{"id":9161,"date":"2025-10-22T15:19:58","date_gmt":"2025-10-22T15:19:58","guid":{"rendered":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/?post_type=portfolio&#038;p=9161"},"modified":"2026-05-18T15:39:36","modified_gmt":"2026-05-18T15:39:36","slug":"e-subversivo-falar-de-campesinato","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/e-subversivo-falar-de-campesinato\/","title":{"rendered":"\u00c9 subversivo falar de campesinato?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;60&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;\u00c9 subversivo falar de campesinato?&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761494023394{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Silvia Perez-Victoria<\/strong>, <strong>s\u00f3cio-economista, docente no Mestrado de Agroecologia \u2013 Um enfoque de transforma\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel dos sistemas agro-alimentares, da Universidade Internacional da Andaluzia<\/strong>. \u00c9 tamb\u00e9m membro da associa\u00e7\u00e3o <span style=\"color: #6a096a;\"><strong><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/lalignedhorizon.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">La ligne d&#8217;horizon-les amis de Fran\u00e7ois Partant<\/a><\/strong><\/span>.<\/p>\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o: Aurora Santos<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fotos: Silvia Perez-Victoria<\/strong><\/p>\n<p>Tempo aproximado de leitura: 14 minutos[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761147209307{margin-top: 10px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Silvia, para come\u00e7ar, podias dizer-nos o que \u00e9, na tua opini\u00e3o, o campesinato? A quem nos referimos ou consideramos dentro desta \u00abcategoria\u00bb, por assim dizer?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante milhares de anos praticamente toda a humanidade foi camponesa. Os camponeses e as camponesas instalaram-se em meios naturais muito diferentes. Com os seus conhecimentos, a sua forma de gerir os \u201crecursos naturais\u201d,  a organiza\u00e7\u00e3o das suas sociedades, souberam adaptar-se a climas e geografias muito variados, melhorando, atrav\u00e9s do seu trabalho e engenho inovador, a biodiversidade, a qualidade dos solos e dos alimentos. N\u00e3o nos podemos esquecer que lhes devemos as milhares de variedades de plantas e animais que herd\u00e1mos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro que ao desaparecerem as sociedades camponesas, que j\u00e1 s\u00f3 existem em algumas partes do mundo, maioritariamente nos pa\u00edses do Sul geopol\u00edtico, o papel do campesinato vai mudar. A primeira coisa que \u00e9 preciso referir \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 s\u00f3 um tipo de campon\u00eas ou pastor ou criador de gado mas sim v\u00e1rios, contrariamente \u00e0 homogeneidade procurada pela agricultura industrializada. \u00c9, por isso, dif\u00edcil encaix\u00e1-lo numa \u00fanica defini\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prefiro recorrer a crit\u00e9rios que permitam diferenciar o\/a campon\u00eas\/a atual do\/a agricultor\/a industrializado\/a. Para as pessoas camponesas, mais do que a propriedade da terra, importa o seu uso ou usufruto; produzem sobretudo para o auto-consumo e vendem o que lhes sobra, enquanto que, geralmente, o e a agricultora nunca produz a sua pr\u00f3pria comida. O e a camponesa trabalha a sua terra e cuida dos seus animais, ao passo que o\/a agricultor\/a tem gente que trabalha para ele\/a. As pessoas camponesas t\u00eam conhecimentos e saberes-fazer pr\u00f3prios, geralmente transmitidos no seu grupo, enquanto que os\/as agricultores\/as dependem com muita frequ\u00eancia dos t\u00e9cnicos que os\/as aconselham. O campon\u00eas utiliza tudo o que a natureza lhe d\u00e1 \u201cgratuitamente\u201d, j\u00e1 a maioria dos agricultores depende do mercado para a totalidade dos fatores de produ\u00e7\u00e3o. As pessoas camponesas produzem comida, j\u00e1 os e as agricultoras produzem uma mat\u00e9ria-prima que entra no processo agro-alimentar industrializado. As rela\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-econ\u00f3micas camponesas baseiam-se mais no apoio m\u00fatuo do que na competitividade. Existe, tamb\u00e9m, uma \u201cracionalidade camponesa\u201d que se distingue da \u201cracionalidade economicista\u201d. A forma em que uns e outros cumprem estes crit\u00e9rios permite definir o grau de \u201ccampesiniza\u00e7\u00e3o\u201d. Poder-se-iam adicionar mais crit\u00e9rios mas parece-me que estes s\u00e3o os fundamentais.