{"id":9262,"date":"2025-10-25T18:03:18","date_gmt":"2025-10-25T18:03:18","guid":{"rendered":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/?post_type=portfolio&#038;p=9262"},"modified":"2025-10-31T11:11:27","modified_gmt":"2025-10-31T11:11:27","slug":"a-comida-e-um-assunto-do-povo","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/a-comida-e-um-assunto-do-povo\/","title":{"rendered":"A comida \u00e9 um assunto do povo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;60&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;A comida \u00e9 um assunto do povo&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761655970925{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;Reflex\u00f5es do ciclo de debates &#8220;Os direitos b\u00e1sicos fora do capitalismo&#8220;&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761415868786{margin-bottom: 20px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761909039485{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Patricia Dopazo e Gustavo Duch, <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/www.soberaniaalimentaria.info\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Revista Soberan\u00eda Alimentaria, Biodiversidad y Culturas (SABC)<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fotos: Purificaci\u00f3n Murillo Vasco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tradu\u00e7\u00e3o: Aurora Santos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Texto publicado originalmente no n.\u00ba 53 da Revista SABC, dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.soberaniaalimentaria.info\/numeros-publicados\/94-numero-53\/1290-la-comida-es-un-asunto-del-pueblo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">aqui<\/span><\/strong><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tempo aproximado de leitura: 15 minutos<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mercantiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma palavra que usamos e praticamos habitualmente. Mas temos a certeza do seu significado? Se procurarmos nos dicion\u00e1rios, a quest\u00e3o \u00e9 clara: &#8220;processo de transforma\u00e7\u00e3o de bens em mercadorias com fins lucrativos&#8221;. Ent\u00e3o, se os alimentos s\u00e3o um produto mercantilizado e at\u00e9 especulativo, na medida em que est\u00e3o presentes nas principais bolsas de valores, estamos a assumir que sim, que se pode p\u00f4r um pre\u00e7o aos alimentos e comercializ\u00e1-los com fins lucrativos?<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Direitos discriminados&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761655994149{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761417497779{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem h\u00e1 d\u00e9cadas respondeu a esta pergunta foi <span style=\"color: #6a096a;\"><strong><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/viacampesina.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">La V\u00eda Campesina<\/a><\/strong><\/span> com o seu primeiro lema: &#8220;os alimentos n\u00e3o s\u00e3o uma mercadoria&#8221;. Consideravam que dar-lhes este tratamento, isto \u00e9, assumir que a alimenta\u00e7\u00e3o pode funcionar no quadro capitalista, constitu\u00eda a base das injusti\u00e7as e problem\u00e1ticas sofridas pelo campesinato. Para quem n\u00e3o tem a op\u00e7\u00e3o de produzir comida, aceder a ela apenas pela via da mercantiliza\u00e7\u00e3o implica que uma parte do nosso tempo, com toda a certeza, esteja dedicado a um trabalho remunerado, quer este enrique\u00e7a o tecido da vida, quer n\u00e3o, quer suponha explora\u00e7\u00e3o quer n\u00e3o. Reciprocamente, para quem produz alimentos, o seu objetivo de alimentar a popula\u00e7\u00e3o passa pouco a pouco a centrar-se exclusivamente na sustentabilidade econ\u00f3mica, na procura do m\u00e1ximo rendimento e na competi\u00e7\u00e3o, o que sup\u00f5e intensificar a produ\u00e7\u00e3o com mais fatores de produ\u00e7\u00e3o qu\u00edmicos, mais monocultivos, sal\u00e1rios mais baixos para quem trabalha a terra, etc.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>1<\/sup><\/span><\/strong> NT: Ciclo de debates organizado pela cooperativa El Pa Sencer, em colabora\u00e7\u00e3o com a Revista SABC, entre maio e junho de 2025. As grava\u00e7\u00f5es das quatro sess\u00f5es de debate est\u00e3o dispon\u00edveis no canal Vimeo da Revista SABC (ver links no final do texto).<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>2<\/sup><\/span><\/strong> NT: Experi\u00eancia pedag\u00f3gica da <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Instituci%C3%B3n_Libre_de_Ense%C3%B1anza\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>&#8220;Instituci\u00f3n Libre de Ense\u00f1anza&#8221;<\/strong><\/a><\/span>, criada em Espanha em 1876, com base numa renova\u00e7\u00e3o educativa, cultural e social.