{"id":9485,"date":"2025-10-26T20:45:19","date_gmt":"2025-10-26T20:45:19","guid":{"rendered":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/?post_type=portfolio&#038;p=9485"},"modified":"2025-11-03T11:00:18","modified_gmt":"2025-11-03T11:00:18","slug":"e-para-o-gasto-da-casa-desafiando-nocoes-de-economia","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/e-para-o-gasto-da-casa-desafiando-nocoes-de-economia\/","title":{"rendered":"\u201c\u00c9 para o gasto da casa\u201d &#8211; Desafiando no\u00e7\u00f5es de economia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;60&#8243;][vc_custom_heading text=&#8221;\u201c\u00c9 para o gasto da casa\u201d &#8211; Desafiando no\u00e7\u00f5es de economia&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761658403324{margin-top: 0px !important;}&#8221;]<strong>CIDAC<\/strong><\/p>\n<p>Tempo aproximado de leitura: 21 minutos[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1761512028733{margin-top: 20px !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761519866861{margin-top: -10px !important;}&#8221;]<figure class=\"wp-block-embed wp-block-embed-youtube is-type-video is-provider-youtube epyt-figure\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><div class=\"epyt-video-wrapper\"><div  id=\"_ytid_80131\"  width=\"945\" height=\"531\"  data-origwidth=\"945\" data-origheight=\"531\"  data-relstop=\"1\" data-facadesrc=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TKhw4hCLQK0?enablejsapi=1&autoplay=0&cc_load_policy=0&cc_lang_pref=&iv_load_policy=1&loop=0&rel=0&fs=1&playsinline=0&autohide=2&theme=dark&color=red&controls=1&disablekb=0&\" class=\"__youtube_prefs__ epyt-facade no-lazyload\" data-epautoplay=\"1\" ><img data-opt-id=1877050377  fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" data-spai-excluded=\"true\" class=\"epyt-facade-poster skip-lazy\" loading=\"lazy\"  alt=\"YouTube player\"  src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/TKhw4hCLQK0\/maxresdefault.jpg\"  \/><button class=\"epyt-facade-play\" aria-label=\"Play\"><svg data-no-lazy=\"1\" height=\"100%\" version=\"1.1\" viewBox=\"0 0 68 48\" width=\"100%\"><path class=\"ytp-large-play-button-bg\" d=\"M66.52,7.74c-0.78-2.93-2.49-5.41-5.42-6.19C55.79,.13,34,0,34,0S12.21,.13,6.9,1.55 C3.97,2.33,2.27,4.81,1.48,7.74C0.06,13.05,0,24,0,24s0.06,10.95,1.48,16.26c0.78,2.93,2.49,5.41,5.42,6.19 C12.21,47.87,34,48,34,48s21.79-0.13,27.1-1.55c2.93-0.78,4.64-3.26,5.42-6.19C67.94,34.95,68,24,68,24S67.94,13.05,66.52,7.74z\" fill=\"#f00\"><\/path><path d=\"M 45,24 27,14 27,34\" fill=\"#fff\"><\/path><\/svg><\/button><\/div><\/div><\/div><\/figure><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Travessia do deserto, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, S\u00e9rgio Godinho e Fausto Bordalo Dias<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u201cPara compreender dimenso\u0303es na\u0303o-econo\u0302micas da economia camponesa e\u0301 preciso antes relativizar a pro\u0301pria noc\u0327a\u0303o de economia. Necessita-se de uma abordagem em que a economia seja vista enquanto parte constituinte das relac\u0327o\u0303es sociais, ou seja, deve-se ter uma visa\u0303o diferenciada do conjunto de relac\u0327o\u0303es que permeia o tecido social, dando um cara\u0301ter mais amplo a\u0300 economia, para ale\u0301m de uma perspectiva neocla\u0301ssica, em que a economia e\u0301 vista como esfera auto\u0302noma da vida social.\u201d<\/em><br \/>\nE. e K. Woortman[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando pensamos em economia o que nos vem \u00e0 cabe\u00e7a? Trabalho, sal\u00e1rio, lucro, dificuldades, pessoas ricas, pobres, mercados, bolsas, poupan\u00e7as, dinheiro, cr\u00e9dito, d\u00e9bito, bancos, contas, produ\u00e7\u00e3o, consumo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Economia, na raiz grega da palavra, significa \u201ca gest\u00e3o da casa\u201d (<em>oikos<\/em>), no\u00e7\u00e3o que foi evoluindo para \u201cgest\u00e3o dos recursos existentes para dar resposta \u00e0s necessidades\u201d. E assume, hoje, m\u00faltiplos significados, estando muito longe da gest\u00e3o da casa e do colmatar das necessidades b\u00e1sicas dos seres humanos (pelo menos, de alguns).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das principais necessidades b\u00e1sicas dos seres vivos \u00e9 alimentar-se. O alimento est\u00e1 na base da nossa exist\u00eancia f\u00edsica (social, cultural). Sem alimento pouco podemos fazer. No entanto, quantos de n\u00f3s fazemos o nosso pr\u00f3prio alimento? Quem produz o arroz ou as cenouras que come? N\u00e3o precisamos de o fazer porque algu\u00e9m \u2013 ou qui\u00e7\u00e1 uma m\u00e1quina &#8211; o far\u00e1 por n\u00f3s&#8230; Grande parte da popula\u00e7\u00e3o delega uma dimens\u00e3o fundamental da sua vida: a produ\u00e7\u00e3o do alimento (apenas 26% da popula\u00e7\u00e3o mundial trabalha na agricultura, <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/openknowledge.fao.org\/server\/api\/core\/bitstreams\/d784864f-7f28-49d2-903e-6680d09a9d97\/content\/cd2971en.html#chapter-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>dados 2022, FAO<\/strong><\/a><\/span>) e, aparentemente, isso \u00e9 positivo. Tal como nos contam, deixar de trabalhar a terra, de fazer o alimento, foi e \u00e9 uma liberta\u00e7\u00e3o. Mas se n\u00e3o o fazemos, como fazemos para nos alimentarmos? Compramos.