{"id":9561,"date":"2025-10-28T11:03:38","date_gmt":"2025-10-28T11:03:38","guid":{"rendered":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/?post_type=portfolio&#038;p=9561"},"modified":"2025-11-05T12:26:16","modified_gmt":"2025-11-05T12:26:16","slug":"solo-politico","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/solo-politico\/","title":{"rendered":"Solo pol\u00edtico"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row css=&#8221;.vc_custom_1761822064039{padding-top: 60px !important;}&#8221;][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;Solo pol\u00edtico&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761905490057{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<strong>Jo\u00e3o Ruivo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fotos:<\/strong> <strong>Jo\u00e3o Ruivo<\/strong> (\u00e0 exce\u00e7\u00e3o da \u00faltima)<\/p>\n<p>Tempo aproximado de leitura: 15 minutos[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;O Solo como arquivo&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1761673124592{margin-top: 20px !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O arquivo colonial de solos encontra-se alojado na Pedoteca em Lisboa, um termo que designa uma biblioteca pedol\u00f3gica, ou biblioteca de solos. As amostras de solo e relat\u00f3rios das miss\u00f5es pedol\u00f3gicas est\u00e3o reunidas no Instituto Superior de Agronomia (ISA) em Lisboa, tendo sido transladadas da extinta Junta de Investiga\u00e7\u00f5es Cient\u00edficas do Ultramar, a ag\u00eancia colonial que operou at\u00e9 ao derrube do regime em Abril de 1974. A minha primeira visita \u00e0 Pedoteca ocorreu enquanto realizava pesquisa sobre a pratica cientifica de Am\u00edlcar Cabral, o te\u00f3rico e l\u00edder pol\u00edtico do movimento revolucion\u00e1rio anti-colonial PAIGC. Cabral estudou agronomia no ISA entre 1951-53, onde realizou uma tese que abordava a eros\u00e3o do solo na regi\u00e3o da Cuba, no Alentejo<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>1<\/sup><\/strong><\/span>. A tese apontava as causas da eros\u00e3o n\u00e3o como um problema do foro estritamente ambiental, mas sim o resultado de um longo processo de expropria\u00e7\u00e3o da terra, que tinha no latif\u00fandio um dos agente principais<strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>2<\/sup><\/span><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco tempo depois de completar os estudos em Agronomia, Cabral incorporou tr\u00eas miss\u00f5es pedol\u00f3gicas em Angola, entre 1954-56, onde colaborou na extra\u00e7\u00e3o de algumas das amostras de solo que se encontram atualmente arquivadas e expostas na pedoteca<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>3<\/sup><\/strong><\/span>. A trajet\u00f3ria acad\u00e9mica e profissional de Cabral, de cientista de solos ao servi\u00e7o das ag\u00eancias coloniais do Estado Novo no Alentejo e em Angola, e a subsequente lideran\u00e7a das lutas anti-coloniais em Cabo Verde e na Guin\u00e9-Bissau, \u00e9 paradigm\u00e1tica das interconex\u00f5es pol\u00edticas presentes nos materiais depositados no arquivo de solos.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>1 <\/sup><\/span><\/strong> Am\u00edlcar Lopes Cabral, \u201cO problema da eros\u00e3o do solo. Contribui\u00e7\u00e3o para o seu estudo na regi\u00e3o de Cuba (Alentejo)\u201d (bachelor Thesis, ISA-UTL, 1951).<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>2 <\/sup><\/span><\/strong> A leitura no presente da dedicat\u00f3ria \u201cAos jornaleiros do Alentejo \u2013 trabalhadores da terra dos latif\u00fandios, homens de vida incerta que a eros\u00e3o amea\u00e7a. \u00c0 M\u00e3e-Iva\u201d, \u00e9 evocativa da condi\u00e7\u00e3o actual de trabalho prec\u00e1rio nas planta\u00e7\u00f5es de monoculturas, com a diferen\u00e7a de que o regime de propriedade do latif\u00fandio serve agora de ventre para o lucro de sociedades financeiras de investimento. Embora camufladas sob identidades m\u00faltiplas, uma investiga\u00e7\u00e3o em 2020 revelou que seis empresas multinacionais, a Elaia, a De Prado, a Aggraria, a Olivomundo, a Innoliva e a Bogaris, detinham uma quota de 65% dos 56 mil hectares de olivais plantados nos per\u00edmetros do Alqueva. Paulo Barriga, \u201cGrande Investiga\u00e7\u00e3o: O lado negro do neg\u00f3cio dourado do azeite,\u201d S\u00e1bado, January 23, 2020.