<\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>3<\/sup><\/span><\/strong> NT: \u201cPlanta\u00e7\u00e3o\u201d refere-se aqui ao termo cunhado em ingl\u00eas de \u201cplantation\u201d, isto \u00e9, o sistema de explora\u00e7\u00e3o humana e agr\u00edcola criado e implementado pelos pa\u00edses colonizadores, como Portugal, Espanha e Reino Unido, primeiro nos pa\u00edses colonizados no continente americano e, posteriormente, nos continentes africano e asi\u00e1tico. Este sistema ou regime assenta na produ\u00e7\u00e3o de monocultura para exporta\u00e7\u00e3o e em trabalho escravo.<\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como pudemos ouvir no ciclo de webin\u00e1rios &#8220;Os direitos b\u00e1sicos fora do capitalismo<strong><sup>&#8220;<\/sup><\/strong><span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>1<\/sup><\/strong><\/span>, o que acontece com a alimenta\u00e7\u00e3o quando fica submetida a esta ideia de lucro \u00e9 id\u00eantico ao que acontece com outras necessidades b\u00e1sicas tamb\u00e9m soterradas sob o mesmo padr\u00e3o. Setores como o energ\u00e9tico ou o da habita\u00e7\u00e3o acabaram por ser controlados por oligop\u00f3lios e fundos de investimento, e o mesmo sucede com o setor alimentar. O sal\u00e1rio que muitas pessoas recebem \u00e9 totalmente insuficiente para encontrar uma casa digna onde habitar e poder pagar as despesas energ\u00e9ticas para aquec\u00ea-la, assim como n\u00e3o permite adquirir um cabaz b\u00e1sico e suficiente de alimentos de boa qualidade e culturalmente apropriado. \u00c9 uma espiral de explora\u00e7\u00e3o e precariedade. E para a romper, as iniciativas que surgem em qualquer destes setores \u2013 como as <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/justica-climatica-e-futuros-energeticos-justos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>comunidades energ\u00e9ticas<\/strong><\/a><\/span>, as cooperativas de habita\u00e7\u00e3o ou as cooperativas de consumo \u2013 s\u00e3o importantes para demonstrar outras formas de fazer, mas n\u00e3o conseguem sequer incomodar a medula central do sistema capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em contrapartida, chama a aten\u00e7\u00e3o que, nas sociedades do bem-estar, esta l\u00f3gica n\u00e3o se aplique a outras necessidades \u2013 a educa\u00e7\u00e3o ou a sa\u00fade. Uma longa hist\u00f3ria de iniciativas populares de apoio m\u00fatuo e de vis\u00e3o comunit\u00e1ria (as m\u00fatuas, as casas de sa\u00fade e benefic\u00eancia, as &#8220;escolas de livre ensino&#8221;<strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>2<\/sup><\/span><\/strong>) e a sua reivindica\u00e7\u00e3o, foram essenciais para que hoje sejam consideradas &#8220;direitos b\u00e1sicos&#8221; e a sua satisfa\u00e7\u00e3o esteja garantida pelo setor p\u00fablico no Estado espanhol.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1761656135388{background-color: #E5E5E5 !important;}&#8221;][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;Profanar a alimenta\u00e7\u00e3o&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761909080863{margin-top: 0px !important;padding-top: 20px !important;padding-right: 20px !important;padding-bottom: 0px !important;padding-left: 20px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761656096437{margin-top: 0px !important;padding-top: 0px !important;padding-right: 20px !important;padding-bottom: 0px !important;padding-left: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O investigador Horacio Machado afirma que a raiz da crise civilizat\u00f3ria que atravessamos \u00e9 o \u00abregime da planta\u00e7\u00e3o<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>3<\/sup><\/strong><\/span>\u00bb. Nessa rutura, onde se passa do policultivo ao monocultivo, da agricultura (cultura que nasce da terra) \u00e0 \u201cminera\u00e7\u00e3o\u201d agr\u00e1ria, \u00e9 onde se gera verdadeiramente a civiliza\u00e7\u00e3o colonial e o capitalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como explica a bi\u00f3loga Lynn Margulis, n\u00e3o somos seres vivos e sim seres conviventes: precisamos de outros seres para conviver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Somos uma comunidade que conflui para produzir a sua pr\u00f3pria energia, o seu pr\u00f3prio alimento, numa rela\u00e7\u00e3o de simbiose com a terra&#8221;. E, como parte dessa rela\u00e7\u00e3o simbi\u00f3tica, estamos interligadas ao tecido da vida nos circuitos materiais e espirituais pelos quais flui a energia vital que sust\u00e9m a mat\u00e9ria org\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A transforma\u00e7\u00e3o fundamental ocorre na profana\u00e7\u00e3o da comida: converter o alimento numa mercadoria \u00e9 uma profana\u00e7\u00e3o do sistema de vida Terra do qual formamos parte\u00bb, afirmou na sua interven\u00e7\u00e3o na terceira sess\u00e3o do ciclo.