{"id":9234,"date":"2025-10-24T16:05:13","date_gmt":"2025-10-24T16:05:13","guid":{"rendered":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/?post_type=portfolio&#038;p=9234"},"modified":"2026-05-18T17:18:17","modified_gmt":"2026-05-18T17:18:17","slug":"agricultura-camponesa-no-equador-transformacoes-e-resistencias","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/agricultura-camponesa-no-equador-transformacoes-e-resistencias\/","title":{"rendered":"Agricultura camponesa no Equador &#8211; transforma\u00e7\u00f5es e resist\u00eancias"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;60&#8243;][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Agricultura camponesa no Equador &#8211; transforma\u00e7\u00f5es e resist\u00eancias&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761325055966{margin-top: 10px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Benjam\u00edn Macas<\/strong>, <span style=\"color: #333333;\"><strong>Membro da <\/strong><strong>Confederaci\u00f3n Campesina Agroecol\u00f3gica del Ecuador<\/strong><\/span> (CCAE)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tradu\u00e7\u00e3o: Elisa Vasquez e CIDAC<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tempo aproximado de leitura: 18 minutos<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761326061994{margin-top: 10px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As reflex\u00f5es deste artigo s\u00e3o elaboradas a partir do Equador, um pa\u00eds historica e geograficamente localizado na cordilheira dos Andes, e que, de origem, partilha a cultura andino-amaz\u00f3nica que se expande pelos Andes sul-americanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falar aqui de agricultura camponesa remete-nos para a agricultura praticada h\u00e1 milhares de anos, que pode ser definida como o exerc\u00edcio ou pr\u00e1tica da cria\u00e7\u00e3o da vida em comunidades humanas profundamente enraizadas nos Andes e que cultivam n\u00e3o s\u00f3 plantas, \u2018tarpuy\u2019<strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>1<\/sup><\/span><\/strong>, nem apenas animais, \u2018uywai\u2019, mas tamb\u00e9m sementes, \u2018muju\u2019, solo, \u2018allpa\u2019, \u00e1gua, \u2018yaku\u2019, floresta, \u2018sacha sacha\u2019. Ou seja, a cria\u00e7\u00e3o do \u2018kawsay\u2019, do todo vivente, que produz alimentos para a subsist\u00eancia familiar e que gera excedentes para o mercado. Aqui, a agricultura camponesa resulta da mesti\u00e7agem desta base da agricultura andina ancestral.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761326082498{margin-top: 10px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dos anos 90, come\u00e7a-se a promover um conceito pr\u00f3ximo mas com um significado diferente. Referimo-nos \u00e0 agricultura familiar camponesa, que ganhou for\u00e7a a partir de 2019 com a <a href=\"https:\/\/www.fao.org\/portugal\/noticias\/detail\/en\/c\/1190871\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">declara\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada da agricultura familiar<\/span><\/strong><\/a> pela FAO. A agricultura familiar descreve outra realidade: a instala\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias migrantes da Europa que, no s\u00e9culo XIX, atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es de conquista e\/ou coloniza\u00e7\u00e3o se estabeleceram nos territ\u00f3rios do que s\u00e3o, hoje, os Estados Unidos. Em tempos mais recentes, ao longo do s\u00e9culo XX, ocorrem processos semelhantes nos pa\u00edses do Cone Sul: Chile, Argentina, etc., tendo como refer\u00eancia o n\u00facleo familiar em vez da comunidade, mais propensos a incorporar a l\u00f3gica empresarial em vez da racionalidade comunit\u00e1ria andina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema reside que, com este conceito, pretende-se substituir o de agricultura camponesa, enfraquecer a luta hist\u00f3rica do campesinato como classe, semeando confus\u00e3o. O que por sua vez gera a necessidade de se promover um debate para estabelecer as intencionalidades presentes e estabelecer clareza e dire\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas dos processos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro conceito que estar\u00e1 presente nesta an\u00e1lise \u00e9 o de agricultura industrial, que se refere \u00e0 agricultura empresarial e que est\u00e1 ligada \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o, ao com\u00e9rcio e ao fomento do consumo. Aqui falamos de forma gen\u00e9rica de agroneg\u00f3cios. E passa, igualmente, pela expropria\u00e7\u00e3o dos e das camponesas por meio da modalidade de agricultura por contrato<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>2<\/sup><\/strong><\/span>. Existindo ainda uma terceira variante que \u00e9 a agricultura tradicional olig\u00e1rquica orientada para a exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas. Todas s\u00e3o geridas segundo a l\u00f3gica capitalista, em que a prioridade \u00e9 o mercado, a rentabilidade e a acumula\u00e7\u00e3o de capital, acima de tudo o resto.