<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>3 <\/sup><\/span><\/strong> De acordo com o testemunho de um dos seus colegas R. Pinto Ricardo, <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/actd.iict.pt\/view\/actd:MORPR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Rui Pinto Ricardo (Depoimento, 2013<\/strong><\/a><\/span>), Lisboa: IICT, 2014<\/span><\/span><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;9664&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761673544354{margin-top: -20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Espa\u00e7o central da pedoteca no ISA, em Lisboa<\/strong><\/span>. \u00c0 direita, o conjunto de mon\u00f3litos extra\u00eddos do Alentejo. Agosto 2016.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761673298997{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Localizada no piso semi-enterrado da Universidade, a pedoteca disp\u00f5e uma cole\u00e7\u00e3o de solos representativos do territ\u00f3rio nacional, em conjunto com amostras extra\u00eddas de territ\u00f3rios que se encontravam sob ocupa\u00e7\u00e3o colonial por altura das miss\u00f5es. O arquivo pedol\u00f3gico compreende uma s\u00e9rie de perfis verticais rodeados de corredores preenchidos a toda a altura com amostras de solo retiradas a diferentes profundidades, e cont\u00e9m mais de 30.000 amostras de solo recolhidas ao longo das d\u00e9cadas finais da ditadura fascista e de ocupa\u00e7\u00e3o colonial. Para al\u00e9m de uma etiqueta indicativa da origem e classifica\u00e7\u00e3o taxon\u00f3mica aplicada pelos pedologistas, as m\u00faltiplas hist\u00f3rias e lutas pol\u00edticas que atravessaram estes solos s\u00e3o ileg\u00edveis na forma de apresenta\u00e7\u00e3o das amostras.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;9667&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761673557396{margin-top: -20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Vista interior de dois espa\u00e7os da Pedoteca<\/strong><\/span>, preenchidos com amostras de solo. Agosto 2016.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761673800463{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No centro do espa\u00e7o est\u00e3o dispostas a cole\u00e7\u00e3o de mon\u00f3litos extra\u00eddos entre as d\u00e9cadas de 1950-60 de Angola e do Alentejo, dois territ\u00f3rios que foram avaliados na altura como prop\u00edcios \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de projetos extrativistas, e \u00e0 expans\u00e3o da presen\u00e7a colonial atrav\u00e9s da agricultura de irriga\u00e7\u00e3o<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>4<\/sup><\/strong><\/span>. Em ambos os casos, coincidentes com modelos de ocupa\u00e7\u00e3o territorial baseada em estrat\u00e9gias de coloniza\u00e7\u00e3o por assentamento, que obrigavam invariavelmente \u00e0 expuls\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es aut\u00f3ctones para dar lugar \u00e0 instala\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias de colonos origin\u00e1rios da metr\u00f3pole. Estas col\u00f3nias agr\u00edcolas das quais Peg\u00f5es \u00e9 um dos exemplos paradigm\u00e1ticos foram primeiro testadas no Alentejo, atrav\u00e9s do denominado processo de coloniza\u00e7\u00e3o interna, antes de serem transplantadas para os territ\u00f3rios ocupados nas plan\u00edcies do Kwanza Sul, em Angola<strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>5<\/sup><\/span><\/strong>.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_single_image image=&#8221;9666&#8243; img_size=&#8221;large&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>4 <\/sup><\/span><\/strong> Uma avalia\u00e7\u00e3o que tinha por base uma vis\u00e3o ideol\u00f3gica que remonta ao s\u00e9culo anterior: \u201cNos finais do s\u00e9culo XIX, foram dois os discursos m\u00edticos que se constitu\u00edram como destino nacional: o de \u00c1frica e o do Alentejo\u201d. Em Paulo Eduardo Guimar\u00e3es, \u201cConclus\u00e3o: Para a Compreens\u00e3o Da Ac\u00e7\u00e3o Das Elites Econ\u00f3micas No Alentejo Contempor\u00e2neo,\u201d in <span style=\"color: #6a096a;\"><strong><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"http:\/\/books.openedition.org\/cidehus\/5721\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Elites e Ind\u00fastria No Alentejo (1890-1960)\u202f: Um Estudo Sobre o Comportamento Econ\u00f3mico de Grupos de Elite Em Contexto Regional No Portugal Contempor\u00e2neo<\/a><\/strong><\/span>, Biblioteca &#8211; Estudos &amp; Col\u00f3quios (Publica\u00e7\u00f5es do Cidehus, 2019).