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compramos comida que, muitas vezes, \u00e9 produzida, transformada, metabolizada atrav\u00e9s de continentes. E se o metabolismo p\u00e1ra? Temos ainda mem\u00f3ria dos tempos do COVID, em que ouvimos falar de cadeias de abastecimento interrompidas e de rupturas de stocks. Pouco tempo depois, com a guerra na Ucr\u00e2nia, os pre\u00e7os de alguns alimentos dispararam, porque se perdera o acesso aos cereais ucranianos. Tamb\u00e9m durante os confinamentos, muitas pessoas come\u00e7aram a fazer p\u00e3o, outras, com acesso a terra, hortas. Algumas para passarem o tempo, outras para cuidarem da sua subsist\u00eancia. Embora fujamos constantemente desse estado: o da subsist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contam-nos que a hist\u00f3ria da Humanidade \u00e9 o escapar da subsist\u00eancia para atingir o desafogo da abund\u00e2ncia. Subsist\u00eancia significa pobreza, atraso, car\u00eancia, estagna\u00e7\u00e3o, falta de produtividade, arreigo ao antigo. \u00c9 irracional e equivale a <em>subdesenvolvimento<\/em>. Diz que ainda h\u00e1, l\u00e1 nos pa\u00edses do sul, uma tal economia de subsist\u00eancia, e por isso s\u00e3o pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes, poucas por\u00e9m, a palavra pode ter uma conota\u00e7\u00e3o mais feliz e significar autoconsumo, autosufici\u00eancia, autonomia. Dizem-nos os dicion\u00e1rios: \u201c<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/www.lexico.pt\/subsistencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Caracter\u00edstica ou condi\u00e7\u00e3o de subsistente<\/a><\/strong><\/span>; Persist\u00eancia, perman\u00eancia ou preserva\u00e7\u00e3o; Aglomerado de recursos essenciais \u00e0 exist\u00eancia ou \u00e0 vida; alimenta\u00e7\u00e3o ou mantimento; Designa\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia ou sobreviv\u00eancia em termos materiais.\u201d ou \u201c<a href=\"https:\/\/www.dicio.com.br\/subsistencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">Conjunto de coisas essenciais para a preserva\u00e7\u00e3o da vida<\/span><\/strong><\/a>; sustento, alimenta\u00e7\u00e3o, v\u00edveres: garantir a subsist\u00eancia da fam\u00edlia; agricultura de subsist\u00eancia. Estado ou particularidade daquilo que subsiste; estabilidade, perman\u00eancia, sobreviv\u00eancia\u201d. A palavra ganha outros contornos: sustento, perman\u00eancia, estabilidade, recursos essenciais \u00e0 exist\u00eancia ou \u00e0 vida.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_single_image image=&#8221;9487&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761763951582{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761763962599{margin-top: 0px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Troca de sementes<\/strong><\/span> entre camponeses\/as da Guin\u00e9-Bissau, Senegal, Togo, Burkina Faso<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conota\u00e7\u00e3o pejorativa de subsist\u00eancia, em particular quando agregada \u00e0 agricultura (ouvimos tamb\u00e9m falar de \u201cagricultura de subsist\u00eancia\u201d), tem uma hist\u00f3ria. A hist\u00f3ria da moderniza\u00e7\u00e3o ocidental, que podemos situar por volta do s\u00e9c. XVII, e que passou pelas chamadas revolu\u00e7\u00f5es agr\u00edcola e industrial<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>1<\/sup><\/strong><\/span>, que conduziram \u00e0 reorganiza\u00e7\u00e3o da vida, desde o trabalho \u00e0 geografia, por exemplo, com uma crescente centralidade das cidades. A moderniza\u00e7\u00e3o \u2013 em si mesmo um voc\u00e1bulo com conota\u00e7\u00e3o positiva e usado em contraposi\u00e7\u00e3o a \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d &#8211; implicou um conjunto de mudan\u00e7as t\u00e9cnicas, econ\u00f3micas e culturais que alteraram o mundo rural, na Europa como em todo o mundo, porque este processo se expandiu atrav\u00e9s do colonialismo europeu, cunhando vis\u00f5es enraizadas nas nossas mentalidades de progresso e desenvolvimento. Esta <span style=\"color: #6a096a;\"><strong><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/karl-polanyi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">grande transforma\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong><\/span> levou, por um lado, a que se pense a economia apenas de uma forma: a economia de mercado, e, por outro, \u00e0 sua autonomiza\u00e7\u00e3o face a outras esferas da vida: social, cultural, pol\u00edtica, religiosa, etc.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>1 <\/sup><\/span><\/strong> Dois processos hist\u00f3ricos, iniciados em Inglaterra, nos s\u00e9cs. XVIII e XIX. A revolu\u00e7\u00e3o agr\u00edcola levou \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o da propriedade rural &#8211; atrav\u00e9s das chamadas \u201cenclosures\u201d &#8211; das comunidades camponesas para a nobreza e burguesia; atrav\u00e9s da introdu\u00e7\u00e3o de novas esp\u00e9cies vegetais e animais e de processos de produ\u00e7\u00e3o mecanizados. A revolu\u00e7\u00e3o industrial foi o processo de mecaniza\u00e7\u00e3o e massifica\u00e7\u00e3o da transforma\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias-primas, por exemplo, do t\u00eaxtil.<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>2 <\/sup><\/span><\/strong> De acordo com a teoria marxista, a mais-valia \u00e9 o valor produzido pelos\/as trabalhadores\/as al\u00e9m do sal\u00e1rio que lhes \u00e9 pago. Isto \u00e9, os e as trabalhadoras realizam um peda\u00e7o de riqueza necess\u00e1rio a pagar o seu sal\u00e1rio (chamado \u201ctrabalho necess\u00e1rio\u201d) mas produzem mais do que isso (\u201ctrabalho excedent\u00e1rio\u201d). \u00c9 essa diferen\u00e7a entre o valor que lhes \u00e9 pago em sal\u00e1rio e o valor total que produzem que se chama mais-valia, e que se traduz em lucro para os e as empregadoras.