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761326009516{margin-top: 10px !important;}&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>1<\/sup><\/span><\/strong> NT: os voc\u00e1bulos est\u00e3o em l\u00edngua quechua cusque\u00f1o, dialeto moderno da l\u00edngua quechua.<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>2<\/sup><\/span><\/strong> NT: a agricultura por contrato, muito presente nos pa\u00edses do sul global, baseia-se no estabelecimento de um acordo de compra e venda, em regime de exclusividade, entre agricultores\/as e compradores, em que se especificam as condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o, como o pre\u00e7o, a quantidade, a qualidade e as datas de entrega dos produtos. Um dos argumentos a favor desta modalidade de comercializa\u00e7\u00e3o \u00e9 a da integra\u00e7\u00e3o dos pequenos e pequenas agricultoras nos mercados locais, nacionais e globais. No entanto, dada a rela\u00e7\u00e3o desigual de poder, na realidade este tipo de contrato representa mais uma forma de injusti\u00e7a comercial. Para saber mais aconselhamos a leitura de \u201c<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/oficinaglobal.org\/2023\/05\/30\/a-agricultura-por-contrato-esta-em-toda-parte-mas-como-afeta-as-relacoes-agrarias-no-sul-global\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A agricultura por contrato est\u00e1 em toda parte, mas como afeta as rela\u00e7\u00f5es agr\u00e1rias no Sul Global?<\/a><\/strong><\/span>\u201d<\/span><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;Contexto&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761326245934{margin-top: 10px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761326665244{margin-top: 10px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos abordar, de seguida, tr\u00eas blocos de transforma\u00e7\u00f5es que ocorreram no pa\u00eds, que afetam a estrutura agr\u00e1ria e a agricultura camponesa, e em que se ir\u00e3o focar as presentes reflex\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro bloco situa-se a partir dos anos 70, com a aplica\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas neoliberais. O Equador tem sido um pa\u00eds tradicionalmente exportador de produtos prim\u00e1rios como o cacau ou a banana, mas na d\u00e9cada de 70 come\u00e7ou a ser autossuficiente em energia f\u00f3ssil e a exportar excedentes de petr\u00f3leo. Esses recursos permitiram incorporar uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as na estrutura agr\u00e1ria do pa\u00eds, ampliando tanto a infraestrutura agroexportadora como um mercado consumidor, que s\u00e3o considerados como parte do processo de &#8220;moderniza\u00e7\u00e3o&#8221; da agricultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destacamos alguns tra\u00e7os deste processo: a expans\u00e3o da \u00e1rea de monoculturas, especialmente de banana, flores e camar\u00e3o; o surgimento e a consolida\u00e7\u00e3o de monop\u00f3lios do agroneg\u00f3cio, como o <span style=\"color: #6a096a;\"><strong><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/pronaca.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pronaca<\/a><\/strong><\/span>, um cons\u00f3rcio empresarial que encadeia agricultura de contrato, cria\u00e7\u00e3o de animais, fabrico e distribui\u00e7\u00e3o de insumos, e venda ao p\u00fablico, especialmente de subprodutos animais.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>3<\/sup><\/span><\/strong> Hollenstein, P. El mercado agroalimentario en disputa. Tese de doutoramento. UASB, 2017<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>4 <\/sup><\/span><\/strong>Saltos, N. Pol\u00edticas y modelos agrarios en el Ecuador: entre la modernizaci\u00f3n y la reforma. Quito, 2011.