&#8221;<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Um assunto p\u00fablico&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761656210955{margin-top: 20px !important;margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761420662345{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto, nos nossos territ\u00f3rios, em diferentes momentos hist\u00f3ricos, a alimenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m teve um tratamento p\u00fablico regulado pelas administra\u00e7\u00f5es. Talvez o exemplo mais paradigm\u00e1tico tenha sido os quinhentos anos \u2013 entre o s\u00e9culo XII e o s\u00e9culo XVIII \u2013 nos quais, na maioria das cidades da Europa, &#8220;gerir a alimenta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o foi um dever assumido pelos munic\u00edpios&#8221;, como explicou Merc\u00e8 Renom a partir dos seus estudos centrados na cidade de Barcelona. E a quest\u00e3o \u00e9 que, tanto nas aldeias como nas cidades, ainda detetamos alguns elementos e figuras que chegaram at\u00e9 ao nosso tempo: edif\u00edcios de antigos celeiros reconvertidos para outros usos, matadouros, peixarias ou talhos municipais, ou os pr\u00f3prios mercados municipais, ainda em funcionamento. Com estas infraestruturas e com a capacidade de legislar em quest\u00f5es alimentares, os munic\u00edpios e os seus governantes regulavam quest\u00f5es cr\u00edticas como os pre\u00e7os, favoreceriam a chegada de alimentos do campo \u00e0 cidade ou, inclusive, podiam impor tarifas para privilegiar o consumo local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evidentemente, as decis\u00f5es tomadas n\u00e3o eram democr\u00e1ticas e nem sempre (eram) justas, mas o controlo mais pr\u00f3ximo que o povo exercia nestas gest\u00f5es aproximava-se do verdadeiro significado do p\u00fablico, cuja raiz etimol\u00f3gica nos relembra que falamos de &#8220;assuntos que dizem respeito ao povo&#8221;.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;9601&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761656324412{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761656353500{margin-top: 0px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Ecomercado de La Ilustraci\u00f3n<\/strong><\/span>, Universidad Pablo de Olavide, Sevilha<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;Interven\u00e7\u00f5es parciais no sistema&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761417782270{margin-top: 20px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761417891659{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas ainda dev\u00edamos retroceder mais no tempo ou mudarmos de lugar para detetar outros modelos econ\u00f3micos completamente diferentes ao que hoje \u00e9 imposto. As chamadas economias camponesas e comunit\u00e1rias, ainda que n\u00e3o igualit\u00e1rias, sustinham-se num conjunto de valores que hoje reconhecemos quando falamos de projetos comunit\u00e1rios, e exprimiam uma forma de pensar em coletivo, em oposi\u00e7\u00e3o ao individualismo e \u00e0 competitividade aos que nos conduz inexoravelmente qualquer proposta mercantilizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inspiradas por estes c\u00e2nones, encontramos muitas das alternativas \u00e0 mercantiliza\u00e7\u00e3o capitalista de direitos b\u00e1sicos, como as cooperativas de consumo em toda a sua diversidade, que se veem, contudo, obrigadas a conviver nos mercados convencionais com os grandes imp\u00e9rios da distribui\u00e7\u00e3o, com os quais \u00e9 muito complicado competir. Al\u00e9m disso, o objetivo de garantir pre\u00e7os justos para as produtoras faz com que algumas destas propostas n\u00e3o possam chegar \u00e0s classes populares. Todas estas iniciativas, t\u00e3o valiosas e inspiradoras, acabam por ter um impacto muito limitado.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761418076360{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<figure class=\"wp-block-embed wp-block-embed-youtube is-type-video is-provider-youtube epyt-figure\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><div class=\"epyt-video-wrapper\"><div  id=\"_ytid_92191\"  width=\"945\" height=\"531\"  data-origwidth=\"945\" data-origheight=\"531\"  data-relstop=\"1\" data-facadesrc=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Bi-zNGHje7w?enablejsapi=1&autoplay=0&cc_load_policy=0&cc_lang_pref=&iv_load_policy=1&loop=0&rel=0&fs=1&playsinline=0&autohide=2&theme=dark&color=red&controls=1&disablekb=0&\" class=\"__youtube_prefs__ epyt-facade no-lazyload\" data-epautoplay=\"1\" ><img data-opt-id=1496366057  fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" data-spai-excluded=\"true\" class=\"epyt-facade-poster skip-lazy\" loading=\"lazy\"  alt=\"YouTube player\"  src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/Bi-zNGHje7w\/maxresdefault.jpg\"  \/><button class=\"epyt-facade-play\" aria-label=\"Play\"><svg data-no-lazy=\"1\" height=\"100%\" version=\"1.1\" viewBox=\"0 0 68 48\" width=\"100%\"><path class=\"ytp-large-play-button-bg\" d=\"M66.52,7.74c-0.78-2.93-2.49-5.41-5.42-6.19C55.79,.13,34,0,34,0S12.21,.13,6.9,1.55 C3.97,2.33,2.27,4.81,1.48,7.74C0.06,13.05,0,24,0,24s0.06,10.95,1.48,16.26c0.78,2.93,2.49,5.41,5.42,6.19 C12.21,47.87,34,48,34,48s21.79-0.13,27.1-1.55c2.93-0.78,4.64-3.26,5.42-6.19C67.94,34.95,68,24,68,24S67.94,13.05,66.52,7.74z\" fill=\"#f00\"><\/path><path d=\"M 45,24 27,14 27,34\" fill=\"#fff\"><\/path><\/svg><\/button><\/div><\/div><\/div><\/figure><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Macela, Celina da Piedade<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As compras p\u00fablicas que a administra\u00e7\u00e3o leva a cabo para a distribui\u00e7\u00e3o de alimentos nas cantinas escolares, hospitais ou centros de dia, demonstram que, se existir vontade pol\u00edtica, podem ser articulados sistemas alimentares \u00e0 margem dos grandes mercados, mesmo que atinjam apenas uma pequena parte da popula\u00e7\u00e3o. Na maior parte dos casos, estes sistemas p\u00fablicos t\u00eam muito para melhorar, j\u00e1 que, por exemplo, costumam priorizar a melhor oferta econ\u00f3mica, apoiando, assim, produ\u00e7\u00f5es alimentares industriais de question\u00e1vel qualidade que, pelos seus reduzidos pre\u00e7os e a sua capacidade administrativa, s\u00e3o escolhidas em detrimento das produ\u00e7\u00f5es camponesas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma, tamb\u00e9m poder\u00edamos dizer que, atrav\u00e9s de subs\u00eddios como os fundos da Pol\u00edtica Agr\u00edcola Comum (PAC), os governos europeus disp\u00f5em de instrumentos pol\u00edticos para intervir no sistema alimentar. No entanto, temos visto nestas d\u00e9cadas como esta interven\u00e7\u00e3o acabou por se centrar precisamente na consolida\u00e7\u00e3o da agricultura dos grandes latifundi\u00e1rios, controlada pelo e para o rendimento do capital.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Caixas alimentares comunit\u00e1rias&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761418822566{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos aspirar a sistemas alimentares desmercantilizados que devolvam \u00e0 comida o valor sagrado que nunca devia ter perdido? Hoje em dia, existem mecanismos democr\u00e1ticos e populares que permitam levantar de baixo para cima um sistema alimentar para toda a popula\u00e7\u00e3o, baseado nas produ\u00e7\u00f5es camponesas? Reaprendendo a linguagem, podemos conjugar juntas as palavras <em>comum, p\u00fablico e cooperativo<\/em>?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00e9 o esp\u00edrito que encontramos ao nos aproximarmos da proposta francesa da <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/securite-sociale-alimentation.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Seguran\u00e7a Social da Alimenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a><\/span> (SSA). David Fimat, que participa na experi\u00eancia piloto da <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/caisse-alimentaire-ssa-gironde.fr\/?PagePrincipale\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Caisse commune de l\u2019alimentation<\/strong><\/a><\/span>, em Gironde, explica que a quest\u00e3o central passa pela cria\u00e7\u00e3o das caixas comunit\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo esta ideia, as experi\u00eancias piloto de SSA conformam-se \u00e0 volta de um grupo de pessoas \u2013 que podiam ser o reflexo de uma sociedade a pequena escala \u2013 que decide <em>socializar<\/em> a sua alimenta\u00e7\u00e3o para que ningu\u00e9m fique sem alimentos e para garantir a vida do campesinato. Para isso, tendo como exemplo o funcionamento dos sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade ou educa\u00e7\u00e3o, <em>enchem<\/em> uma caixa comum a partir das contribui\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias de cada pessoa, em fun\u00e7\u00e3o da sua realidade econ\u00f3mica (umas mais, outras menos, como acontece com as contribui\u00e7\u00f5es para a seguran\u00e7a social). A esta caixa soma-se tamb\u00e9m a contribui\u00e7\u00e3o de alguns \u00f3rg\u00e3os de administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica comprometidos com o projeto e as contribui\u00e7\u00f5es de algumas empresas locas, n\u00e3o s\u00f3 para aumentar os recursos da caixa, mas sobretudo para demonstrar a import\u00e2ncia do pr\u00f3prio povo recuperar o poder de decis\u00e3o sobre como gerir os recursos p\u00fablicos, fruto de outras tributa\u00e7\u00f5es como os impostos a empresas, o IVA, etc.