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<figure class=\"wp-block-embed wp-block-embed-youtube is-type-video is-provider-youtube epyt-figure\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><div class=\"epyt-video-wrapper\"><div  id=\"_ytid_89737\"  width=\"945\" height=\"531\"  data-origwidth=\"945\" data-origheight=\"531\"  data-relstop=\"1\" data-facadesrc=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WCaXdjHeiQM?enablejsapi=1&autoplay=0&cc_load_policy=0&cc_lang_pref=&iv_load_policy=1&loop=0&rel=0&fs=1&playsinline=0&autohide=2&theme=dark&color=red&controls=1&disablekb=0&\" class=\"__youtube_prefs__ epyt-facade no-lazyload\" data-epautoplay=\"1\" ><img data-opt-id=272114163  fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" data-spai-excluded=\"true\" class=\"epyt-facade-poster skip-lazy\" loading=\"lazy\"  alt=\"YouTube player\"  src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/WCaXdjHeiQM\/maxresdefault.jpg\"  \/><button class=\"epyt-facade-play\" aria-label=\"Play\"><svg data-no-lazy=\"1\" height=\"100%\" version=\"1.1\" viewBox=\"0 0 68 48\" width=\"100%\"><path class=\"ytp-large-play-button-bg\" d=\"M66.52,7.74c-0.78-2.93-2.49-5.41-5.42-6.19C55.79,.13,34,0,34,0S12.21,.13,6.9,1.55 C3.97,2.33,2.27,4.81,1.48,7.74C0.06,13.05,0,24,0,24s0.06,10.95,1.48,16.26c0.78,2.93,2.49,5.41,5.42,6.19 C12.21,47.87,34,48,34,48s21.79-0.13,27.1-1.55c2.93-0.78,4.64-3.26,5.42-6.19C67.94,34.95,68,24,68,24S67.94,13.05,66.52,7.74z\" fill=\"#f00\"><\/path><path d=\"M 45,24 27,14 27,34\" fill=\"#fff\"><\/path><\/svg><\/button><\/div><\/div><\/div><\/figure>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761905682457{margin-top: -10px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>A Pila\u2019 el Arroz, Mag\u00edn D\u00edaz<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;9591&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761663459402{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761905695807{margin-top: 0px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Mercado, M\u00e9xico<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761147859993{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Considerando o que ouvimos, desde a escola at\u00e9 aos meios de comunica\u00e7\u00e3o e \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas, na Europa j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 camponeses\/as e sim agricultores\/as ou empres\u00e1rios\/as agr\u00edcolas. Como v\u00eas esta quest\u00e3o? J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 pessoas camponesas? Ou, se as h\u00e1, porque \u00e9 que s\u00e3o consideradas algo em perigo de extin\u00e7\u00e3o e\/ou algo que se deve extinguir?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desenvolvimento econ\u00f3mico que se deu no mundo teve como um dos seus objetivos o desaparecimento do campesinato. N\u00e3o nos esque\u00e7amos que nas aulas de economia se aprende que um pa\u00eds desenvolvido \u00e9 um pa\u00eds sem camponeses\/as. Houve em todas as sociedades um trabalho ideol\u00f3gico de desprezo dos e das camponesas. Foram considerados\/as como s\u00edmbolos do atraso, como gente com pouca capacidade, intelig\u00eancia, etc. Em cada pa\u00eds do mundo, seja qual for o sistema pol\u00edtico, podem encontrar-se exemplos deste processo. Quando entraram na Uni\u00e3o Europeia os chamados \u201cpa\u00edses de Leste\u201d, como a Hungria, Pol\u00f3nia ou Rom\u00e9nia, a primeira coisa que a Comiss\u00e3o comentou foi que havia demasiados camponeses e que isso tinha de mudar. E conseguiram faz\u00ea-lo com as suas pol\u00edticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O campo e o campesinato foram explorados como riqueza e m\u00e3o de obra para a industrializa\u00e7\u00e3o, como abastecedores de alimentos baratos para os\/as oper\u00e1rios\/as. Atualmente, tanto nas rela\u00e7\u00f5es com a ind\u00fastria como nas trocas comerciais internacionais, uma grande riqueza continua a ser extra\u00edda do campo. Mas, apesar de toda esta for\u00e7a de destrui\u00e7\u00e3o, desencadeada sobretudo a partir da II Guerra Mundial, os e as camponesas resistiram. Obviamente s\u00e3o mais numerosos\/as nas regi\u00f5es onde os processos de desenvolvimento foram menos fortes: Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica, \u00c1sia. E, sobretudo, quando j\u00e1 toda a gente pensava que n\u00e3o havia mais camponeses\/as, em resposta \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o que ia aniquil\u00e1-los\/as, surgiram \u201cnovos\u201d movimentos camponeses. Atualmente, <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/www.etcgroup.org\/sites\/www.etcgroup.org\/files\/files\/etc-whowillfeedus-english-webshare.