<\/span><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora para muitos\/as de n\u00f3s isto j\u00e1 n\u00e3o fa\u00e7a sentido, houve um tempo (que \u00e9 o tempo de muitas comunidades humanas ainda hoje) em que n\u00e3o se separava trabalho da produ\u00e7\u00e3o, do consumo, da fam\u00edlia, da comunidade, das emo\u00e7\u00f5es, da cultura&#8230; Mesmo as palavras \u201cproduzir\u201d e \u201cconsumir\u201d inexistiam. Essa separa\u00e7\u00e3o, que se deu com a moderniza\u00e7\u00e3o, \u00e9 vista como uma liberta\u00e7\u00e3o, uma emancipa\u00e7\u00e3o. A cidade, a tecnologia, o sal\u00e1rio, o indiv\u00edduo s\u00e3o os baluartes desta vis\u00e3o de mundo e da economia, em particular. A que acresce a <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/sistema-economico-hegemonico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>divis\u00e3o e especializa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a><\/span> crescentes do trabalho. Estes elementos, no seu conjunto, trariam, em teoria, abund\u00e2ncia e desenvolvimento. Para tal, havia que libertar-se das amarras da terra e ter um trabalho e um sal\u00e1rio. Na Europa, este processo come\u00e7ou com as <a href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/resistencias-camponesas-na-europa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em><strong><span style=\"color: #6a096a;\">enclosures<\/span><\/strong><\/em><\/a> e sedimentou-se com a revolu\u00e7\u00e3o industrial. Libertar-se da terra significou, para muitos e muitas camponesas, verem-se encerrados\/as em f\u00e1bricas, de sol a sol, e passarem a receber um m\u00edsero sal\u00e1rio pelo trabalho realizado, para poderem comprar o que comer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Terra e trabalho assalariado passaram a ser fatores de produ\u00e7\u00e3o, \u00e0 semelhan\u00e7a das m\u00e1quinas, com um valor monet\u00e1rio correspondente. E o trabalho assalariado como o fator que cria mais-valia<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>2<\/sup><\/strong><\/span>, fundamental para a acumula\u00e7\u00e3o de riqueza. Mas terra e trabalho foram e continuam a ser dois elementos que correspondem a muito mais do que um valor monet\u00e1rio para as pessoas camponesas. Eles traduzem rela\u00e7\u00f5es sociais e rela\u00e7\u00f5es com a natureza. Traduzem valores, cultura, espiritualidade, cren\u00e7as. Traduzem tamb\u00e9m autonomia e a possibilidade de ter o que \u00e9 fundamental \u00e0 vida: alimento. Fazer o que \u00e9 essencial \u00e0 vida e \u00e0 sua perman\u00eancia \u00e9 o significado forte de \u201csubsistir\u201d.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Economia de subsist\u00eancia&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761512460002{margin-top: 20px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761521106612{margin-top: 30px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u201cO objetivo da oikonomia na\u0303o era o acu\u0301mulo de dinheiro, mas a satisfac\u0327a\u0303o das necessidades ba\u0301sicas de todos os membros da fami\u0301lia. E\u0301 isso o que significa subsiste\u0302ncia.\u201d <\/em>Maria Mies<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u201c\u00c9 ter a reprodu\u00e7\u00e3o da vida no centro das estrat\u00e9gias econ\u00f3micas. A produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o est\u00e3o ao servi\u00e7o das necessidades ligadas \u00e0 vida sem passar pelo dinheiro ou pelo capital.\u201d<br \/>\n<\/em><span style=\"color: #6a096a;\"><strong><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=GKr8wguy5z8&amp;t=46s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Veronika Bennholdt-Thomsen<\/a><\/strong><\/span><sup>3<\/sup>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vemos assim entrela\u00e7adas a dimens\u00e3o produtiva e a <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/feminismos-e-ecofeminismo-critico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>dimens\u00e3o reprodutiva<\/strong><\/a><\/span> (vida). Uma n\u00e3o existe sem a outra. Sem reprodu\u00e7\u00e3o da vida, sem todas as tarefas que a asseguram, desde que nascemos at\u00e9 que morremos \u2013 que podemos chamar de \u201ctrabalho de cuidado\u201d &#8211; n\u00e3o existem, desde logo, trabalhadores e trabalhadoras. Este trabalho, tal como o trabalho inerente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimento \u00e9, no entanto, <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Maria_Mies#\/media\/File:Iceberg_Model_of_Captitalist_patriarchal_Economics.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">invis\u00edvel<\/span><\/strong><\/a>, porque, por um lado, na economia de mercado n\u00e3o se lhe d\u00e1 valor (monet\u00e1rio e n\u00e3o s\u00f3), e por outro, porque quem o leva a cabo \u00e9 visto e tratado como subalterno, atrasado, como \u00e0 margem, como um obst\u00e1culo. Falamos das mulheres, das pessoas idosas, das pessoas camponesas, pescadoras, pastoras&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vis\u00e3o econ\u00f3mica em que crescemos, o processo de produ\u00e7\u00e3o comanda a reprodu\u00e7\u00e3o. Reproduzimo-nos para criar trabalhadores\/as que, por sua vez, produzem. Na leitura da subsist\u00eancia, os dois processos est\u00e3o interligados, a esfera da produ\u00e7\u00e3o e da reprodu\u00e7\u00e3o, bem como a do trabalho e do consumo s\u00e3o a mesma: a casa, a terra, a horta&#8230; E a produ\u00e7\u00e3o serve a reprodu\u00e7\u00e3o. Na economia de subsist\u00eancia, os bens produzidos visam, em primeiro lugar, a cobertura das necessidades m\u00ednimas da exist\u00eancia e n\u00e3o a orienta\u00e7\u00e3o para o mercado. Visam&#8230; a <em>economia da casa<\/em> e n\u00e3o a <em>economia do capital<\/em>.