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_single_image image=&#8221;9267&#8243; img_size=&#8221;large&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761656424388{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761656436684{margin-top: 0px !important;}&#8221;]A <span style=\"color: #6a096a;\"><strong>venda direta<\/strong><\/span> assegura pre\u00e7os justos, rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a e legumes de temporada.[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez alcan\u00e7ado este primeiro objetivo de uma <em>caixa comunit\u00e1ria<\/em> \u2013 n\u00e3o isento de uma mudan\u00e7a de mentalidade -, o seguinte passo \u00e9 <em>co-decidir<\/em> a sua gest\u00e3o. Em assembleia, esta pequena comunidade deve tomar v\u00e1rias decis\u00f5es. Em primeiro lugar, decidir a quantia econ\u00f3mica e igualit\u00e1ria que cada pessoa ir\u00e1 receber do total angariado, num exerc\u00edcio de <em>redistribui\u00e7\u00e3o<\/em> da riqueza. Nos modelos te\u00f3ricos desenhados pelos coletivos de apoio \u00e0 SSA, o valor orientativo \u00e9 de 150\u20ac por m\u00eas por pessoa adulta, incorporados a um cart\u00e3o que chamam Vitale.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1761420055859{margin-top: 30px !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, as pr\u00f3prias pessoas que fazem parte da caixa t\u00eam o direito de, democraticamente, chegar a um acordo sobre onde adquirir os alimentos, pagando-os com a quantia no cart\u00e3o. Segundo David, &#8220;acaba por ser, como acontece com os m\u00e9dicos da Seguran\u00e7a Social, o estabelecer um acordo com os profissionais, agricultores e agricultoras, que nos abastecem de alimentos&#8221;. Ou seja, constr\u00f3i-se um pequeno sistema social que apoia um modelo de produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o, e consensualiza que pre\u00e7os pagar para valorizar a sua dedica\u00e7\u00e3o como deve ser. E n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil escolher, dado que na maioria das cidades existem experi\u00eancias de economia social e solid\u00e1ria que, ao se integrarem neste esquema, assumem uma import\u00e2ncia fundamental: os projetos de &#8220;agricultura apoiada pela comunidade&#8221;<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>4<\/sup><\/strong><\/span>, os mercados camponeses, as cooperativas de consumo, os supermercados de base cooperativa e sem \u00e2nimo de lucro, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto se est\u00e3o a desenvolver as primeiras experi\u00eancias \u2013 contava David -, v\u00e3o sendo detetadas as barreiras que permitem pensar melhor todo o funcionamento da proposta, especialmente como incorporar varia\u00e7\u00f5es em fun\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es conjunturais, sociais ou territoriais.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>4 <\/sup><\/span><\/strong> NT: Agricultura apoiada pela comunidade (CSA em ingl\u00eas), Associa\u00e7\u00e3o de Manuten\u00e7\u00e3o da Agricultura Camponesa (AMAP em franc\u00eas) s\u00e3o iniciativas idealizadas e postas em pr\u00e1tica, em diferentes pa\u00edses, unindo pessoas produtoras e consumidoras na produ\u00e7\u00e3o de alimento, partilhando riscos e responsabilidades. Este tipo de iniciativa visa, por um lado, garantir o rendimento dos e das agricultoras, e, por outro, aprofundar as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o-consumo, tornando as pessoas consumidoras parte do processo produtivo, indo al\u00e9m do mero pagamento dos produtos. <\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;9602&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761656568611{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761656590018{margin-top: 0px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/laborrajadesanlucar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Loja da Associa\u00e7\u00e3o La Borraja<\/strong><\/span><\/a>, Sanl\u00facar de Barrameda, C\u00e1diz<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761419464959{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ponto, pode visualizar-se um caminho de duas vias. Por um lado, na medida em que as experi\u00eancias locais funcionam, dever-se-ia procurar apoio das administra\u00e7\u00f5es locais para ativar este sistema. N\u00e3o para nele intervirem, mas para legitim\u00e1-lo e apoiar a sua multiplica\u00e7\u00e3o. Como diriam os e as zapatistas: o povo manda e o governo obedece. Podemos imaginar, a m\u00e9dio prazo, uma rede de munic\u00edpios que facilite o espa\u00e7o e os instrumentos para que a popula\u00e7\u00e3o organizada desenvolva pol\u00edticas p\u00fablicas alimentares e agroecol\u00f3gicas, baseadas nos princ\u00edpios da solidariedade e da soberania alimentar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, a ideia de um sistema alimentar p\u00fablico, comunit\u00e1rio e cooperativo, desprovido de \u00e2nimo de lucro, parece reunir todos os elementos para impugnar o modelo mercantilista e capitalista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. Na medida em que a sociedade organizada amplifique e divulgue esta proposta \u2013 junto de quem defende a habita\u00e7\u00e3o, os cuidados ou a energia p\u00fablica -, poder\u00e1 fazer tremer o modelo alimentar capitalista.