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>70% dos alimentos consumidos no mundo vem das agriculturas camponesas<\/strong><\/a><\/span>, utilizando apenas 25% das terras cultivadas.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761654321362{padding-top: 35px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Como se produziu este processo, que podemos chamar de transforma\u00e7\u00e3o do campesinato em agricultores\/as, ou inclusive a sua aniquila\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo come\u00e7ou, por um lado, com a coloniza\u00e7\u00e3o que transformou as terras camponesas e os povos origin\u00e1rios em grandes planta\u00e7\u00f5es, por outro lado com a industrializa\u00e7\u00e3o europeia que come\u00e7ou em meados do s\u00e9culo XIX. Este processo acelerou-se depois da II Guerra Mundial. Houve etapas na moderniza\u00e7\u00e3o da agricultura: tra\u00e7\u00e3o animal, mecaniza\u00e7\u00e3o e motoriza\u00e7\u00e3o, qu\u00edmica, gen\u00e9tica (a Revolu\u00e7\u00e3o Verde dos anos 60), biotecnologias, robotiza\u00e7\u00e3o. Todas contribu\u00edram para o \u00eaxodo rural, o endividamento, a perda de conhecimento end\u00f3geno e o auge dos especialistas, a descida dos pre\u00e7os e a depend\u00eancia dos subs\u00eddios. A consequ\u00eancia foi a perda da autonomia do campesinato. Com a globaliza\u00e7\u00e3o e o aumento das trocas comerciais internacionais na agricultura nos anos 80, os camponeses e agricultores do mundo inteiro competem uns contra os outros e s\u00f3 conta ser super produtivo.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;9592&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761663487843{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761905709810{margin-top: 0px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Horta, Estado Espanhol<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761148488871{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<span style=\"color: #6a096a;\"><strong>\u00c9 poss\u00edvel enquadrar essa transforma\u00e7\u00e3o dentro da constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica (social, econ\u00f3mica, pol\u00edtica, cultural) do sistema agroalimentar no qual vivemos? De que maneira?<\/strong> <\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A principal v\u00edtima deste desenvolvimento agr\u00edcola foi o campesinato, mas este modelo agro-alimentar tamb\u00e9m teve impacto em toda a sociedade. Em primeiro lugar, a agricultura, que durante milhares de anos contribuiu para \u201cmelhorar\u201d a natureza, \u00e9 agora um dos elementos que mais a tem destru\u00eddo. A agricultura encontra-se \u201cencravada\u201d dentro do sistema agro-industrial, dependendo deste tanto para produzir, abastecendo-se dos seus fatores de produ\u00e7\u00e3o, como para distribuir e comercializar os alimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O impacto sobre o meio natural \u00e9 consider\u00e1vel: contamina\u00e7\u00e3o dos solos, da \u00e1gua e do ar, destrui\u00e7\u00e3o dos solos, perda de biodiversidade, consumo excessivo de \u00e1gua e de energia, contribui\u00e7\u00e3o para as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Mas os efeitos afetam tamb\u00e9m a alimenta\u00e7\u00e3o. Este sistema n\u00e3o alimenta porque n\u00e3o est\u00e1 feito para isso, est\u00e1 feito para ganhar dinheiro. Se for mais rent\u00e1vel produzir milho para fazer agro-combust\u00edvel do que para alimentar as pessoas, o sistema agro-alimentar n\u00e3o ter\u00e1 d\u00favida nenhuma em faz\u00ea-lo. Quando alimenta, f\u00e1-lo mal, e a obesidade no mundo \u00e9 j\u00e1 um facto sist\u00e9mico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grau de concentra\u00e7\u00e3o e de financeiriza\u00e7\u00e3o \u00e9 tal que s\u00f3 umas poucas empresas multinacionais dominam os mercados, tanto dos fatores de produ\u00e7\u00e3o como da transforma\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o dos alimentos.