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;9615&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761658535917{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761763993092{margin-top: 0px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">Camponeses\/as em<\/span> <span style=\"color: #6a096a;\">Kunming<\/span><\/strong>, prov\u00edncia de Yunnan, China<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Agricultura de subsist\u00eancia&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761520179591{margin-top: 30px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1761513724956{margin-top: 20px !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 para o gasto da casa\u201d e \u201cfazemos de tudo um pouco!\u201d s\u00e3o express\u00f5es que ouvimos na boca de agricultores\/as e de pessoas que fazem hortas. \u201cFazer\u201d<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>4<\/sup><\/strong><\/span> a pr\u00f3pria comida para o autoabastecimento da casa, da fam\u00edlia (restrita e alargada) \u00e9 a base da autosufic\u00eancia. Mas esse fazer n\u00e3o \u00e9 limitado nem pobre. Pelo contr\u00e1rio, no mundo campon\u00eas existe uma diversifica\u00e7\u00e3o produtiva para assegurar ao m\u00e1ximo todas as necessidades: produz-se alimenta\u00e7\u00e3o variada (hort\u00edcolas, frut\u00edcolas, ovos, galinhas&#8230;), madeira para aquecer, animais para tra\u00e7\u00e3o, para estrumar a terra, etc. (Gallar).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diversifica\u00e7\u00e3o de culturas assegura n\u00e3o apenas uma alimenta\u00e7\u00e3o variada como, do ponto de vista agr\u00edcola, previne pragas, porque as variedades quando cultivadas em conjunto fortificam-se, e, do ponto de vista mais vasto dos ecossistemas, possibilita que mais animais (e outras plantas) beneficiem dessa riqueza.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>3 <\/sup><\/span><\/strong> Veronika Bennholdt-Thomsen, Maria Mies e Claudia von Werlhof, antrop\u00f3logas alem\u00e3s, criaram a escola ou teoria feminista da subsist\u00eancia (que mais tarde integrou as correntes ecofeministas), numa leitura cr\u00edtica tanto do liberalismo desenvolvimentista e colonial como do marxismo, trazendo para a discuss\u00e3o econ\u00f3mica o lugar das mulheres, do trabalho de cuidado e trabalho reprodutivo como centrais para a economia.<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>4 <\/sup><\/span><\/strong> Van der Ploeg fala de \u201cmodo de fazer agricultura\u201d para se distanciar de \u201cmodo de produ\u00e7\u00e3o\u201d. O uso da express\u00e3o \u201cfazer\u201d (horta, comida) por parte de hortel\u00f5es \u00e9 testemunhada, por exemplo, em Fonseca e Pinto-Correia.<\/span><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_single_image image=&#8221;9488&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa diversidade segue os ritmos das esta\u00e7\u00f5es e do que a terra d\u00e1, mas os excedentes podem ser guardados para o inverno (por exemplo, fazendo compotas), trocados ou vendidos. Podem tamb\u00e9m alimentar animais ou produzir h\u00famus. V\u00e3o-se fechando ciclos, baseando a produ\u00e7\u00e3o da vida no territ\u00f3rio que se habita, desde a (re)produ\u00e7\u00e3o das sementes \u00e0 biomassa para estrumar a terra at\u00e9 ao fabrico das pr\u00f3prias alfaias agr\u00edcolas. Produzir ao m\u00e1ximo no territ\u00f3rio que se habita equivale a comprar menos fora desse territ\u00f3rio. Este \u00e9 o princ\u00edpio da autonomia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta autonomia n\u00e3o significa, por\u00e9m, isolamento. Dar, trocar, vender com quem est\u00e1 nas redondezas ou at\u00e9 mais longe (Quem nunca recebeu uns quilos de batatas l\u00e1 \u201cda terra\u201d? Ou pensemos nas rotas do sal que ligavam o interior e o litoral dos pa\u00edses, constituindo o sal um ingrediente fundamental para a conserva\u00e7\u00e3o dos alimentos antes do surgimento da refrigera\u00e7\u00e3o) s\u00e3o pr\u00e1ticas habituais. S\u00e3o formas de circula\u00e7\u00e3o, de troca ou d\u00e1diva que tornam a\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas em a\u00e7\u00f5es sociais (Polanyi). Essa dimens\u00e3o social, coletiva, passa por outras pr\u00e1ticas como o recurso a outros\/as nas tarefas agr\u00edcolas, as chamadas <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/ao-norte.com\/milho-a-terra.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>\u201cajudadas\u201d<\/strong><\/a><\/span>, ou pela partilha de terras, bosques, prados, <a href=\"https:\/\/ao-norte.com\/aguas-em-conta.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">\u00e1guas<\/span><\/strong><\/a>, rebanhos, fornos, matadouros, lagares comunit\u00e1rios&#8230; Em Portugal, as terras e prados comunit\u00e1rios s\u00e3o conhecidos, ao norte, como <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=PrBbdmUDulg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">Baldios<\/span><\/strong><\/a> ou Maninhos, e, a sul, como <a href=\"https:\/\/adcmoura.pt\/estamos\/act_aleixo_par.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">Aduas<\/span><\/strong><\/a>. O seu uso comunit\u00e1rio constitui uma fonte de autonomia (coletiva) atrav\u00e9s da interdepend\u00eancia.