<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>5 <\/sup><\/span><\/strong> Assentes num modelo de agricultura de subsist\u00eancia, estes colonatos modelo pretendiam reproduzir as rela\u00e7\u00f5es sociais de ruralismo individualizado que estavam a ser incentivadas na metr\u00f3pole. Ver Cl\u00e1udia Castelo, <a href=\"http:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/03057070.2016.1142732\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">&#8220;Reproducing Portuguese Villages in Africa: Agricultural Science, Ideology and Empire&#8221;<\/span><\/strong><\/a>, Journal of Southern African Studies 42, no. 2 (2016): 267\u201381.<\/span><\/span>[\/vc_column_text][vc_empty_space][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Vista interior da Pedoteca<\/strong><\/span>. Do lado direito um mapa com o t\u00edtulo \u201cCunene \u2013 Regi\u00e3o do Capelongo. Carta de Aptid\u00e3o para Regadio\u201d, datado de 1951. Agosto 2016. No detalhe do mapa \u00e9 poss\u00edvel vislumbrar as \u00e1reas designadas para irriga\u00e7\u00e3o &#8211; A1 \u2013 ocupando as terras baixas entre as Sanzalas e o curso do rio Cunene. Atrav\u00e9s deste plano, as popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o seriam imediatamente deslocadas, mas perderiam o acesso direto ao rio, assim como \u00e0s terras melhores para o cultivo.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1761822101591{padding-top: 60px !important;}&#8221;][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;O horizonte do solo&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761905557272{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora frequentemente reduzido \u00e0 palavra &#8220;terra&#8221;, o solo n\u00e3o \u00e9 uma entidade plana, unidimensional, e homog\u00e9nea, mas um corpo vivo em constante muta\u00e7\u00e3o. As propriedades dos solos, que se encontram distribu\u00eddas de forma desigual&nbsp; pela superf\u00edcie do planeta, transportam e s\u00e3o em si mesmas constitu\u00eddas por res\u00edduos de transforma\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas.&nbsp;Na pr\u00e1tica da amostragem pedol\u00f3gica, aquilo a que os\/as cientistas se referem como um &#8220;perfil de solo&#8221; indica uma s\u00e9rie de camadas ou horizontes de solo paralelos entre si, vis\u00edveis na superf\u00edcie cont\u00ednua do solo em sec\u00e7\u00e3o vertical<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>6<\/sup><\/strong><\/span>. Esta arquitetura tridimensional armazena e organiza os res\u00edduos materiais de eventos no passado, registando simultaneamente em tempo real os efeitos da exposi\u00e7\u00e3o ambiental do solo, incluindo eventos geol\u00f3gicos e atmosf\u00e9ricos, varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, e interven\u00e7\u00e3o humana. Cada perfil vertical \u00e9 um registo cont\u00ednuo da evolu\u00e7\u00e3o estratificada da superf\u00edcie da Terra ao longo do tempo. Da perspetiva dos estudos do solo, esta superf\u00edcie n\u00e3o \u00e9 uma fronteira abstrata, mas antes uma entidade tridimensional de profundidade vari\u00e1vel, que cont\u00e9m hist\u00f3rias divergentes.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;9668&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761674336854{margin-top: -20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Cole\u00e7\u00e3o de mon\u00f3litos de solo extra\u00eddos de Angola entre 1946-74<\/strong><\/span>, em exibi\u00e7\u00e3o na Pedoteca. Agosto 2016.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1761674791800{margin-top: 20px !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>6 <\/sup><\/span><\/strong>Esta distribui\u00e7\u00e3o vertical foi descrita pela primeira vez em termos pedol\u00f3gicos por Hans Jenny, que definiu o solo como uma \u201centidade anisotr\u00f3pica\u201d. Ver Hans Jenny, Factors of Soil Formation: A System of Quantitative Pedology, McGraw Hill Publications in the Agricultural Sciences (McGraw-Hill, 1941). p.3<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>7 <\/sup><\/span><\/strong> Perrin Selcer, \u201cFabricating Unity: The FAO-UNESCO Soil Map of the World,\u201d Historical Social Research \/ Historische Sozialforschung 40, no. 2 (152) (2015): 174\u2013201<\/span><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os solos presentes nos mon\u00f3litos expostos no ISA s\u00e3o o culminar de um projeto pol\u00edtico, e a sua constitui\u00e7\u00e3o material \u00e9 derivada de uma s\u00e9rie de complexos processos tecno-cient\u00edficos, que informam e s\u00e3o informados por decis\u00f5es pol\u00edticas que surtem efeitos a diferentes escalas.