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_single_image image=&#8221;9169&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761663576570{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761905720748{margin-top: 0px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Horta, Mali<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sistema agro-alimentar globalizado, que abrange a transforma\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o dos alimentos, est\u00e1 dominado por umas poucas corpora\u00e7\u00f5es cujo \u00fanico objetivo \u00e9 fazer dinheiro. Sobretudo depois da II Guerra Mundial, estas corpora\u00e7\u00f5es expandiram-se, impondo mudan\u00e7as nas formas tradicionais de comer das pessoas. Por exemplo, substituir o consumo de arroz por p\u00e3o nos pa\u00edses asi\u00e1ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um sistema que pressiona os\/as camponeses\/as e agricultores\/as, deixando-lhes sem poder na negocia\u00e7\u00e3o e defini\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os. Quanto mais elaborados s\u00e3o os produtos, menos o custo do trabalho agr\u00edcola se reflete no pre\u00e7o final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos ainda a ci\u00eancia e a investiga\u00e7\u00e3o que procuram ultrapassar a pr\u00f3pria agricultura: carne sint\u00e9tica, leite que n\u00e3o \u00e9 leite, edulcorantes, aromas, etc., \u00e0 base de produtos qu\u00edmicos.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, este sistema produz \u201calimentos-lixo\u201d que envenenam ou adoecem as pessoas. Seria importante voltar a uma comida mais natural, elaborada pelas pr\u00f3prias pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Estados acompanham, com as suas pol\u00edticas, estes processos. At\u00e9 mesmo nos pa\u00edses onde h\u00e1 uma grande percentagem de camponeses\/as, os Estados \u201cmodernizam\u201d a agricultura. Nenhum Estado no mundo apoia o seu campesinato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ponto de vista da sa\u00fade, tem-se comprovado a liga\u00e7\u00e3o entre sistema agro-alimentar e muitas doen\u00e7as graves como as alergias, as infertilidades, o cancro, o Alzheimer, ou o Parkinson, e outras como a listeria e a salmolenose.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na realidade, as corpora\u00e7\u00f5es multinacionais s\u00e3o as \u00fanicas que saem beneficiadas deste sistema.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761654340104{padding-top: 35px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Como v\u00eas os movimentos e lutas camponesas, e a sua for\u00e7a social, em diferentes contextos?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Historicamente, o campesinato participou em todas as lutas sociais do mundo; lutas de liberta\u00e7\u00e3o nacional e descoloniza\u00e7\u00e3o, revolu\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m tiveram lutas sindicais pr\u00f3prias, lutas pelos seus direitos, ou lutas conjuntamente com outros movimentos como os sindicatos oper\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a globaliza\u00e7\u00e3o se expandiu, o campesinato decidiu organizar-se num movimento mundial pela primeira vez na hist\u00f3ria. Em 1994, nasce <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/viacampesina.org\/es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>La Via Campesina<\/strong><\/a><\/span>, um movimento de pessoas camponesas, pastoras, criadoras de gado, trabalhadores\/as agr\u00edcolas, povos origin\u00e1rios, mulheres rurais, pescadores\/as. Conta com mais de 200 milh\u00f5es de membros, 182 organiza\u00e7\u00f5es em 81 pa\u00edses. \u00c9 o maior movimento social no mundo. Luta e ao mesmo tempo prop\u00f5e alternativas. As principais lutas s\u00e3o pela terra, \u00e1gua, sementes, pelo reconhecimento dos seus saberes-fazer, pela soberania alimentar dos povos, contra a proletariza\u00e7\u00e3o do campesinato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se pode ver, n\u00e3o se trata de fazer reivindica\u00e7\u00f5es corporativistas mas sim de tentar contrariar os efeitos destrutivos do sistema agro-industrial nas sociedades, do ponto de vista da qualidade do que comemos, da sa\u00fade, do meio-ambiente e das rela\u00e7\u00f5es campo-cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A 17 de dezembro de 2018, a Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas votou a <strong><span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/viacampesina.org\/es\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2010\/05\/declaracion-SP-2009.