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho, que n\u00e3o corresponde na agricultura de subsist\u00eancia a um sal\u00e1rio, corresponde, por\u00e9m a outras dimens\u00f5es: permite controlar o processo de produ\u00e7\u00e3o; cria a base de recursos, em coprodu\u00e7\u00e3o com a natureza, necess\u00e1ria \u00e0 produ\u00e7\u00e3o; cria aprendizagens e novas formas de fazer, porque n\u00e3o se faz sempre tudo da mesma maneira. Do trabalho fazem parte a observa\u00e7\u00e3o e a experimenta\u00e7\u00e3o (n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a ci\u00eancia que o faz), tarefas pouco produtivas. Experimenta-se uma semente que a vizinha deu. Colocam-se uns CDs velhos em estacas ou nas \u00e1rvores em vez de espantalhos para afugentar a passarada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o trabalho \u00e9 intenso, \u00e9 de sol a sol. E para ele todos os bra\u00e7os s\u00e3o preciosos, em primeiro lugar os da fam\u00edlia. O trabalho pode, assim, significar autoexplora\u00e7\u00e3o&#8230; E o controle (do trabalho em coprodu\u00e7\u00e3o com a natureza) nunca \u00e9 total, porque a rela\u00e7\u00e3o com a natureza n\u00e3o \u00e9 necessariamente simbi\u00f3tica. Pode vir sol a mais ou chuva a menos. E como consequ\u00eancia: a escassez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escassez faz parte da subsist\u00eancia. O espectro da mis\u00e9ria e da falta de alimentos leva que os e as camponesas \u201cjoguem pelo seguro\u201d. Experimentam sim, mas procuram a seguran\u00e7a, a certeza que parte do seu trabalho dar\u00e1 frutos, o que se traduz em atitudes aparentemente conservadoras, como meio de evitar a diminui\u00e7\u00e3o de recursos: uma \u201c\u00e9tica da subsist\u00eancia\u201d (Scott).<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Terra e Liberdade&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761518220939{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elemento fundamental da agricultura de subsist\u00eancia \u00e9 a terra. A terra n\u00e3o \u00e9 concebida pelos e pelas camponesas como uma simples mercadoria, mas como um patrim\u00f3nio, material sim, mas sobretudo como base dos seus recursos. \u00c9 o que lhes permite fazer o alimento. E mais at\u00e9 do que objeto de trabalho e de explorac\u0327a\u0303o fi\u0301sica, a terra e\u0301 o espac\u0327o social da fami\u0301lia (Woortman, E. e K.).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u201cPatrimo\u0302nio aqui na\u0303o se restringe a\u0300 noc\u0327a\u0303o de propriedade privada. Na\u0303o obstante ter valor de mercado, o que regula a transmissa\u0303o da terra, para ale\u0301m do valor de troca, e\u0301 seu valor de uso.\u201d<\/em><br \/>\nE. e K. Woortman<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltamos \u00e0 ideia inicial: o que importa n\u00e3o \u00e9 o valor monet\u00e1rio de algo, mas as possibilidades desse algo permitir satisfazer necessidades b\u00e1sicas, no sentido de necessidades ligadas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da vida (por exemplo, o valor de uma enxada \u00e9 dar a possibilidade de cavar a terra)<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>5<\/sup><\/strong><\/span>. E quando se fala de patrim\u00f3nio n\u00e3o significa a propriedade total da terra, mas o acesso a ela. O que desafia tamb\u00e9m a no\u00e7\u00e3o hegem\u00f3nica de propriedade. Quando pensamos no acesso a uma coisa, pensamos na sua propriedade ou, quando muito, no seu arrendamento. Mas as formas de acesso, no que diz respeito \u00e0 terra, t\u00eam sido m\u00faltiplas<strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>6<\/sup><\/span><\/strong> ao longo da hist\u00f3ria, desde logo, o acesso comunit\u00e1rio como j\u00e1 mencionado.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando titular ou propriet\u00e1rio\/a de um peda\u00e7o de terra, o ou a agricultora pode vend\u00ea-la (ou troc\u00e1-la por outro) mas f\u00e1-lo para obter dinheiro para cobrir outras necessidades. N\u00e3o tem como objetivo principal a mercantiliza\u00e7\u00e3o da terra e o lucro. O que n\u00e3o quer dizer que na agricultura de subsist\u00eancia n\u00e3o se almeje o lucro ou que o lucro provenha apenas de atividades agr\u00edcolas, a diferen\u00e7a est\u00e1 no objetivo desse lucro: n\u00e3o \u00e9 a <a href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/acumulacao-primitiva-do-capital-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">acumula\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/a>. O dinheiro ganho pode ser necess\u00e1rio para comprar o que n\u00e3o se produz, para pagar impostos, contas, d\u00edvidas, rendas &#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o visar o lucro, acima de tudo, nem a acumula\u00e7\u00e3o \u00e9 visto por uns como a demonstra\u00e7\u00e3o da irracionalidade econ\u00f3mica da agricultura camponesa e, por outros, como uma \u201ceconomia moral\u201d (Scott). A esta economia moral correspondem mecanismos niveladores que limitam a acumula\u00e7\u00e3o (por exemplo, em algumas sociedades a obrigatoriedade do dote no casamento), mas tamb\u00e9m uma economia pautada pelos valores da dignidade, generosidade, reciprocidade e entreajuda (Guzm\u00e1n e Soler, 2010).<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>5 <\/sup><\/span><\/strong> Esta \u00e9 a acep\u00e7\u00e3o de \u201cvalor de uso\u201d. Na teoria marxista, as coisas t\u00eam um valor de uso e um valor de troca. Por este \u00faltimo, entende-se o valor de uma coisa ou produto em rela\u00e7\u00e3o a outro, expresso pelo seu pre\u00e7o no mercado, que \u00e9 determinado pela quantidade de trabalho socialmente necess\u00e1rio para sua produ\u00e7\u00e3o, num determinado contexto e temporalidade.<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>6 <\/sup><\/span><\/strong> Posse, arrendamento, ced\u00eancia, empr\u00e9stimo, foro, enfiteuse&#8230;<\/span><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Agricultura de subsist\u00eancia vs Imp\u00e9rio agroindustrial&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761521149257{margin-top: 20px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1761517888519{margin-top: 20px !