&nbsp;No caso espec\u00edfico estas amostras de solo integravam um projeto global de censos agr\u00edcolas coordenado por duas ag\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas, a Food and Agriculture Organization (FAO) em conjunto com a Unesco. Atrav\u00e9s da ado\u00e7\u00e3o de uma metodologia comum de classifica\u00e7\u00e3o acordada entre as diversas entidades nacionais, as pesquisas conduziram \u00e0 sincroniza\u00e7\u00e3o de nomenclaturas cient\u00edficas de solo, que foi publicada na Primeira Legenda do Mapa de Solos do Mundo, em 1974<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>7<\/sup><\/strong><\/span>.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;9724&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761678706576{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Carta de perfis de solo \u201cSoils of the World\u201d<\/strong><\/span>, publicada pela FAO UNESCO em 1982, exposta na escadaria de acesso \u00e0 cave da pedoteca. Agosto 2016.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os solos abrangidos por este projeto global foram invariavelmente transformados atrav\u00e9s do aparato estandardizante das taxonomias cient\u00edficas do solo que foram estabelecidas neste per\u00edodo, e que inclu\u00edam informa\u00e7\u00e3o estat\u00edstica sobre pr\u00e1ticas agr\u00edcolas, popula\u00e7\u00f5es, e dos ambientes rurais onde crescia a resist\u00eancia contra a ocupa\u00e7\u00e3o imperialista. Os levantamentos conduzidos por cientistas ao servi\u00e7o do Estado Novo nos diferentes territ\u00f3rios sob administra\u00e7\u00e3o colonial estavam igualmente inseridos num projeto de reconstru\u00e7\u00e3o integral do ambiente levado a cabo ap\u00f3s a Segunda-Guerra Mundial, que tinha como objetivo a redire\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria militar para a agricultura, inaugurando assim uma nova fase do complexo agro-industrial&nbsp;que havia sido interrompida entre as duas grandes guerras mundiais<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>8<\/sup><\/strong><\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este projeto imperialista procurava garantir a continuidade dos dom\u00ednios coloniais, atrav\u00e9s de pol\u00edticas de gest\u00e3o ambiental divergentes que visavam por um lado a conserva\u00e7\u00e3o de habitats, e por outro a intensifica\u00e7\u00e3o do uso do solo. Em ambos os casos, implicaram uma profunda reorganiza\u00e7\u00e3o territorial e uma transforma\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel dos ecossistemas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi tamb\u00e9m neste per\u00edodo que surgiu a chamada &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o Verde&#8221;, um programa financiado nos Estados Unidos pelas Funda\u00e7\u00f5es Ford e Rockefeller para promover a homogeniza\u00e7\u00e3o da agricultura a uma escala global. Projetando a expans\u00e3o da monocultura industrial como \u00fanica alternativa para combater a escassez, o programa promoveu a substitui\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas agr\u00edcolas de escala local pela f\u00f3rmula semente-fertilizante produzida em laborat\u00f3rio que ficou conhecida como NPK, em refer\u00eancia aos macronutrientes das plantas: azoto (N), f\u00f3sforo (P) e pot\u00e1ssio (K)<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>9<\/sup><\/strong><\/span>. Dissimulada pela teoria Malthusiana do excesso populacional, que defendia a necessidade de aumentar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos para sustentar uma popula\u00e7\u00e3o global crescente, a desestabiliza\u00e7\u00e3o dos ecossistemas da resist\u00eancia tinha por objetivo estrat\u00e9gico prim\u00e1rio desarticular os movimentos revolucion\u00e1rios &#8211; muitos de inspira\u00e7\u00e3o Marxista, logo, vermelhos &#8211; que se come\u00e7avam a organizar contra o dom\u00ednio colonial<span style=\"color: #6a096a;\"><strong><sup>10<\/sup><\/strong><\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ecoc\u00eddio foi a arma de guerra das pot\u00eancias coloniais que procuravam liquidar a resist\u00eancia pol\u00edtica atrav\u00e9s de um ataque direto ao ambiente, tendo na modifica\u00e7\u00e3o dos solos um dos seus ve\u00edculos principais. Partindo do pretexto de otimizar o uso de solos f\u00e9rteis que os colonos reclamavam como desaproveitados pelas culturas locais, a destrui\u00e7\u00e3o de florestas e savanas aut\u00f3ctones em Angola foi uma das t\u00e1ticas militares de contra-subvers\u00e3o aplicadas pelo Estado Colonial portugu\u00eas para extinguir as zonas onde as guerrilhas encontravam ref\u00fagio<strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>11<\/sup><\/span><\/strong>.