<\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>5 <\/sup><\/span><\/strong>O primeiro acordo de com\u00e9rcio livre foi assinado com a UE em novembro de 2016. Depois, foram assinados tratados de menor import\u00e2ncia. Em janeiro de 2024, foi assinado um ACL com a China, visando diretamente a explora\u00e7\u00e3o de metais, e no in\u00edcio de 2025 foi anunciado que as negocia\u00e7\u00f5es est\u00e3o bastante avan\u00e7adas para a assinatura de um ACL com o Canad\u00e1 tamb\u00e9m destinado \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de metais.<\/span>[\/vc_column_text][vc_single_image image=&#8221;9811&#8243; img_size=&#8221;large&#8221; onclick=&#8221;custom_link&#8221; css=&#8221;&#8221; link=&#8221;https:\/\/www.facebook.com\/watch\/?v=528246653685535&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761334992371{margin-top: -10px !important;}&#8221;]<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/watch\/?v=528246653685535\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Los ojos de la tierra<\/a><\/strong><\/span>, v\u00eddeo de Red Agroecol\u00f3gica de Loja e <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100079898521636\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>IRSUR &#8211; Instituto de Ruralidades del Sur<\/strong><\/a><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devido \u00e0s implica\u00e7\u00f5es que t\u00eam para a agricultura camponesa, importa referir que os mercados municipais (que t\u00eam sido geridos por pequenos intermedi\u00e1rios de origem popular das cidades, e que t\u00eam funcionado como recetores, aliados dos produtos camponeses, para abastecer as cidades) t\u00eam sofrido, desde os anos 70, uma restri\u00e7\u00e3o tipo pin\u00e7a por parte das cadeias de supermercados que se instalam \u00e0 sua volta, enfraquecendo e sufocando o funcionamento desses mercados populares e camponeses<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>3<\/sup><\/strong><\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo bloco de transforma\u00e7\u00f5es ocorreu a partir de 2000, na opini\u00e3o de analistas nacionais<strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>4<\/sup><\/span><\/strong>, quando houve um esgotamento dos ajustes estruturais do FMI, para dar lugar a uma variante do liberalismo que tem interesse nos territ\u00f3rios e tamb\u00e9m na disciplina e controle pol\u00edtico das sociedades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Processos que ocorreram tamb\u00e9m em torno da elabora\u00e7\u00e3o da nova Constitui\u00e7\u00e3o, a partir de 2007, em que paradoxalmente existiram alguns avan\u00e7os, como a incorpora\u00e7\u00e3o dos direitos da natureza ou da soberania alimentar. Acima de tudo, estes processos lan\u00e7aram as bases para o desmantelamento da agricultura camponesa, buscando vincul\u00e1-la \u00e0s cadeias de valor dos agroneg\u00f3cios que monopolizam tanto o mercado interno como a agroexporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma, a transi\u00e7\u00e3o do rendimento decrescente do petr\u00f3leo para o rendimento oriundo da minera\u00e7\u00e3o de metais, atrav\u00e9s da abertura ao capital mineiro, d\u00e1-se atrav\u00e9s da entrega de grandes superf\u00edcies de p\u00e1ramos, florestas e selvas, que s\u00e3o \u00e1reas de recarga de \u00e1gua e de produ\u00e7\u00e3o de alimentos b\u00e1sicos, nos Andes. D\u00e1-se, assim, in\u00edcio \u00e0 \u00e9poca dos acordos de com\u00e9rcio livre<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>5<\/sup><\/strong><\/span> \u2013 ACL \u2013 enquanto instrumentos geopol\u00edticos que articulam a espolia\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria e mineira, procurando o acesso aos mercados agroexportadores de produtos equatorianos, com tarifas reduzidas, em troca da garantia de investimentos de capital estrangeiro focados na minera\u00e7\u00e3o de metais e nas infraestruturas necess\u00e1rias como estradas, energia, eixos hidroel\u00e9tricos, conectividade, abastecimento log\u00edstico, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro bloco de transforma\u00e7\u00f5es come\u00e7ou em 2017 com o surgimento de governos de direita e neoliberais, durante o qual se foi formando o chamado Narcoestado, que instrumentaliza a viol\u00eancia dos cart\u00e9is de drogas para legitimar o exerc\u00edcio da viol\u00eancia, para reprimir e criminalizar a resist\u00eancia dos povos, e dar lugar a reformas constitucionais para eliminar direitos e apoios p\u00fablicos, privatizar bens comuns sociais e dar lugar \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o mineira em larga escala, incluindo a inten\u00e7\u00e3o de instalar bases militares dos EUA. Parte dessas pol\u00edticas deu origem \u00e0s recentes mobiliza\u00e7\u00f5es nacionais de setembro de 2025 <strong><span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/www.amnesty.org\/es\/latest\/news\/2025\/10\/ecuador-alerta-por-represion-a-protestas-independencia-judicial-y-desapariciones-forzadas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fortemente reprimidas pelo Estado<\/a><\/span><\/strong>.