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A base ecol\u00f3gica, moral, social, cultural do campesinato e do que podemos chamar de \u201cagricultura de subsist\u00eancia\u201d foi e \u00e9 <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/e-subversivo-falar-de-campesinato\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>continuamente amea\u00e7ada<\/strong><\/a><\/span>, desde a revolu\u00e7\u00e3o agr\u00edcola \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o da agricultura, potenciada pela \u201crevolu\u00e7\u00e3o verde\u201d, e n\u00e3o apenas no quadro do sistema capitalista, mas tamb\u00e9m no quadro dos sistemas socialistas. O modo de vida campon\u00eas \u00e9 antag\u00f3nico a ambos os sistemas e os seus bra\u00e7os, bem como a sua terra, s\u00e3o vitais para os alimentar. A usurpa\u00e7\u00e3o, a explora\u00e7\u00e3o e a coloniza\u00e7\u00e3o da vida \u2013 dos seres vivos e dos seres inertes que comp\u00f5em o planeta \u2013 s\u00e3o a fonte da acumula\u00e7\u00e3o de riqueza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do desmantelamento da agricultura ou da economia de subsist\u00eancia consistiu \u2013 e continua a consistir por todo o mundo, do Barroso at\u00e9 ao Congo \u2013 na despossess\u00e3o e na destrui\u00e7\u00e3o da natureza. Se a agricultura de subsist\u00eancia procura produzir e reproduzir os recursos &#8211; por exemplo: planto tomates para comer, mas tamb\u00e9m para guardar semente para o pr\u00f3ximo ano &#8211; o seu contr\u00e1rio \u00e9 produzir para consumir e desperdi\u00e7ar e, em \u00faltima an\u00e1lise, destruir &#8211; por exemplo, planto milhares de hectares de milho transg\u00e9nico, dos quais grande parte vai para alimentar animais, cuja carne em parte ir\u00e1 alimentar seres humanos, outra parte ir\u00e1 acabar no lixo (desperd\u00edcio alimentar). Ao plantar hectares de milho, uso toneladas de herbicida que destroem a terra onde planto e a \u00e1gua que por ela corre. Para o ano tenho que comprar mais sementes, herbicida \u2026 Construir, reconstruir ou destruir (com) a natureza: a primeira grande diferen\u00e7a entre racionalidades econ\u00f3micas e agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_single_image image=&#8221;9506&#8243; img_size=&#8221;large&#8221; alignment=&#8221;right&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para plantar tomate, uso a semente que colhi o ano passado ou pe\u00e7o \u00e0 minha vizinha. Ou compro sementes comerciais, que s\u00f3 sobrevivem se eu comprar e usar tamb\u00e9m herbicida e pesticida. Os custos sobem. Vou vender o que fiz a mais ao mercado. Ningu\u00e9m compra: dizem que \u00e9 muito caro. Vou vender ao supermercado. O dono compra-me o tomate a 0,02 c\u00eantimos o quilo. A terra onde cultivava era dos meus pais, mas n\u00e3o tinha pap\u00e9is que o comprovassem. Uma empresa chegou e disse que era dela, mas que me arrendavam. N\u00e3o aceitei. Fiquei sem terra. Fui para mais longe, onde arrendei outro peda\u00e7o por um valor mais baixo. Mas mesmo assim, estou sem dinheiro. Vou pedir um empr\u00e9stimo ao banco ou tento obter um subs\u00eddio da <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/pac-uma-politica-para-a-libertacao-da-europa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>PAC<\/strong><\/a><\/span>. N\u00e3o consigo sequer fazer para o gasto da casa. Autonomia ou depend\u00eancia: segunda grande diferen\u00e7a entre racionalidades econ\u00f3micas e agr\u00edcolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fal\u00e1mos acima de interdepend\u00eancia (na autonomia) e agora de depend\u00eancia. Duas palavras parentes, mas cujos significados diferem. Rela\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia implicam controle, poder, hierarquia. Interdepend\u00eancia significa rela\u00e7\u00f5es de coexist\u00eancia e partilha. E \u00e9 na situa\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia que a maioria dos e das camponesas (agricultores\/as familiares, pequenos\/as agricultores\/as, como lhes quisermos chamar) se encontram hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u201cO objetivo essencial das rela\u00e7\u00f5es sociais \u00e9 a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades materiais. Isso requer e requereu sempre a apropria\u00e7\u00e3o dos recursos naturais para a produ\u00e7\u00e3o de bens com um valor de uso hist\u00f3rico e culturalmente dado, mediante o consumo de uma quantidade determinada de energia e materiais e o emprego de um saber e instrumentos de produ\u00e7\u00e3o adequados\u201d. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Sevilla Guzm\u00e1n e Molina<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A agricultura de subsist\u00eancia, que podemos fazer equivaler \u00e0 agricultura camponesa, pela sua forma de gest\u00e3o dos recursos existentes, produzindo alimentos enquanto continua a produzir natureza, \u00e9 o caminho (passado, presente e futuro) para a famosa sustentabilidade. Ela constitui, simultaneamente, uma eco-<em>nomia<\/em> e uma eco-<em>logia<\/em>.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Subsist\u00eancia: algo porque vale a pena lutar?