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Declara\u00e7\u00e3o da ONU sobre os Direitos dos Camponeses e de Outras Pessoas que Trabalham em \u00c1reas Rurais<\/a><\/span><\/strong>, que reconhece grande parte das reivindica\u00e7\u00f5es dos movimentos camponeses.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761150651347{padding-top: 20px !important;padding-right: 20px !important;padding-bottom: 20px !important;padding-left: 20px !important;background-color: #E5E5E5 !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <span style=\"color: #6a096a;\"><strong><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/mst.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Movimento dos Trabalhadores Sem Terra<\/a><\/strong><\/span> no Brasil (MST) nasce em 1984, depois de uma ditadura feroz que aniquilou todos os sindicatos camponeses, num pa\u00eds que se caracteriza por uma forte desigualdade na propriedade da terra. O movimento come\u00e7ou a ocupar terra, fazendo marchas, e conseguiu terra que os latifundi\u00e1rios n\u00e3o cultivavam. Organizaram-se assentamentos, cooperativas e &#8220;ecovilas&#8221;, que permitiram a muitas fam\u00edlias trabalhar e viver. Inicialmente seguiram um modelo de agricultura industrial (inclusive com soja transg\u00e9nica) mas pouco a pouco evolu\u00edram para um modelo de agricultura camponesa, privilegiando o auto-consumo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, nos territ\u00f3rios do MST h\u00e1 350 000 fam\u00edlias a viver, em 1200 munic\u00edpios, correspondente a 8 milh\u00f5es de hectares. T\u00eam escolas e sistema de sa\u00fade pr\u00f3prios. Tamb\u00e9m t\u00eam forma\u00e7\u00f5es internas em agroecologia. Est\u00e3o a desenvolver uma &#8220;<span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/mst.org.br\/2021\/07\/16\/o-que-e-o-programa-de-reforma-agraria-popular-do-mst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Reforma agr\u00e1ria popular<\/strong><\/a><\/span>&#8221; que permita reorientar ainda mais a produ\u00e7\u00e3o alimentar, instalar ind\u00fastrias alimentares locais e promover atividades culturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O MST tem um papel importante dentro da Via Campesina. Apoiou, entre outros, os movimentos de Mo\u00e7ambique e da \u00c1frica do Sul (estes \u00faltimos para ocupar terra).<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761654356305{padding-top: 35px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Para terminar: \u00e9 subversivo falar de campesinato?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 cada vez mais organiza\u00e7\u00f5es internacionais, Estados, investigadores\/as, que negam que continuem a existir camponeses\/as. Em ingl\u00eas \u201cpeasant\u201d s\u00f3 se refere aos pa\u00edses do Sul, atribuindo-lhes pobreza e incapacidade de saber gerir os \u201crecursos\u201d de forma \u201cprodutiva\u201d. Por isso, h\u00e1 que continuar a \u201cdesenvolv\u00ea-los\u201d, at\u00e9 que n\u00e3o fique nenhum (\u201cum pa\u00eds desenvolvido \u00e9 um pa\u00eds sem camponeses\u201d). Os e as camponesas do Brasil lutam para que se reconhe\u00e7a uma agricultura \u201ccamponesa\u201d e n\u00e3o uma agricultura \u201cfamiliar\u201d. Agricultura familiar \u00e9 o termo que utilizam as organiza\u00e7\u00f5es internacionais para negar a exist\u00eancia dos e das camponeses\/as, e isso apesar do maior movimento social do mundo ser campon\u00eas. Isto deve-se \u00e0 ideologia do progresso e desenvolvimento que todas as correntes pol\u00edticas e todas as inst\u00e2ncias de poder do mundo partilham. Olha-se sempre para a frente, nunca para tr\u00e1s, para o que se perde. Todo o processo de industrializa\u00e7\u00e3o foi constru\u00eddo \u00e0 custa dos e das camponesas. Eles e elas representam um \u201cpassado\u201d que ningu\u00e9m quer ver mais. A proposta de movimentos como La Via Campesina sup\u00f5e uma transforma\u00e7\u00e3o radical das sociedades, e n\u00e3o apenas baseando-se no passado.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_custom_heading text=&#8221;Para saber mais&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761493922528{margin-top: 20px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761483062143{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ETC Group, <a href=\"https:\/\/www.etcgroup.org\/sites\/www.etcgroup.org\/files\/files\/etc-whowillfeedus-english-webshare.