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<figure class=\"wp-block-embed wp-block-embed-youtube is-type-video is-provider-youtube epyt-figure\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><div class=\"epyt-video-wrapper\"><div  id=\"_ytid_65256\"  width=\"945\" height=\"531\"  data-origwidth=\"945\" data-origheight=\"531\"  data-relstop=\"1\" data-facadesrc=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/297hOJkul9A?enablejsapi=1&autoplay=0&cc_load_policy=0&cc_lang_pref=&iv_load_policy=1&loop=0&rel=0&fs=1&playsinline=0&autohide=2&theme=dark&color=red&controls=1&disablekb=0&\" class=\"__youtube_prefs__ epyt-facade no-lazyload\" data-epautoplay=\"1\" ><img data-opt-id=1382774367  fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" data-spai-excluded=\"true\" class=\"epyt-facade-poster skip-lazy\" loading=\"lazy\"  alt=\"YouTube player\"  src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/297hOJkul9A\/maxresdefault.jpg\"  \/><button class=\"epyt-facade-play\" aria-label=\"Play\"><svg data-no-lazy=\"1\" height=\"100%\" version=\"1.1\" viewBox=\"0 0 68 48\" width=\"100%\"><path class=\"ytp-large-play-button-bg\" d=\"M66.52,7.74c-0.78-2.93-2.49-5.41-5.42-6.19C55.79,.13,34,0,34,0S12.21,.13,6.9,1.55 C3.97,2.33,2.27,4.81,1.48,7.74C0.06,13.05,0,24,0,24s0.06,10.95,1.48,16.26c0.78,2.93,2.49,5.41,5.42,6.19 C12.21,47.87,34,48,34,48s21.79-0.13,27.1-1.55c2.93-0.78,4.64-3.26,5.42-6.19C67.94,34.95,68,24,68,24S67.94,13.05,66.52,7.74z\" fill=\"#f00\"><\/path><path d=\"M 45,24 27,14 27,34\" fill=\"#fff\"><\/path><\/svg><\/button><\/div><\/div><\/div><\/figure><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Cuando Tenga La Tierra, Mercedes Sosa<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>8 <\/sup><\/span><\/strong> Um argumento desenvolvido mais a fundo em Jo\u00e3o Ruivo, \u201c<span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/www.terrabatida.org\/derivas_one.php?id=19\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Solos Em Guerra: A Fertilidade Como Arma\u201d<\/strong><\/a><\/span>, Terra Batida, accessed October 27, 2025.<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>9 <\/sup><\/span><\/strong> No contexto Portugu\u00eas, e apesar de sofrer uma intensifica\u00e7\u00e3o no per\u00edodo ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, a utiliza\u00e7\u00e3o de fertilizantes sint\u00e9ticos era j\u00e1 frequente desde o s\u00e9culo XIX. Ver Miguel Carmo et al., \u201c<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-017-08118-3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">The N-P-K Soil Nutrient Balance of Portuguese Cropland in the 1950s: The Transition from Organic to Chemical Fertilization<\/span><\/strong><\/a>\u201d, Scientific Reports 7, no. 1 (2017): 8111, 10.1038\/s41598-017-08118-3<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>10 <\/sup><\/span><\/strong> As origens pol\u00edticas do chamado &#8220;credo malthusiano&#8221; est\u00e3o entrela\u00e7adas com a ascens\u00e3o do anticomunismo ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, quando foi introduzido para &#8220;inibir a influ\u00eancia das for\u00e7as revolucion\u00e1rias em todo o mundo em desenvolvimento&#8221;. Em Eric B. Ross, The Malthus Factor\u202f: Population, Poverty, and Politics in Capitalist Development (Zed Books, 1998). Embora a teoria de Malthus se tenha tornado central nos discursos geopol\u00edticos que defendem a limita\u00e7\u00e3o do crescimento, o argumento de que uma popula\u00e7\u00e3o crescente necessitaria de mais terra foi, sem d\u00favida, roubada a Ricardo, segundo Marx, que afirmou que &#8220;toda a sua [de Malthus] teoria populacional \u00e9 um pl\u00e1gio descarado&#8221;. Para uma breve genealogia da teoria de Malthus \u00e0 data da sua publica\u00e7\u00e3o, ver Karl Marx, Capital: A Critique of Political Economy \/ Vol. 1, with Ben Fowkes and David Fernbach (Penguin Books in association with New Left Review, 1990). p.524, fn.246<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>11 <\/sup><\/span><\/strong> Por outro lado, a floresta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi utilizada