&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761520298952{margin-top: 20px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761518750126{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A economia e agricultura de subsist\u00eancia descritas ao longo do texto n\u00e3o existiram ou existem, claramente, como modelos perfeitos ou ideais. E afastam-se rapidamente dessa idealiza\u00e7\u00e3o. A autonomia, mesmo que parcial, implicada na subsist\u00eancia \u00e9 cada vez mais uma miragem, sobretudo no norte geopol\u00edtico. Os modos de vida mudaram significativamente e com eles os saberes e as pr\u00e1ticas. Por\u00e9m, os e as camponesas e o seu modo de fazer agricultura persistem (Molina e Sevilla Guzm\u00e1n). N\u00e3o \u00e9 preciso andar muito, mesmo nas cidades, para vermos uma pequena <a href=\"https:\/\/www.jornalmapa.pt\/2021\/08\/15\/cultivar-a-margem-hortografias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">horta<\/span><\/strong><\/a> que desponta. A subsist\u00eancia clama. Fazer o pr\u00f3prio alimento \u00e9 para muitos e muitas como um cora\u00e7\u00e3o que palpita e que resiste ao bet\u00e3o, \u00e0 escassez de \u00e1gua, \u00e0 preda\u00e7\u00e3o da terra. Esse invis\u00edvel que resiste est\u00e1, como dizem <em>nuestros ermanos e ermanas<\/em>: <a href=\"http:\/\/bah.ourproject.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">\u201cbajo el aslfato\u201d<\/span><\/strong><\/a>, debaixo do asfalto e da oblitera\u00e7\u00e3o e deprecia\u00e7\u00e3o intencionais a que foi submetido. <a href=\"https:\/\/estrumealeira.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">Recuperar<\/span><\/strong><\/a> esses conhecimentos, pr\u00e1ticas e paisagens \u00e9 o mote da <em>agroecologia camponesa<\/em>.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;9616&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761658693356{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1762167598223{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos n\u00e3o querer ou conseguir voltar a p\u00f4r as m\u00e3os na terra e fazer o nosso alimento, mas parece fundamental questionarmo-nos e desafiarmos a forma como vemos (e o que sabemos sobre) economia, trabalho, necessidades, abund\u00e2ncia e escassez. Questionarmo-nos se queremos continuar a delegar, a comprar, a consumir&#8230; a depender de. Questionar \u2013 mas n\u00e3o demasiado retoricamente \u2013 os impactos e os custos dessa suposta abund\u00e2ncia, ou se quisermos coloc\u00e1-lo frontalmente: quantos recursos s\u00e3o necess\u00e1rios para a <em>n\u00e3o<\/em> subsist\u00eancia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Subsist\u00eancia assenta na produ\u00e7\u00e3o do alimento, mas vai al\u00e9m dela porque existem outras necessidades \u2013 b\u00e1sicas \u2013 das comunidades humanas. Mas temos que come\u00e7ar por algum lado. Porque n\u00e3o pela (maior) autonomia na produ\u00e7\u00e3o de comida, seja atrav\u00e9s da compra direta a agricultores\/as (em <a href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/alternativas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">circuitos curtos, AMAPs<\/span><\/strong><\/a>, CSAs&#8230;), seja pressionando para que as cantinas p\u00fablicas sejam aprovisionadas por estes, ou construindo sistemas mais abrangentes e populares como as <span style=\"color: #6a096a;\"><strong><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/a-comida-e-um-assunto-do-povo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">caixas alimentares<\/a><\/strong><\/span>? Esta n\u00e3o \u00e9 uma vis\u00e3o de nacionalismo, protecionismo ou isolacionismo mas de <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=vEhJFY0xkeI&amp;t=125s\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">soberania alimentar<\/span><\/strong><\/a> e de reapropria\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Bibliografia&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761521283151{margin-top: 20px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761520790164{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonseca, C. e Pinto-Correia, T. Local food production \u2013 vegetable gardens as resistance strategies? An exploratory study in Montemor-o-Novo (Portugal). Proceedings of the XXVI European Society for Rural Sociology Congress, Aberdeen, Scotland, 2015, pp. 51-52.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gallar, David. <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/www.soberaniaalimentaria.info\/publicados\/numero-12\/300-economias-campesinas-como-cultura-a-rescatar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Econom\u00edas campesinas como cultura a rescatar<\/strong><\/a><\/span>. Soberan\u00eda Alimentaria. n\u00ba 12<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hespanha, P. Com os Pe\u0301s na Terra. Pra\u0301ticas Fundia\u0301rias da Populac\u0327a\u0303o Rural Portuguesa. Afrontamento. Porto, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Van der Ploeg, J. D. <span style=\"color: #6a096a;\"><strong><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/mst.org.br\/download\/camponeses-e-imperios-alimentares-lutas-por-autonomia-e-sustentabilidade-na-era-da-globalizacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Camponeses e impe\u0301rios alimentares: lutas por autonomia e sustentabilidade na era da globalizac\u0327a\u0303<\/a>o<\/strong><\/span>. Editora da UFRGS. Porto Alegre, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Polanyi, K. The Economy as Instituted Process. In: Polanyi, K., Arensberg, C., Pearson, H. Trade and Market in the Early Empires. Economies in History and Theory. Gateway Edition. Chicago, 1975.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rosset, Peter; Torres, Mar\u00eda Helena. <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/www.redalyc.org\/jatsRepo\/417\/41744004011\/html\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Agroecolog\u00eda, territorio, recampesinizaci\u00f3n y movimientos sociales<\/strong><\/a><\/span>, Estudios Sociales, vol. 25, n.\u00ba. 47, jan-jun 2016, pp. 275-299.