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Who will feed us? The peasant food web vs The industrial food chain<\/strong><\/span><\/a>, 2017<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Silvia Perez-Victoria, <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/traficantes.net\/libros\/el-retorno-de-los-campesinos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>El retorno de los campesinos &#8211; Una oportunidad para nuestra supervivencia<\/strong><\/a><\/span>, Editorial Icaria<\/p>\n<p>Via Campesina,&nbsp;<span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/viacampesina.org\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/UNDROP-Book-of-Illustrations-l-ES-l-Web.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Declaraci\u00f3n de las Naciones Unidas sobre los Derechos de los Campesinos y de Otras Personas que Trabajan en las Zonas Rurales<\/strong><\/a> <\/span>&#8211; Livro ilustrado em castelhano[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761493933487{margin-top: 40px !important;}&#8221;]<figure class=\"wp-block-embed wp-block-embed-youtube is-type-video is-provider-youtube epyt-figure\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><div class=\"epyt-video-wrapper\"><div  id=\"_ytid_75734\"  width=\"945\" height=\"531\"  data-origwidth=\"945\" data-origheight=\"531\"  data-relstop=\"1\" data-facadesrc=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/M9F88GChTBA?enablejsapi=1&autoplay=0&cc_load_policy=0&cc_lang_pref=&iv_load_policy=1&loop=0&rel=0&fs=1&playsinline=0&autohide=2&theme=dark&color=red&controls=1&disablekb=0&\" class=\"__youtube_prefs__ epyt-facade no-lazyload\" data-epautoplay=\"1\" ><img data-opt-id=1855981153  fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" data-spai-excluded=\"true\" class=\"epyt-facade-poster skip-lazy\" loading=\"lazy\"  alt=\"YouTube player\"  src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/M9F88GChTBA\/maxresdefault.jpg\"  \/><button class=\"epyt-facade-play\" aria-label=\"Play\"><svg data-no-lazy=\"1\" height=\"100%\" version=\"1.1\" viewBox=\"0 0 68 48\" width=\"100%\"><path class=\"ytp-large-play-button-bg\" d=\"M66.52,7.74c-0.78-2.93-2.49-5.41-5.42-6.19C55.79,.13,34,0,34,0S12.21,.13,6.9,1.55 C3.97,2.33,2.27,4.81,1.48,7.74C0.06,13.05,0,24,0,24s0.06,10.95,1.48,16.26c0.78,2.93,2.49,5.41,5.42,6.19 C12.21,47.87,34,48,34,48s21.79-0.13,27.1-1.55c2.93-0.78,4.64-3.26,5.42-6.19C67.94,34.95,68,24,68,24S67.94,13.05,66.52,7.74z\" fill=\"#f00\"><\/path><path d=\"M 45,24 27,14 27,34\" fill=\"#fff\"><\/path><\/svg><\/button><\/div><\/div><\/div><\/figure>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;60&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;\u00c9 subversivo falar de campesinato?&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761494023394{margin-top: 20px !important;}&#8221;] Silvia Perez-Victoria, s\u00f3cio-economista, docente no Mestrado de Agroecologia \u2013 Um enfoque de transforma\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel dos sistemas agro-alimentares, da Universidade Internacional da Andaluzia. \u00c9 tamb\u00e9m membro da associa\u00e7\u00e3o La ligne d&#8217;horizon-les amis de Fran\u00e7ois Partant. Tradu\u00e7\u00e3o: Aurora Santos Fotos: Silvia Perez-Victoria Tempo aproximado&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9162,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"h5ap_radio_sources":[],"footnotes":""},"portfolio_category":[297],"portfolio_tag":[],"class_list":["post-9161","portfolio","type-portfolio","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-revista-n-o7"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/9161","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/types\/portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9161"}],"version-history":[{"count":33,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/9161\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10871,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/9161\/revisions\/10871"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9162"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9161"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=9161"},{"taxonomy":"portfolio_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tag?post=9161"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}