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Agricultura camponesa frente ao avan\u00e7o da moderniza\u00e7\u00e3o da agricultura&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761330830536{margin-top: 30px !important;margin-bottom: 10px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761331225769{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na opini\u00e3o de Natalia Sierra<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>6<\/sup><\/strong><\/span>, no per\u00edodo do governo dito progressista que se manteve no poder cerca de 10 anos (2007-2017), o que se procurou foi a recupera\u00e7\u00e3o e o fortalecimento do Estado, num contexto geopol\u00edtico de abertura e articula\u00e7\u00e3o com os novos polos de acumula\u00e7\u00e3o na \u00c1sia, e que exigem &#8220;um processo de racionaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica capitalista de todas as \u00e1reas da vida&#8221; para as quais \u00e9 necess\u00e1ria a interven\u00e7\u00e3o total do Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso \u00e9 feito atrav\u00e9s de pol\u00edticas de interven\u00e7\u00e3o para promover a competitividade (com a cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Produ\u00e7\u00e3o, Emprego e Competitividade), e da inger\u00eancia estatal para criar as condi\u00e7\u00f5es para uma agricultura mercantil, ou seja, intervir para provocar a amplia\u00e7\u00e3o do mercado e operar no mundo da vida agr\u00e1ria andino-amaz\u00f3nica para desmantelar a l\u00f3gica produtiva dos nossos povos e vincul\u00e1-lo a este mercado em expans\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O objetivo \u00faltimo desta coloniza\u00e7\u00e3o \u00e9 que as unidades produtivas tenham uma l\u00f3gica empresarial, acompanhada de uma adapta\u00e7\u00e3o do quadro legal, para garantir a aplica\u00e7\u00e3o do modelo econ\u00f3mico \u00e0s exig\u00eancias do capital internacional.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;9598&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761655635641{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761655624756{margin-top: 0px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">&#8220;<span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Minga<\/strong><\/span>\u201d (ajudada ou trabalho coletivo) camponesa para a colheita de amendoim, em Catacocha, Equador<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761331460826{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para isso, foram promulgadas, na d\u00e9cada de 2010, leis sobre \u00e1gua, terra, minera\u00e7\u00e3o, soberania alimentar, ensino secund\u00e1rio e superior. Na d\u00e9cada de 2020, por seu lado, foram redigidas novas leis, como a da agricultura familiar acima referida, e outras voltadas diretamente para o controle, disciplina e criminaliza\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia, como as leis recentemente promulgadas chamadas de \u201cintegralidade\u201d (que visam a demiss\u00e3o de funcion\u00e1rios\/as p\u00fablicos\/as), de \u201csolidariedade\u201d (que visam criminalizar a resist\u00eancia), de \u201cintelig\u00eancia\u201d (espionagem de comunica\u00e7\u00f5es e interven\u00e7\u00e3o digital) e de \u201crecupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas protegidas\u201d (mas que visam a privatiza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas protegidas).