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santos, Aurora; Fonseca, Ceci\u0301lia; Pedro, S\u00e9rgio. <a href=\"http:\/\/journals.openedition.org\/eces\/5955\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">Desconstruindo os sistemas agroalimentares<\/span><\/strong><\/a>, e-cadernos CES, n.\u00ba 34, 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott, James. The Moral Economy of the Peasant: Rebellion and Subsistence in Southeast Asia. Yale University Press, 1976.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sevilla Guzman, Eduardo; Montiel, Marta, <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/seminariodlae.wordpress.com\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/c2-eduardo-sevilla-y-marta-soler.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Del desarollo rural a agroecologia. Hacia un cambio de paradigma<\/strong><\/a><\/span>. Documentaci\u00f3n social, n.\u00ba 155, pp. 23-39, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sevilla Guzman, Eduardo; de Molina, Manuel. Sobre a evolu\u00e7\u00e3o do conceito de campesinato. La Via Campesina. Bras\u00edlia, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Shanin, Theodor. Naturaleza y logica de la economia camponesa. Angrama. Barcelona, 1976.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Soul\u00e8vements de la Terre. \u201cPerspectivas de subsist\u00eancia\u201d. In: Primeiros Abalos. Tigre de Papel. Lisboa, 2025.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Woortman, Ellen; Woortman, Klaas. O trabalho da terra. UnB. Bras\u00edlia, 1977.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Woortman, K. \u201cCom parente n\u00e3o se neguceja\u201d. O campesinato como ordem moral. In Anu\u00e1rio Antropol\u00f3gico 87. Editora Universit\u00e1ria de Bras\u00edlia\/Tempo Brasileiro. Bras\u00edlia, 1990.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_custom_heading text=&#8221;Para saber mais&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761519146218{margin-top: 20px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761519824893{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre Aduas<\/strong>: <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/agranja.com.pt\/agricultura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Freguesia da Granja<\/strong><\/a><\/span>, Alentejo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre Baldios:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jornal MAPA, <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/www.jornalmapa.pt\/2017\/02\/15\/baldio-da-serra-serpa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Baldio da Serra de Serpa<\/strong><\/a> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jornal MAPA, <strong><a href=\"https:\/\/www.jornalmapa.pt\/2015\/07\/16\/en-todas-as-mans-baldios-e-montes-vizinhais-um-futuro-em-mao-comum\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #6a096a;\">En Todas as Mans. Baldios e Montes Vizinhais: um futuro em m\u00e3o comum<\/span><\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rita Serra e Patr\u00edcia Ferreira, <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/oldwww.animar-dl.pt\/recursos\/governacao-comunitaria-de-florestas-para-criancas-kit-pedagogico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Governa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria de florestas para crian\u00e7as<\/strong><\/a><\/span> &#8211; kit pedag\u00f3gico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre hortas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=cn16cUhU-eM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">Hortas informais de Lisboa<\/span><\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Varela Pedro, <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/www.iscte-iul.pt\/tese\/449\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Novas ra\u00edzes na cidade: sociabilidades nas hortas urbanas de cabo-verdianos na Amadora<\/strong> <\/a><\/span>(tese)<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;60&#8243;][vc_custom_heading text=&#8221;\u201c\u00c9 para o gasto da casa\u201d &#8211; Desafiando no\u00e7\u00f5es de economia&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761658403324{margin-top: 0px !important;}&#8221;]CIDAC Tempo aproximado de leitura: 21 minutos[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1761512028733{margin-top: 20px !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761519866861{margin-top: -10px !important;}&#8221;] Travessia do deserto, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, S\u00e9rgio Godinho e Fausto Bordalo Dias [\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] \u201cPara compreender dimenso\u0303es na\u0303o-econo\u0302micas da economia camponesa e\u0301&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9488,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"h5ap_radio_sources":[],"footnotes":""},"portfolio_category":[297],"portfolio_tag":[],"class_list":["post-9485","portfolio","type-portfolio","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-revista-n-o7"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/9485","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/types\/portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9485"}],"version-history":[{"count":43,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/9485\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9840,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/9485\/revisions\/9840"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9488"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9485"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=9485"},{"taxonomy":"portfolio_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tag?post=9485"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}