como arma colonial em outros contextos. Sob o pretexto de florescer o deserto, a planta\u00e7\u00e3o de florestas financiada pelo Jewish National Fund (JNF) desde 1901 nos territ\u00f3rios ocupados da Palestina tem contribu\u00eddo gradualmente para a acidifica\u00e7\u00e3o do solo. Ver Eyal Weizman, Hollow Land: Israel\u2019s Architecture of Occupation (Verso, 2007). p.121. A implanta\u00e7\u00e3o de mais de 250 milh\u00f5es de pinheiros de Alepo eliminou todas as outras formas de vegeta\u00e7\u00e3o aut\u00f3ctone, destruindo as condi\u00e7\u00f5es para a perman\u00eancia de comunidades transumantes. Segundo testemunho direto do ex\u00e9rcito Israelita, as florestas foram plantadas para cobrir intencionalmente os vest\u00edgios de povoamentos palestinianos.&nbsp;Ver Liat Berdugo, \u201cA Situation: A Tree in Palestine,\u201d Places Journal, ahead of print, January 7, 2020, https:\/\/doi.org\/10.22269\/200107.<\/span><\/span><\/span><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1761822136584{padding-top: 60px !important;}&#8221;][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;Materialismo pedol\u00f3gico&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761675675390{margin-top: 20px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761676922875{margin-top: 20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partindo do reconhecimento destes processos hist\u00f3ricos, deixa de ser poss\u00edvel falar do solo como um elemento natural. O solo \u00e9 uma mat\u00e9ria pol\u00edtica, e um arquivo material. Quer se encontrem em pousio ou abandono, os solos s\u00e3o o produto resultante de a\u00e7\u00e3o antropog\u00e9nica, uma vez que foram expostos direta ou indiretamente aos efeitos da presen\u00e7a e a\u00e7\u00e3o humanas ao longo do tempo.&nbsp;No seu presente estado n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil discernir o solo alterado do material origin\u00e1rio. Em conjunto com outras altera\u00e7\u00f5es ambientais, estas modifica\u00e7\u00f5es est\u00e3o inscritas no solo, formando parte integral da sua composi\u00e7\u00e3o mineral, qu\u00edmica, e biol\u00f3gica. Estes processos, apelidados pelo <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/o-complexo-agroindustrial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>complexo agro-industrial<\/strong><\/a><\/span> como \u201cmelhoramentos\u201d do solo, implicam igualmente uma degrada\u00e7\u00e3o cont\u00ednua dos meios envolvidos, em particular das propriedades do solo.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como observou Marx na incep\u00e7\u00e3o da industrializa\u00e7\u00e3o da agricultura no s\u00e9culo XIX, derivado da aplica\u00e7\u00e3o continuada de <em>inputs<\/em> qu\u00edmicos no solo, h\u00e1 inst\u00e2ncias em que a terra como capital pode desaparecer, mas os &#8220;melhoramentos&#8221; permanecem na terra<strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>12<\/sup><\/span><\/strong>.&nbsp;Este processo levou-o a distinguir entre o conceito de &#8220;<em>Terre mati\u00e8re<\/em>&#8220;, ou terra mat\u00e9ria, e &#8220;<em>Terre Capital<\/em>&#8220;, terra capital. Por outras palavras, enquanto que a terra como capital pode diminuir pela exaust\u00e3o de certos elementos (nutrientes) essenciais para sustentar a sua fertilidade, os res\u00edduos t\u00f3xicos destas opera\u00e7\u00f5es de incorpora\u00e7\u00e3o de capital (qu\u00edmico, mec\u00e2nico) permanecem no solo enquanto passivo ambiental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resultante de s\u00e9culos de explora\u00e7\u00e3o colonial e depreda\u00e7\u00e3o ambiental, estes chamados melhoramentos constituem um dos elementos de uma assemblagem tecno-cient\u00edfica, e est\u00e3o incorporados nas propriedades minerais e org\u00e2nicas do solo atrav\u00e9s de um ciclo metab\u00f3lico que inclui a a\u00e7\u00e3o de agentes sint\u00e9ticos utilizados na pr\u00e1tica da monocultura industrial, em particular os fertilizantes qu\u00edmicos e os diferentes pesticidas, que incluem herbicidas, fungicidas, inseticidas, acaricidas, muitos dos quais foram desenvolvidos primariamente como armas qu\u00edmicas<strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>13<\/sup><\/span><\/strong>.