<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Campesinato e agroecologia&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761331605866{margin-top: 20px !important;margin-bottom: 20px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761434087478{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00e2mbito das lutas de resist\u00eancia pela defesa da soberania alimentar, na d\u00e9cada de 90 come\u00e7ou a tomar forma um movimento agroecol\u00f3gico, constitu\u00eddo maioritariamente por mulheres trabalhadoras camponesas e ind\u00edgenas, em torno da promo\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, de mercados locais e feiras de trocas e de sistemas participativos de garantia<sup>7<\/sup> para garantir a qualidade dos produtos agroecol\u00f3gicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um per\u00edodo marcante dessa luta foram as mobiliza\u00e7\u00f5es e a participa\u00e7\u00e3o no processo constituinte que permitiu a incorpora\u00e7\u00e3o da soberania alimentar na nova Constitui\u00e7\u00e3o do Equador de 2008 como objetivo priorit\u00e1rio do Estado, e a posterior aprova\u00e7\u00e3o da Lei da soberania alimentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma luta que assumiu v\u00e1rias formas: a acima mencionada, durante o processo constituinte de 2008; a luta nas ruas para resistir a pol\u00edticas ou \u00e0 <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/resistencia-aos-acordos-de-comercio-livre-a-experiencia-do-equador\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>assinatura de tratados lesivos como os ACLs<\/strong><\/a><\/span>; a promo\u00e7\u00e3o da agroecologia como a autonomia da agricultura em rela\u00e7\u00e3o ao mercado; a alian\u00e7a fraterna com os e as consumidoras da cidade para abrir mercados agroecol\u00f3gicos locais; e a constru\u00e7\u00e3o de tecido social, como \u00e9 o caso da forma\u00e7\u00e3o da Confederaci\u00f3n Campesina Agroecol\u00f3gica del Ecuador (CCAE), em dezembro de 2020, e que garante a representa\u00e7\u00e3o das mulheres trabalhadoras camponesas, para promover a agroecologia no \u00e2mbito da defesa da soberania alimentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem, igualmente, existido uma luta permanente das organiza\u00e7\u00f5es agroecol\u00f3gicas para manterem a sua autonomia em rela\u00e7\u00e3o ao Estado, para tentar avan\u00e7ar ampliando experi\u00eancias e, no quadro pol\u00edtico, para enfrentar as pol\u00edticas neoliberais e resistir \u00e0 sujei\u00e7\u00e3o do campesinato ao extrativismo agr\u00e1rio e mineiro.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_empty_space][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761332037130{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>6<\/sup><\/span><\/strong> Serra, N. Los \u201cgobiernos progresistas\u201d de Am\u00e9rica latina, la avanzada del posneoliberalismo. Quito, 2011.<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>7<\/sup><\/span><\/strong> NT: os sistemas participativos de garantia (SPG) s\u00e3o uma alternativa aos sistemas de certifica\u00e7\u00e3o estatais ou intemediados por empresas de certifica\u00e7\u00e3o. Juntam pessoas produtoras e consumidoras na defini\u00e7\u00e3o do que s\u00e3o, para elas, crit\u00e9rios de qualidade do processo produtivo, e na monitoriza\u00e7\u00e3o conjunta dos mesmos. Estes sistemas procuram criar interconhecimento e confian\u00e7a entre os atores envolvidos na produ\u00e7\u00e3o de comida, em vez de \u201cterceirizar\u201d essa confian\u00e7a, por exemplo atrav\u00e9s das referidas empresas de certifica\u00e7\u00e3o e de selos distintivos (bio ou outros).<\/span><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;Sujeito campon\u00eas &#8211; fragmenta\u00e7\u00e3o, resist\u00eancias e perspetivas para a sua recomposi\u00e7\u00e3o&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761334634012{margin-top: 20px !important;margin-bottom: 20px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1770396550836{margin-top: 10px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na d\u00e9cada de 1970, forma-se um sujeito social campon\u00eas em torno da <span style=\"color: #6a096a;\"><strong><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/www.fenocin.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">FENOCIN<\/a><\/strong><\/span> (Confederaci\u00f3n Nacional de Organizaciones Campesinas, Ind\u00edgenas y Negras) e da resist\u00eancia contra o avan\u00e7o do modelo agr\u00e1rio neoliberal, que atingiu os seus momentos mais altos nas lutas de 2004, numa onda de luta continental que culminou na rejei\u00e7\u00e3o da assinatura do ALCA (Acordo de Livre Com\u00e9rcio das Am\u00e9ricas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma emergiu, na d\u00e9cada de 90, o movimento ind\u00edgena das revoltas de resist\u00eancia pelos 500 anos de conquista lideradas pela <strong><span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/conaie.