edveis e preocupantes com a liberaliza\u00e7\u00e3o total o mercado? <\/strong><\/span><em>[resposta no v\u00eddeo a seguir]<\/em><span style=\"color: #02658f;\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_video link=&#8221;https:\/\/youtu.be\/tTh2rZZyY3w&#8221; el_width=&#8221;70&#8243; align=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #d88b39;\"><sup><span style=\"color: #02658f;\">1<\/span>&nbsp; <\/sup><\/span><\/strong>O Equador est\u00e1 dividido em quatro regi\u00f5es geogr\u00e1ficas: Costa, Serra, Amaz\u00f3nia e Gal\u00e1pagos.<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #d88b39;\"><sup><span style=\"color: #02658f;\">2<\/span>&nbsp; <\/sup><\/span><\/strong>Presidente da Rep\u00fablica do Equador (2007-2017)<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #d88b39;\"><sup><span style=\"color: #02658f;\">3<\/span>&nbsp; <\/sup><\/span><\/strong>Presidente da Rep\u00fablica do Equador (2017-2021)<\/span><\/span><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;Para saber mais&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1749057383122{margin-top: 20px !important;margin-bottom: 10px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1749124857141{margin-top: 10px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acci\u00f3n Ecol\u00f3gica e Instituto de Estudios Ecologistas del Tercer Mundo. <span style=\"color: #02658f;\"><strong><a style=\"color: #02658f;\" href=\"https:\/\/servindi.org\/actualidad-noticias\/27\/06\/2024\/balance-de-30-anos-de-libre-comercio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">30 a\u00f1os de Libre Comercio. Rehacer las Am\u00e9ricas para el Capitalismo Global<\/a><\/strong><\/span>. 2024<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_empty_space height=&#8221;60px&#8221;][lab_button title=&#8221;Comentar&#8221; type=&#8221;standard&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Foutraseconomias.pt%2Foutrasec%2Fcontactos|target:_blank&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;180&#8243;][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Resist\u00eancia aos acordos de com\u00e9rcio livre: a experi\u00eancia do Equador&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%23D88B39&#8243; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1748872152221{margin-top: 40px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1749637360594{margin-top: 10px !important;margin-bottom: 20px !important;}&#8221;] Uma conversa entre Francisco Venes, ecologista pol\u00edtico, CIDAC e Benjam\u00edn Macas, membro da Confedera\u00e7\u00e3o Camponesa Agroecol\u00f3gica do Equador (CCAE), promotora da agro-ecologia e da soberania alimentar no pa\u00eds. Integrou o Conselho Pol\u00edtico do&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8610,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"h5ap_radio_sources":[],"footnotes":""},"portfolio_category":[276],"portfolio_tag":[],"class_list":["post-8611","portfolio","type-portfolio","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-revista-no6"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/8611","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/types\/portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8611"}],"version-history":[{"count":52,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/8611\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9112,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/8611\/revisions\/9112"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8610"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8611"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=8611"},{"taxonomy":"portfolio_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tag?post=8611"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}