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_single_image image=&#8221;9670&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;right&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761675980282{margin-top: -20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Pormenor de mon\u00f3lito de solo extra\u00eddo da regi\u00e3o de Malange<\/strong><\/span>, Angola, revelando vest\u00edgios de uma ossada de origem desconhecida, em exibi\u00e7\u00e3o na Pedoteca. Agosto 2016<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1761676753800{margin-top: 20px !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;9727&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761678948537{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761678960230{margin-top: 0px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Amostra de solo da regi\u00e3o de Cuanza-Sul<\/strong><\/span>, extra\u00edda de Angola em 1961, armazenada na Pedoteca Agosto 2016.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;9672&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;right&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1761678970449{margin-bottom: 0px !important;}&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761678982030{margin-top: 0px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Pormenor de mon\u00f3litos de solo extra\u00eddos do Alentejo<\/strong><\/span>, entre 1946-74, em exibi\u00e7\u00e3o na Pedoteca Janeiro 2019.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1761679073153{padding-top: 20px !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>12 <\/sup><\/span><\/strong> \u201cOs melhoramentos na terra precisam de reprodu\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o; duram apenas algum tempo. Nisso t\u00eam em comum com todas as outras melhorias utilizadas para transformar a mat\u00e9ria em meios de produ\u00e7\u00e3o. A terra como capital \u00e9 capital fixo; mas o capital fixo esgota-se tanto como o capital circulante.\u201d Em The Poverty of Philosophy, in Karl Marx, Early Texts, trans. David McLellan, Blackwell\u2019s Political Texts (Blackwell, 1971).<br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\"><sup>13 <\/sup><\/span><\/strong> Um dos exemplos mais famosos \u00e9 o denominado Agente Laranja, um desfolhante desenvolvido durante a guerra do Vietnam para eliminar a folhagem florestal. A resist\u00eancia contra a sua aplica\u00e7\u00e3o generalizada deu origem ao termo \u201cEcoc\u00eddio\u201d, e foi um dos pilares do movimento ambientalista que surgiu a partir da d\u00e9cada de 60. Ver David Zierler,&nbsp;The Invention of Ecocide: Agent Orange,&nbsp;Vietnam, and the Scientists Who Changed the Way We Think about the Environment&nbsp;(Athens\u202f; London: University of Georgia Press, 2011). p.114<br \/>\n<\/span><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez incorporados no solo, estes agentes qu\u00edmicos sint\u00e9ticos s\u00e3o igualmente uma das causas da sua destrui\u00e7\u00e3o acelerada. N\u00e3o s\u00e3o pois, o efeito colateral da degrada\u00e7\u00e3o ambiental nem o efeito secund\u00e1rio das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, das quais formam parte integral, como demonstram os dados que apontam a agricultura industrial como uma das causas principais do aquecimento global. Os chamados melhoramentos s\u00e3o os meios atrav\u00e9s dos quais projetos imperiais e coloniais foram materializados historicamente, sustentando e reproduzindo as condi\u00e7\u00f5es estruturais sob as quais novas formas de gest\u00e3o neoliberal do solo operam no presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante pois resgatar a dimens\u00e3o pol\u00edtica da ecologia, contra perspetivas que consideram a luta clim\u00e1tica como existindo num plano exterior \u00e0 pol\u00edtica. Reclamar o direito \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o do solo como bem comum n\u00e3o significa apagar as divis\u00f5es pol\u00edticas, que se encontram bem definidas por linhas ideol\u00f3gicas divergentes. No caso do Alentejo, uma regi\u00e3o que tem sofrido os impactos decorrentes da expans\u00e3o gradual do projeto de regadio da barragem do Alqueva, o processo de intensifica\u00e7\u00e3o do uso do solo tem mobilizado grupos de cidad\u00e3os, ativistas, e acad\u00e9micos, na luta coletiva contra o <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/a-marcha-da-financeirizacao-sobre-as-terras-agricolas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>avan\u00e7o das monoculturas<\/strong><\/a><\/span>. Reconhecendo a dimens\u00e3o pol\u00edtica destas lutas, \u00e9 de assinalar que estas transforma\u00e7\u00f5es ambientais n\u00e3o s\u00e3o o produto de decis\u00f5es tecnocr\u00e1ticas isentas politicamente, mas sim o culminar de um projeto de irriga\u00e7\u00e3o que teve in\u00edcio em 1956 no auge da ditadura fascista, e que encontra agora continuidade material e ideol\u00f3gica na pr\u00e1tica extractivista do agroneg\u00f3cio, um modelo econ\u00f3mico que n\u00e3o sobrevive fora de um ecossistema de cariz neoliberal. O direito ao solo \u00e9 a arma poss\u00edvel contra o seu avan\u00e7o.