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CONAIE<\/a><\/span><\/strong> (Confederaci\u00f3n de Nacionalidades Ind\u00edgenas del Ecuador), com a proposta de se consagrarem direitos coletivos e um Estado plurinacional. Lutas que provocaram a queda sucessiva de tr\u00eas governos no ano 2000. Sendo o foco da luta repensar a vis\u00e3o da terra n\u00e3o apenas como um espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o mas como um espa\u00e7o vivo e com preemin\u00eancia da propriedade comunit\u00e1ria da terra<strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>8<\/sup><\/span><\/strong>.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>8<\/sup><\/span><\/strong> Saltos, N. Op. cit.<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>9<\/sup><\/span><\/strong> Houtart, F. La agricultura campesina e ind\u00edgena como transici\u00f3n hacia el bien com\u00fan de la humanidad, el caso de Ecuador. Abril, 2017.<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>10<\/sup><\/span><\/strong> Idem.<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>11<\/sup><\/span><\/strong> Cajas-Guijarro, J. Los capos del comercio, concentraci\u00f3n, poder y acuerdos comerciales en el Ecuador, un preludio. 2.\u00aa ed., 2019, pp.6-8.<\/span><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>12<\/sup><\/span><\/strong>  NT: a integra\u00e7\u00e3o latinoamericana refere-se ao projeto p\u00f3s-independ\u00eancia, de coopera\u00e7\u00e3o, uni\u00e3o ou federa\u00e7\u00e3o entre os Estados do continente americano ex-colonizados pelos Estados europeus. O primeiro grande promotor deste projeto foi Sim\u00f3n Bolivar.<\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, em resultado do processo constituinte, desenvolveram-se tamb\u00e9m fen\u00f3menos que contribu\u00edram para o enfraquecimento do campesinato. Por um lado, deu-se a coopta\u00e7\u00e3o pelo poder pol\u00edtico atrav\u00e9s da concess\u00e3o de regalias, no quadro das institui\u00e7\u00f5es estatais, ou pela incorpora\u00e7\u00e3o direta de l\u00edderes dos movimentos sociais na estrutura do Estado, ou atrav\u00e9s de processos de coopta\u00e7\u00e3o das for\u00e7as sociais para processos eleitorais de curto prazo coarctando a capacidade de se pensar no longo prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na opini\u00e3o de Houtart<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>9<\/sup><\/strong><\/span>, estamos a falar uma d\u00e9cada perdida para o movimento campon\u00eas (2007-2017). Acrescentemos que, a partir de 2017, estamos a assistir a uma segunda d\u00e9cada perdida, com a diferen\u00e7a de que, neste per\u00edodo, come\u00e7ou a articular-se a resist\u00eancia contra o projeto extrativista agr\u00e1rio-mineiro, que come\u00e7a a unir novamente as lutas do movimento ind\u00edgena a par de alguns sinais importantes de reconfigura\u00e7\u00e3o do movimento campon\u00eas. Devemos reconhecer que os objetivos das lutas sociais n\u00e3o foram completamente ignorados<strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>10<\/sup><\/span><\/strong>, mas sujeitos a press\u00f5es, pelo que para a frente haver\u00e1 que esfor\u00e7ar-se em novas perspetivas estrat\u00e9gicas para as lutas.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante destes desafios, o que temos pela frente \u00e9 a continuidade do modelo, na tentativa de passar de uma espolia\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria para um modelo de espolia\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria-mineira. Assim, o que h\u00e1 a fazer \u00e9 interromper, \u00e9 quebrar a continuidade desta linha de espolia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio entender que &#8220;o extrativismo rentista constitui o n\u00facleo da economia e talvez de toda a sociedade equatoriana desde suas origens coloniais&#8221;. Essa realidade tamb\u00e9m &#8220;consolida o imagin\u00e1rio nacional de que o livre com\u00e9rcio \u00e9 o \u00fanico caminho para alcan\u00e7ar o desenvolvimento e, certamente, o falso progresso&#8221;. No fim das contas, o dilema vivido na hist\u00f3ria econ\u00f3mica tem sido: ou mais mercado externo ou mais mercado interno, e at\u00e9 agora tudo \u00e9 orientado pelo e para o primeiro<strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>11<\/sup><\/span><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, o que temos que buscar \u00e9 um modelo de sociedade diferente. Diferente do capitalismo neoliberal ou keynesiano, que n\u00e3o tenha como eixo a inser\u00e7\u00e3o submissa no mercado mundial, e que d\u00ea outro rumo, a partir dos povos, no sentido de fortalecer a produ\u00e7\u00e3o para o mercado interno, n\u00e3o s\u00f3 de alimentos mas de grande parte dos bens industriais de necessidades b\u00e1sicas e que hoje s\u00e3o importados. Orientando para uma abertura, de prefer\u00eancia, \u00e0 integra\u00e7\u00e3o latinoamericana<strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>12<\/sup><\/span><\/strong> e negociando, por essa via, com o mercado global, impulsionando assim a economia e gerando emprego.