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Para saber mais&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761420614014{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Grava\u00e7\u00f5es das quatro sess\u00f5es de debate<\/strong> a que o texto se refere est\u00e3o dispon\u00edveis no canal Vimeo da Revista SABC:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. <span style=\"color: #6a096a;\"><strong><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/vimeo.com\/1085933164?p=0s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">La memoria. No todo fue neoliberalismo.<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. <a href=\"https:\/\/vimeo.com\/1086303280\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">La actualidad. Las demandas de los movimientos por la vivienda, los cuidados y la energ\u00eda.<\/span><\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. <a href=\"https:\/\/vimeo.com\/1088683489\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">El alimento como v\u00ednculo con la tierra<\/span><\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. <a href=\"https:\/\/vimeo.com\/1090764262\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">Propuestas para desmercantilizar la alimentaci\u00f3n<\/span><\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre a Seguran\u00e7a Social Alimentar<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/securite-sociale-alimentation.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">Collectif pour une S\u00e9curit\u00e9 sociale de l\u2019alimentation<\/span><\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paula Ferreira, <a href=\"https:\/\/www.reseau-salariat.info\/articles\/article_ssa_par_la_mutualite_francaise\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">Pour une S\u00e9curit\u00e9 Sociale de l\u2019Alimentation<\/span><\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">St\u00e9phanie Chiron e Patricia Dopazo,<a href=\"https:\/\/www.soberaniaalimentaria.info\/numeros-publicados\/76-numero-40\/859-el-futuro-de-la-alimentacion-es-la-democracia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"> El futuro de la alimentaci\u00f3n es la democracia &#8211; El proyecto de Seguridad Social de la Alimentaci\u00f3n en Francia<\/span><\/strong><\/a>, SABC<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;60&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;A comida \u00e9 um assunto do povo&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761655970925{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;Reflex\u00f5es do ciclo de debates &#8220;Os direitos b\u00e1sicos fora do capitalismo&#8220;&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761415868786{margin-bottom: 20px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761909039485{margin-top: 20px !important;}&#8221;] Patricia Dopazo e Gustavo Duch, Revista Soberan\u00eda Alimentaria, Biodiversidad y Culturas (SABC) Fotos: Purificaci\u00f3n Murillo Vasco Tradu\u00e7\u00e3o: Aurora Santos Texto publicado originalmente&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9264,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"h5ap_radio_sources":[],"footnotes":""},"portfolio_category":[297],"portfolio_tag":[],"class_list":["post-9262","portfolio","type-portfolio","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-revista-n-o7"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/9262","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/types\/portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9262"}],"version-history":[{"count":27,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/9262\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9839,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/9262\/revisions\/9839"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9264"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9262"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=9262"},{"taxonomy":"portfolio_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tag?post=9262"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}