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1761822160770{padding-top: 60px !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_custom_heading text=&#8221;Para saber mais&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1762345542669{margin-top: 20px !important;}&#8221;]Jo\u00e3o Ruivo, <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/soil-politics.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Soil Politics<\/strong><\/a><\/span>, site<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Neves, <a href=\"https:\/\/www.buala.org\/pt\/a-ler\/ideologia-ciencia-e-povo-em-amilcar-cabral\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Ideologia, ci\u00eancia e povo em Am\u00edlcar Cabral<\/strong><\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.historiasasombradomontado.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #6a096a;\">Hist\u00f3rias \u00e0 sombra do Montado<\/span><\/strong><\/a>, BD<\/p>\n<p>Tiago Saraiva, <span style=\"color: #6a096a;\"><a style=\"color: #6a096a;\" href=\"https:\/\/www.journals.uchicago.edu\/doi\/full\/10.1086\/721072#xref_fn21\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Black Science: Am\u00edlcar Cabral\u2019s Agricultural Survey and the Seeds of African Decolonization<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;[\/vc_column_text][vc_single_image image=&#8221;9716&#8243; img_size=&#8221;large&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761677928829{margin-top: -20px !important;}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #6a096a;\"><strong>Solo mobilizado para planta\u00e7\u00e3o de olival super-intensivo, nas imedia\u00e7\u00f5es da Cuba<\/strong><\/span>, Alentejo. Imagem cortesia de Yannis Drakoulidis, Outubro 2017<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_empty_space][vc_single_image image=&#8221;9717&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;right&#8221; onclick=&#8221;img_link_large&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row css=&#8221;.vc_custom_1761822064039{padding-top: 60px !important;}&#8221;][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;Solo pol\u00edtico&#8221; font_container=&#8221;tag:h1|text_align:left|color:%2302658F&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1761905490057{margin-top: 20px !important;}&#8221;]Jo\u00e3o Ruivo Fotos: Jo\u00e3o Ruivo (\u00e0 exce\u00e7\u00e3o da \u00faltima) Tempo aproximado de leitura: 15 minutos[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_custom_heading text=&#8221;O Solo como arquivo&#8221; font_container=&#8221;tag:h2|text_align:left|color:%236A096A&#8221; google_fonts=&#8221;font_family:Anton%3Aregular|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1761673124592{margin-top: 20px !important;}&#8221;][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] O arquivo colonial de solos encontra-se alojado na Pedoteca em Lisboa, um termo que designa uma biblioteca pedol\u00f3gica, ou&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9562,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"h5ap_radio_sources":[],"footnotes":""},"portfolio_category":[297],"portfolio_tag":[],"class_list":["post-9561","portfolio","type-portfolio","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-revista-n-o7"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/9561","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/types\/portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9561"}],"version-history":[{"count":51,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/9561\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9849,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio\/9561\/revisions\/9849"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9562"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9561"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=9561"},{"taxonomy":"portfolio_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/outraseconomias.pt\/outrasec\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tag?post=9561"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}