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;9599&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761655778464{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761655804838{margin-top: 0px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Mercado agroecol\u00f3gico<\/strong><\/span> em Gualaceo, prov\u00edncia de Azuay, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/redagroecoaustro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">Red Agroecol\u00f3gica del Austro<\/span><\/strong><\/a><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso requer o reconhecimento de que, para caminhar para um futuro diferente \u00e9 necess\u00e1rio revalorizar o potencial dos recursos da biodiversidade, dos recursos aliment\u00edcios e medicinais, dos recursos aqu\u00edferos que temos, bem como a diversidade cultural dos povos, os saberes milenares, a mem\u00f3ria de uma longa conviv\u00eancia respeitadora com a natureza, na qual talvez resida o germe da supera\u00e7\u00e3o de uma <em>modernidade<\/em> que tem o <em>progresso<\/em> como horizonte e que est\u00e1 a arrastar-nos para a devasta\u00e7\u00e3o do planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Natalia Sierra, dado que a comunidade andina antes de ser uma subst\u00e2ncia \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o que nos liga enquanto seres humanos, que relaciona o nosso passado &#8216;\u00f1awpa pacha&#8217; e o nosso presente &#8216;Kunan pacha&#8217;, ao qual n\u00f3s acrescentamos um presente aberto ao porvir &#8216;hamuq pacha&#8217; n\u00e3o numa separa\u00e7\u00e3o entre tempo e espa\u00e7o ou num avan\u00e7ar para o futuro desligado do passado e do presente, como tem acontecido tragicamente com a modernidade ocidental, mas um constructo insepar\u00e1vel entre passado-futuro, onde o passado est\u00e1 \u00e0 frente e n\u00f3s caminhamos para o encontro com esse passado onde subjaz o germe do nosso caminho para um futuro de esperan\u00e7a, atualizando princ\u00edpios e modos de vida que tornaram poss\u00edveis civiliza\u00e7\u00f5es e culturas que n\u00e3o entraram numa contradi\u00e7\u00e3o t\u00e3o franca com a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;60&#8243;][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Agricultura camponesa no Equador &#8211; transforma\u00e7\u00f5es e resist\u00eancias&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761325055966{margin-top: 10px !important;}&#8221;] Benjam\u00edn Macas, Membro da Confederaci\u00f3n Campesina Agroecol\u00f3gica del Ecuador (CCAE) Tradu\u00e7\u00e3o: Elisa Vasquez e CIDAC Tempo aproximado de leitura: 18 minutos [\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761326061994{margin-top: 10px !important;}&#8221;] As reflex\u00f5es deste artigo s\u00e3o elaboradas a partir do Equador, um pa\u00eds historica e&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9235,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"h5ap_radio_sources":[],"footnotes":""},"portfolio_category":[297],"portfolio_tag":[],"class_list":["post-9234","portfolio","type-portfolio","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-revista-n-o7"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/9234","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/types\/portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9234"}],"version-history":[{"count":31,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/9234\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10877,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/9234\/revisions\/10877"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9235"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9234"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=9234"},{"taxonomy":"portfolio_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tag?post=9234"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}